Para o CEO do Airbnb, quem não adota o trabalho remoto está em desvantagem

Funcionários do Airbnb são incentivados pela empresa a trabalharem por três meses do ano nos 170 países onde a plataforma atua
"Se você limitar seu pool de talentos ao raio da comunidade, provavelmente estará em desvantagem", diz Brian Chesky, CEO e cofundador do Airbnb. (Getty Images/Michael Nagle/Bloomberg)
"Se você limitar seu pool de talentos ao raio da comunidade, provavelmente estará em desvantagem", diz Brian Chesky, CEO e cofundador do Airbnb. (Getty Images/Michael Nagle/Bloomberg)
Por Allan GavioliPublicado em 12/05/2022 16:12 | Última atualização em 13/05/2022 10:54Tempo de Leitura: 4 min de leitura

As novas políticas de trabalho inseriram o trabalho híbrido e remoto na vida da maior parte das empresas após a pandemia. Porém, esses novos modelos estão longe de uma unanimidade entre executivos e os próprios funcionários.

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Se por um lado temos casos como o do ex-CEO do Google Eric Schmidt, que se considera um "tradicionalista" e defende a volta total das pessoas aos escritórios, outros executivos não pensam assim.

Brian Chesky, CEO e cofundador do Airbnb, anunciou que os funcionários do Airbnb poderão trabalhar remotamente de qualquer lugar permanentemente. Através de um memorando enviado por e-mail aos mais de 6 mil funcionários da empresa, o executivo até ofereceu que os empregados trabalhem três meses por ano nos 170 países que a plataforma atua.

O plano do Airbnb não fica apenas na transição dos funcionários. De acordo com sua nova política, os salários da empresa nos EUA e no Canadá serão determinados pela função do cargo, em vez de baseados na localização do empregado.

“Ninguém fez o que fizemos”, disse ele à rede americana CNBC durante um evento do Airbnb. “Não inventamos o trabalho remoto, mas quase nenhuma empresa ofereceu esse modelo.”

Chesky, no entanto, estudou empresas de tecnologia mais jovens que adotaram o trabalho remoto muito antes da pandemia enquanto elaboravam a política do Airbnb. “Se você quer prever o futuro, não olha para grandes empresas ou empresas mais antigas – olha para empresas jovens, especialmente para a cultura [de trabalho]”, diz ele.

Ele compara o trabalho remoto à planta do escritório aberto, que não ganhou força até o início dos anos 2000, quando Google, Meta e outras empresas jovens do Vale do Silício popularizaram a tendência. Da mesma forma, acrescenta Chesky, empresas menores com 20 funcionários ou menos lideraram a mudança para o trabalho remoto.

Para o CEO, o modelo de trabalho de qualquer lugar do Airbnb não é apenas "inovador", diz Chesky, mas único na sua abordagem em relação aos salários, já que a maior parte das empresas que flexibilizaram os modelos de trabalho ainda possuem políticas que vinculam o pagamento dos funcionários às suas localizações.

Algumas das primeiras grandes empresas de tecnologia a adotar modelos de trabalho flexível, incluindo Facebook, Twitter, Microsoft e Google, disseram que suas políticas existentes – que estipulam que as pessoas que se mudam para um mercado mais barato podem ter um corte salarial – permanecerão em vigor.

Chesky chamou os salários baseados em localização de “um modelo desatualizado”, mas uma estrutura que as empresas provavelmente não eliminarão em breve por causa do “ônus administrativo” que vem com a revisão de uma estrutura de pagamento na qual os gerentes confiam há décadas. “A maioria das empresas, equipes de RH e equipes financeiras não querem lidar com isso”, diz ele.

“As pessoas mais talentosas não estão mais em São Francisco e não estão aqui em Nova York”, diz ele. “As pessoas mais talentosas estão em toda parte agora – e se eu precisar de engenheiros, designers, gerentes de produto ou profissionais de marketing, eles estão ficando tão distribuídos que, se você limitar seu pool de talentos ao raio da comunidade, provavelmente estará em desvantagem.”

“A maioria de nós descobriu que está em vantagem sendo mais flexível", finaliza o CEO.

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