Principais erros na auditoria (Bits And Splits/Shutterstock)
Redatora
Publicado em 18 de setembro de 2026 às 05h09.
A maioria das pessoas está convencida de que se conhece bem.
Uma pesquisa conduzida pela psicóloga organizacional Tasha Eurich, publicada na Harvard Business Review, ouviu quase 5 mil pessoas ao longo de quase cinco anos e chegou a um resultado desconfortável: 95% acreditam ser autoconscientes, mas, pelos critérios usados no estudo, apenas entre 10% e 15% realmente são.
É esse ponto cego que explica por que tanta gente segue tropeçando nas mesmas decisões de carreira, mesmo jurando, a cada vez, que vai ser diferente.
Na psicologia, esse tipo de repetição tem nome e teoria por trás. A terapia do esquema, modelo desenvolvido pelo psicólogo americano Jeffrey Young a partir de sua formação com Aaron Beck, um dos fundadores da terapia cognitivo-comportamental, explica que padrões de comportamento se formam ainda na infância, a partir de necessidades emocionais que não foram plenamente atendidas.
Esses padrões, chamados de esquemas, funcionam como lentes: continuam ativos na vida adulta e são reativados sempre que uma situação atual lembra, mesmo que inconscientemente, uma experiência do passado.
No ambiente de trabalho, esse mecanismo se manifesta de formas bem concretas. Quem cresceu associando desacordo a punição tende a evitar qualquer conflito no trabalho, mesmo quando discordar seria o mais estratégico.
Quem aprendeu cedo que recursos e oportunidades são escassos tende a aceitar propostas ruins por medo de não ter outra chance. Quem foi ensinado a temer o erro tende a procrastinar mudanças importantes, como pedir uma promoção ou trocar de área, para não se expor ao risco de falhar.
Em nenhum desses casos a pessoa está agindo por falta de competência. Está agindo a partir de um roteiro emocional que aprendeu antes mesmo de entender que estava aprendendo.
Um dos achados mais contraintuitivos da pesquisa de Eurich é que introspecção não é sinônimo de autoconhecimento. Segundo a pesquisadora, pessoas que passam mais tempo remoendo os próprios sentimentos tendem a relatar pior satisfação no trabalho, não maior clareza.
O problema está na pergunta usada: perguntar "por quê" a um comportamento costuma gerar apenas ruminação, porque a mente tende a inventar explicações plausíveis, mas não necessariamente verdadeiras.
Perguntas como "o quê", focadas em identificar o padrão em si e o que fazer a respeito, tendem a levar a mudanças reais com mais frequência.
A pesquisa também mostra que autoconhecimento tem duas dimensões: entender a si mesmo por dentro e entender como os outros de fato o percebem, algo que só vem de buscar ativamente feedback externo. É a combinação dessas duas frentes, e não apenas a reflexão isolada, que costuma preceder mudanças de comportamento consistentes.
Identificar um padrão não é o fim do trabalho. É o momento em que ele deixa de ser automático e passa a ser, enfim, uma escolha.
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