Executivo demonstra preocupação (kieferpix/Thinkstock)
Redatora
Publicado em 29 de setembro de 2026 às 14h57.
Repassar mentalmente uma apresentação que deu errado. Imaginar as consequências de uma decisão antes mesmo de elas existirem. Passar horas pensando no que poderia ter sido feito de outra forma.
Preocupar-se faz parte da experiência humana — e isso não significa, por si só, falta de inteligência emocional. Essa é a resposta de Justin Bariso, autor e especialista em inteligência emocional, a um profissional.
Para Bariso, eliminar completamente a preocupação é pouco realista; o ponto central está em administrá-la para que ela não paralise ações nem provoque decisões das quais o profissional se arrependa depois. As informações foram retiradas da Inc.
Uma das estratégias apresentadas pelo especialista é a chamada Blue Dolphin Rule. A ideia é substituir deliberadamente um pensamento improdutivo por outro que leve a uma resposta mais útil.
Imagine alguém esperando o resultado de um processo seletivo. Pensar repetidamente “e se eu não passar?” dificilmente altera o resultado. Uma alternativa seria direcionar a atenção para uma tarefa possível naquele momento: revisar o desempenho na entrevista, atualizar outras candidaturas ou identificar o que pode ser melhorado para a próxima oportunidade.
A mudança não elimina a incerteza — ela devolve alguma capacidade de ação.
Outra estratégia descrita por Bariso é a Milk Carton Rule: concentrar energia no que pode ser influenciado, em vez de permanecer preso ao que já escapou do controle. No trabalho, essa diferença aparece o tempo todo.
Depois de uma apresentação para a liderança, por exemplo, já não é possível alterar cada frase dita. Mas ainda é possível enviar informações complementares, responder dúvidas ou preparar melhor a próxima exposição.
O mesmo vale para uma entrevista de emprego. O candidato pode controlar sua preparação, a clareza das respostas e o conhecimento sobre a empresa. Não controla quantos concorrentes existem nem qual decisão final o recrutador tomará.
Reconhecer essa fronteira evita que energia profissional seja consumida por variáveis que não podem mais ser modificadas.
Bariso também sugere uma pergunta para recuperar a perspectiva: como vou me sentir sobre isso daqui a cinco dias, cinco semanas, cinco meses ou cinco anos?
A técnica não serve para minimizar problemas reais. Uma decisão importante de carreira pode continuar relevante anos depois.
Mas muitos episódios que ocupam espaço mental desproporcional — uma resposta imperfeita em reunião, um comentário mal formulado ou um erro corrigível — podem perder importância rapidamente.
Esse exercício cria distância entre a intensidade da emoção no presente e o peso real do acontecimento. Nem tudo que parece enorme no momento continuará enorme depois.
O objetivo da inteligência emocional não é criar profissionais imunes a medo, frustração ou preocupação. É aumentar a capacidade de reconhecer o que está acontecendo e escolher uma resposta mais útil.
No trabalho, portanto, preocupar-se não é necessariamente o problema. O ponto decisivo é perceber quando essa preocupação trouxe uma informação que exige ação — e quando já entregou tudo o que tinha para oferecer.
No fim das contas, dominar a inteligência emocional é dominar a si mesmo. Esse curso é uma oportunidade gratuita para aprender a se automotivar diante de dificuldades, manter o equilíbrio em momentos de alta pressão e liderar com empatia e impacto.
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