Para essa COO, mulheres devem evitar este hábito nas reuniões

Gabriela Vargas, diretora da Zenvia, e mais quatro executivas dão conselhos para mulheres se destacarem no ambiente de trabalho

Quando surgiu uma vaga na Zenvia há mais de uma década para coordenadora de comunicação, a Gabriela Vargas indicou para seus amigos a posição que acreditava que não era para ela. Para sua surpresa, a indicação voltou e a recrutadora da vaga a chamou para uma entrevista.

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Foi assim que ela entrou na empresa onde hoje é COO, ou, em português, diretora de operações. A Zenvia foi fundada há 17 anos e hoje tem mais de 10.000 empresas que usam suas soluções de comunicação para atendimento de clientes.

E a nova diretora está com eles por 12 anos dessa história, passando por diversos cargos e áreas. Ela conta sua história no podcast da EXAME, o Como Cheguei Aqui.

“Eu trabalhava antes em uma grande multinacional e estava crescendo na carreira. Quando surgiu a oportunidade na Zenvia, acharam que eu era maluca de sair de uma empresa gigante e ir para uma onde eu seria a décima nona funcionária. Foi uma aposta em um sonho, sempre quis empreender e nunca tiva a possibilidade. Encontrei a oportunidade de empreender junto com os guris”, conta ela.

Na sua carreira, Vargas fala do privilégio de trabalhar em uma empresa em que a liderança feminina não é um tabu, mas lembra de momentos fora da sua bolha de respeito em que o gênero se tornou um obstáculo. “Nunca quis ser tratada diferente, eu sempre quis ser tratada igual. E encontrei aqui esse espaço”, fala ela.

Mesmo encontrando espaço dentro da Zenvia, um episódio marcou sua carreira quando ela precisou apresentar um projeto para um grupo fora da empresa. Embora ela fosse a responsável pela idealização do projeto, um colega precisou falar no seu lugar.

“Eu não tinha espaço, eles não me deixavam falar”, conta ela. “É um desaforo outra pessoa apresentar, fui eu que fiz! Fiquei muito furiosa. A gente foi, me deram todos os créditos, mas não tive o direito da voz”.

A diretora vê que existem vários olhares e opiniões mais sutis que prejudicam a mulher no ambiente de trabalho. Ela já ouviu conselhos sobre como deveria se portar ou se vestir para ser “levada a sério”.

No entanto, ela se recusa a subir no salto para encarar o papel de executiva quando dá conta das suas responsabilidades usando um tênis. Mais do que isso, ela está sempre atenta para quando outra mulher na equipe está segurando uma opinião ou perdendo sua voz.

“Muitas vezes estou na mesa de reunião e vejo uma mulher angustiada, o seu corpo mostra que está desconfortável. Você percebe que ela quer falar algo e não consegue. Quando vejo isso, eu faço a introdução: acho que a fulana quer falar algo pra gente. E quando ela começa a falar, ela começa como? ‘Desculpa, mas eu acho que...’. Eu nunca deixo uma fala dessas passar em branco”, diz.

A diretora chama a pessoa para uma conversa depois e dá o toque: pare de pedir desculpas. “Não peça desculpa por ter opinião, por pensar diferente, por ter uma ideia. E, por vezes, uma ideia melhor do que a de quem está falando. Só começa a falar".

Dicas para encontrar sua voz

A Todas Group, plataforma de mentoria para mulheres, fez uma pesquisa com sua base de 2 mil profissionais e descobriu que quase metade delas tem medo de se posicionar para não serem julgadas. E 80% delas responderam que não se sentem ouvidas pelo chefe. 

Segundo Tati Sadala, cofundadora do Todas Group, as mulheres, em especial as mães, sentem a dificuldade de se posicionar no trabalho e ainda estão exaustas com a sobrecarga de responsabilidades. 

“O prejuízo pode ser enorme e vai além dos impactos na carreira das mulheres. Uma pesquisa realizada pela Mckinsey mostra que empresas com diversidade de gênero tendem a obter 21% de lucro a mais do que as que negligenciam este tema. Não garantir ambientes inclusivos onde todos sintam convidados a participar e contribuir empobrece times, ideias inovadoras, e consequentemente, resultados”, comenta ela. 

As mentoras do Todas deram quatro dicas para as profissionais conseguirem fazer com que suas opiniões sejam ouvidas: 

1. Paloma Azulay, CMO Global da Popeyes 

“Vejo uma oportunidade clara de encarar o problema de frente e ter conversas honestas sobre o problema em questão. Nessas conversas, sugiro levar exemplos concretos que exemplificam a diferença de comportamento de um líder com uma pessoa e com outra. A maioria das mulheres tendem a se calar.”  

2. Adriana Costa, diretora e membro do conselho da Johnson & Johnson: 

“Além de se posicionar e não retrair frente a restrição de espaço e insistir em colocar suas ideias e opiniões, é importante encontrar aliados e formar parcerias, mapear quem são seus influenciadores, detratores, conciliadores dentro da corporação, flexibilizando e adaptando a comunicação para atingir seu objetivo. Por fim, e não menos importante, manter sempre a autenticidade. Normalmente quando a voz não é ouvida, pode haver uma tendência de querer seguir um estilo predominante e se anular.”  

3. Roberta Antunes, empreendedora, sócia e Head of Growth da Hashdex, e Conselheira do Todas: 

“Normalmente sou a primeira a falar o que acredito e se acho que não estou contribuindo o suficiente, que não estou sendo ouvida, não quero ficar nessa situação. Então, se você se posicionar e ainda assim, nada mudar naquela organização, meu convite é refletir se quer continuar neste espaço. O posicionamento te trará respostas por parte da empresa para você tomar a sua decisão de ficar ou sair”.  

4. Flavia Mello, uma das investidoras do Todas: 

“Acredito que precisamos começar a direcionar essa responsabilidade para os gestores e colegas que devem atuar nas situações onde existe alguma forma de desrespeito, ainda que inconsciente. Meu convite é para que não permitam que mulheres sejam interrompidas ao expressar seu pensamento, não deixem que alguém se aproprie de uma ideia ou colocação e principalmente não tolerem comentários e piadas sexistas em salas de reunião e escritórios. Essas três atitudes já representam um enorme avanço para as culturas corporativas” 

 

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