Carreira

Por que os melhores líderes usam IA, mas nunca abrem mão do julgamento humano?

Executivos exploram IA como conselheira estratégica, mas alertam: empatia ainda é insubstituível

Artificial Intelligence processor unit. Powerful Quantum AI component on PCB motherboard with data transfers. (da-kuk/Getty Images)

Artificial Intelligence processor unit. Powerful Quantum AI component on PCB motherboard with data transfers. (da-kuk/Getty Images)

Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 05h00.

À medida que a inteligência artificial deixa de ser apenas uma ferramenta operacional e passa a influenciar decisões estratégicas, líderes precisam saber usar a tecnologia sem perder o senso humano.

O CEO da MoviePass, Stacy Spikes, resume bem essa virada: “A IA é como um conselheiro. Não toma decisões por mim, mas amplia minha visão”. 

Ele usa diferentes modelos de IA para avaliar situações ambíguas, testar cenários e refletir sobre a melhor abordagem, principalmente em decisões delicadas com fornecedores ou equipes.

Essa nova forma de liderança mostra que a execução de alta performance não depende apenas de agir com velocidade, mas de tomar decisões com consciência, equilíbrio e contexto humano. As informações foram retiradas de Fast Company.

IA no centro das decisões: ganho de eficiência com nuances

Em vez de limitar o uso da IA a tarefas repetitivas, empresas estão integrando a tecnologia ao processo de decisão. É o caso do Walmart, que utiliza um sistema interno de IA para dar suporte a colaboradores no diagnóstico de falhas logísticas. 

O sistema funciona como um “agente superinteligente” que coleta dados de diversas fontes para montar um cenário confiável, acelerando a investigação, mas sem substituir o olhar humano.

Marne Martin, CEO da Emburse, destaca que o uso da IA é especialmente eficaz quando os dados são limpos e as decisões são repetíveis. Já em contextos mais subjetivos — como conflitos interpessoais ou negociações —, a intervenção humana ainda é fundamental.

Quando a IA influencia o tom — e melhora o resultado

Em um dos exemplos mais marcantes do artigo, Stacy Spikes narra uma situação em que precisou encerrar o contrato com um prestador de serviço. 

A IA o ajudou a avaliar os caminhos possíveis: um modelo sugeriu uma resposta objetiva e direta; outro, uma abordagem mais empática, reconhecendo as contribuições anteriores do profissional.

Spikes manteve a decisão original — pagar apenas pelos dias trabalhados —, mas escolheu uma comunicação mais cuidadosa, graças à influência da IA. “Ela me tornou um pouco mais gentil do que eu seria sozinho”, reconheceu.

Essa é uma lição valiosa para líderes que buscam alta performance aliada à construção de relacionamentos duradouros. A IA pode ajudar a evitar reações impulsivas, ampliar o repertório de resposta e fortalecer a inteligência emocional na tomada de decisões.

Riscos da automatização cega: quando a IA distancia

Embora os ganhos de eficiência sejam claros, especialistas alertam para um risco sutil: o distanciamento emocional provocado pelo uso excessivo da IA. 

Pesquisadores da Universidade de Massachusetts observaram que, ao consultar máquinas em vez de colegas, gestores podem se tornar mais frios e orientados ao controle.

A ausência de pistas emocionais — como reações, expressões e tons de voz — reduz a empatia e aumenta a chance de decisões automatizadas e desumanizadas. A IA pode moldar o modo como o problema é enquadrado, inclinando o líder a respostas mais rígidas do que ele tomaria em um diálogo com outro ser humano.

O desafio, portanto, é incluir a IA no processo sem excluir a sensibilidade humana.

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