Quais erros o impedem de vencer desafios? Ultramaratonista responde

Com grande experiência em provas longas, Sidney Togumi conta as lições que aprendeu após voltar de corrida no deserto do Peru

São Paulo - “Já tiveram duas provas que não terminei e não consegui cruzar a linha de chegada. Você vive aquele momento de luto, de ficar remoendo a derrota e tenta achar uma razão. É difícil, ainda mais no dia pós-prova, quando todos têm a camiseta de participação e você não”, confessa Sidney Togumi, ultramaratonista, treinador e coach.

O especialista em corrida de trilha reflete sobre como o esporte competitivo reflete no ambiente de trabalho em entrevista para EXAME após retornar do Peru, onde participou da Half Marathon Des Sables, no deserto de Ica.

Foram sete dias em ambiente inóspito, quatro deles de prova, desafiando a capacidade de resistência e autonomia dos atletas. Togumi precisou carregar todos seus equipamento na mochila enquanto corria no calor. De noite, quando a temperatura caia, dormiu em barraca. No total, foram 110 quilômetros.

Para realizar uma prova assim, ele trouxe muito de experiências passadas para provas longas, o que permitiu que tivesse conhecimento sobre suas dificuldades e limites, mesmo no ambiente novo.

“Eu sabia que não sou uma pessoa que se adapta bem a altas temperaturas, precisei me preocupar se a quantidade de comida e água que levava bastariam. Além disso, também precisei administrar a cabeça”, conta.

Nessa vez, ele cruzou a linha de chegada, mas acredita que seu tempo poderia ter sido melhor. Ainda assim, acredita que as frustrações servem como boas lições e gostaria de repetir a competição para reparar seus erros.

“No final, levei comida demais e poderia ter carregado menos peso. Uma das coisas mais importantes que aprendi foi a paciência. Na areia fofa, não adianta querer correr. É inviável e você gasta uma energia absurda para progredir o mesmo do que se estivesse caminhando”, fala ele.

Enquanto a maioria das pessoas que buscam conquistar um grande desafio focam nas derrotas e ficam remoendo seus erros, Togumi aponta que outra coisa pode ser o maior ponto fraco para um competidor, seja na corrida ou no escritório: as altas expectativas.

Na vida profissional, são os erros que ajudam a entender melhor quais são nossos pontos fortes e criam resistência para momentos desafiadores no futuro.  Sem um histórico de erros e acertos fica difícil criar um plano de carreira realista, como a busca de uma promoção ou aumento salarial.

“Na ultramaratona acontece muito. Todo mundo quer fazer um progresso rápido de correr e conquistar os 100 km. É possível, mas se você uma base muito frágil, qualquer tropeço vai te abalar. Colocar uma expectativa alta sem ter a experiência passada de outras provas pode ser prejudicial e estressante”, avisa Togumi.

Segundo ele, nas provas e na vida o que mais fazemos é tomar decisões. Seja a hora de comer em uma prova no deserto, quando economizar energia ou a hora de mudar de carreira. “E, para tomar boas decisões, tem que ter boa experiência. Quanto mais experiência, maior o acervo para tomar uma decisão melhor”, aconselha.

Na virada do ano, é muito comum que se coloquem metas e resoluções para a vida, como mudar de emprego ou completar uma prova como a famosa São Silvestre. Ele recomenda focar nas pequenas metas intermediárias para alcançar os grandes objetivos.

“Antes de correr a São Silvestre, corra seu primeiro quilômetro. Quando você abre uma porta, outras se abrem. Você tem que cumprir etapas do caminho para ter mais opções. Isso é na corrida e na carreira também”, fala ele.

Assim, antes de mudar de emprego, existem diversas etapas para estabelecer, como pensar nos possíveis cargos, avaliar suas melhores habilidades e revisar seu currículo.

Nesse caminho, ele fala que é inevitável não ter altos e baixos. O importante é não tomar decisões drásticas no momentos de maiores dificuldades.

“Se você desiste da corrida no seu pior momento, não tem como voltar atrás e logo depois você se arrepende. O mal estar e cansaço vai passar, mas a decisão fica. A experiência também ajuda a entender como você está se sentindo”, diz.

Para manter a motivação, Togumi fala que é valioso tirar um pouco os olhos da meta final e olhar para trás. “Se o sonho parece muito distante, você pode se desmotivar. Ver de onde saiu e onde está, a história que já construiu, gera grande motivação para olhar para a frente de novo”, afirma.

Sidney Togumi durante a Half Marathon Des Sables, no Deserto de Ica, no Peru Sidney Togumi durante a Half Marathon Des Sables, no Deserto de Ica, no Peru

Sidney Togumi durante a Half Marathon Des Sables, no Deserto de Ica, no Peru (Arquivo pessoal/Sidney Togumi/Divulgação)

Sidney Togumi durante a Half Marathon Des Sables, no Deserto de Ica, no Peru Sidney Togumi durante a Half Marathon Des Sables, no Deserto de Ica, no Peru

Sidney Togumi durante a Half Marathon Des Sables, no Deserto de Ica, no Peru (Arquivo pessoal/Sidney Togumi/Divulgação)

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?


Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?


Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 3,90/mês
  • R$ 9,90 após o terceiro mês.

  • Acesse quando e onde quiser.

  • Acesso ilimitado ao EXAME Invest, macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo e tecnologia.
Assine

exame digital anual

R$ 99,00/ano
  • R$ 99,00 à vista ou em até 12 vezes. (R$ 8,25 ao mês)

  • Acesse quando e onde quiser.

  • Acesso ilimitado ao EXAME Invest, macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo e tecnologia.
Assine

Já é assinante? Entre aqui.