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Por que a Odontoprev investe para que funcionários pensem como donos do negócio

A maior operadora odontológica do país aposta no intraempreendedorismo para acelerar a inovação e criar soluções que nascem da rotina dos próprios colaboradores

OdontoPitch, HackaDonto e Guardiões da Inovação já reuniram mais de 600 funcionários

OdontoPitch, HackaDonto e Guardiões da Inovação já reuniram mais de 600 funcionários

Publicado em 21 de julho de 2026 às 16h57.

Última atualização em 21 de julho de 2026 às 19h03.

A Odontoprev, maior operadora odontológica do Brasil, aposta em uma estratégia pouco comum nas grandes empresas: em vez de buscar externamente respostas para o futuro do negócio, ela criou programas em que os próprios funcionários propõem e executam projetos de inovação.

É o que o mercado chama de intraempreendedorismo, um termo para descrever quando um colaborador atua como dono de um projeto dentro da empresa com liberdade para propor soluções e colocá-las em prática. “A jornada de implementar o intraempreendedorismo e a inovação é, acima de tudo, uma celebração do potencial humano e da co-criação”, diz Rose Gabay, diretora de Recursos Humanos, que está na companhia há mais de 17 anos.

Hoje, com quase 2 mil funcionários, a empresa mantém três programas voltados a esse objetivo. Juntos, eles já passaram por mais de 10 edições e reuniram mais de 600 participantes. Entre 2025 e 2026, foram testadas 29 ideias, das quais 12 já foram ou estão sendo colocadas em prática.

“Ver um colaborador transformar uma faísca de criatividade em uma solução real é o maior indicador de sucesso que podemos alcançar”, afirma.

Rose Gabay, diretora de RH da Odontoprev, área que apoia os programas de inovação interna

Como funciona

Tudo começou em 2018, com a criação do OdontoPitch, o primeiro programa de intraempreendedorismo da empresa. O formato é parecido com uma competição interna: funcionários de setores diferentes se inscrevem com propostas para resolver problemas reais do negócio e um grupo de avaliadores de várias áreas escolhe as ideias mais viáveis. Uma das vencedoras, inclusive, criou uma forma mais simples de conectar clientes a dentistas da rede credenciada, facilitando o agendamento de consultas, conta Gabay.

Esse primeiro programa deu origem a outros dois, cada um com um formato próprio. O mais recente é o Guardiões da Inovação, hoje na terceira edição. Nele, os participantes passam seis meses em uma jornada estruturada em etapas: primeiro aprendem a identificar um problema real da empresa, depois desenvolvem uma solução e, no fim, apresentam o projeto para a diretoria. 

Desde 2024, mais de 50 funcionários já se formaram no programa e cada nova turma é acompanhada por quem participou da edição anterior, funcionando como uma espécie de mentoria entre colegas. Em 2026, o programa passou a distribuir pontos aos grupos conforme o desempenho.

O terceiro programa é o HackaDonto, um evento de três dias em que equipes desenvolvem soluções rápidas para desafios específicos. Uma pesquisa interna feita com os participantes da edição de 2025 mostrou que 89% conseguiram aplicar no trabalho o que aprenderam durante o evento. 

Da ideia ao resultado

Segundo Gabay, um dos principais aprendizados ao longo desses oito anos foi perceber que só ter boas ideias não é suficiente. "Valorizar apenas a sugestão do colaborador, sem focar na implementação, não condizia com a nossa visão", diz a diretora. Sem dinheiro e tempo reservados para testar as propostas, diz ela, muitos projetos promissores nunca saíam do papel. 

Por isso, a Odontoprev passou a destinar parte do orçamento para a execução dessas experiências, além de permitir que os funcionários busquem parcerias com startups quando precisam de tecnologia que não têm internamente.

Funcionários apresentam projetos à diretoria como se fosse um pitch de startup

Gabay explica que essa mudança gerou resultados concretos. Um dos projetos criou um robô com inteligência artificial que conversa com clientes inadimplentes pelo WhatsApp para negociar o pagamento em atraso. Outro desenvolveu uma forma de continuar oferecendo o plano odontológico a pessoas que perderam o emprego e, com isso, o benefício que tinham por meio da empresa. Um terceiro criou uma senha digital de atendimento pelo aplicativo, que tornou o processo de check-in no consultório mais rápido.

Nenhuma dessas soluções nasceu em uma reunião de diretoria. Todas partiram de funcionários que perceberam um problema no dia a dia de trabalho e tiveram um caminho para transformar a percepção em um projeto de verdade.

O papel dos executivos

Segundo Gabay, os programas só funcionam porque os executivos participam ativamente, e não apenas assinam embaixo. Antes de cada edição, a liderança da empresa ajuda a definir os problemas do negócio que serão o foco daquele ciclo. Gestores de todos os níveis são convocados a incentivar suas equipes a participar e diretores acompanham pessoalmente a apresentação final dos projetos, quando cada equipe expõe sua ideia como se fosse um pitch.

A empresa também trata a diversidade como uma exigência dos programas, não como um efeito colateral. Área de atuação, cargo, região do país e gênero entram como critérios para formar os grupos, na lógica de que ideias melhores surgem quando pessoas diferentes discutem o mesmo problema.

Oito anos depois do primeiro projeto, Gabay diz que o intraempreendedorismo deixou de ser um experimento e virou parte da forma como ela funciona. O próximo passo é um programa voltado a ideias mais ousadas. 

“Queremos trazer no próximo ano uma versão de programa que tenha como foco principal inovações disruptivas, um formato que permita aos nossos colaboradores sonharem e construírem o futuro não apenas de uma operadora odontológica, mas do segmento de saúde bucal como um todo”, diz Gabay.

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