Castelo Torre de Belem, Lisboa, Portugal: Mais de 5 milhões de brasileiros vivem no exterior. Portugal aparece como o segundo país que mais atrai brasileiros, com 574 mil (Leandro Fonseca/Exame)
Repórter
Publicado em 11 de agosto de 2026 às 06h01.
A Suíça, os Emirados Árabes Unidos e Portugal oferecem os programas de residência por investimento mais bem avaliados do mundo em 2026, segundo levantamento da consultoria internacional Global Citizen Solutions.
O Índice Global de Programas de Residência 2026 avaliou 48 programas em 46 jurisdições, considerando cinco critérios:
A liderança ficou com o programa de residência fiscal de montante fixo (conhecido como lump-sum taxation) da Suíça, que alcançou 91,9 pontos. Na sequência aparecem o Golden Visa dos Emirados Árabes Unidos, com 91,5 pontos, e o Golden Visa de Portugal, com 91,3 pontos.
O resultado ganha relevância para brasileiros em um momento de aumento da população que vive fora do país. Segundo dados do Ministério das Relações Exteriores citados pelo estudo, 5,29 milhões de brasileiros vivem no exterior. Os Estados Unidos concentram a maior comunidade, com 2,06 milhões, enquanto Portugal aparece na segunda posição, com 574 mil.
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New Yorque - USA: o país concentra a maior comunidade de brasileiros, com 2,06 milhões (Leandro Fonseca/Exame)
O ranking apresentado na primeira página do estudo mostra que países europeus dominam as primeiras posições. Portugal é o único país a aparecer duas vezes entre os dez primeiros, com o Golden Visa e o visto D2, direcionado a empreendedores.
O top 10 é formado por:
A composição também mostra que não existe apenas um modelo vencedor. Entre os 10 primeiros colocados, 6 são golden visas e quatro são programas voltados a investidores ativos ou empreendedores.
A Oceania, apesar de ter apenas dois representantes em posições de destaque, registra a maior média regional do levantamento, de 88,6 pontos. A Nova Zelândia ocupa a 6ª posição, enquanto a Austrália aparece em 13º lugar.
Vista aérea de Zurique: a infraestrutura e o apoio à inovação atraem empresas brasileiras para a Suíça (AleksandarGeorgiev/Getty Images)
Para os brasileiros, Portugal ganha relevância não apenas pela proximidade cultural e linguística, mas pela variedade de caminhos oferecidos.
Além do Golden Visa, terceiro colocado no ranking (que serve como autorização de residência voltada a quem realiza determinadas modalidades de investimento), o país aparece em sétimo com o visto D2, destinado a empreendedores. O estudo aponta justamente o D2 português e o programa de Singapura entre as alternativas para quem pretende combinar mudança de país e atividade empresarial.
Portugal também já abriga uma das maiores comunidades brasileiras do exterior. São 574.195 brasileiros, segundo os dados do Itamaraty reproduzidos pelo levantamento. O número fica atrás apenas dos Estados Unidos, onde vivem pouco mais de 2 milhões de brasileiros.
Outros países presentes no top 10 também possuem comunidades brasileiras relevantes. A Itália reúne cerca de 159,2 mil brasileiros, enquanto a Suíça soma aproximadamente 88 mil, divididos principalmente entre Zurique e Genebra. Luxemburgo tem cerca de 10 mil e a Grécia, 4 mil.
O levantamento mostra que o valor necessário para conseguir a residência não é o único fator levado em consideração.
A nota final vai de zero a 100 e é calculada a partir de cinco pilares. Qualidade de vida e procedimento têm o maior peso, com 30% cada. Mobilidade representa outros 20%, enquanto investimento e conformidade e credibilidade respondem por 10% cada.
Isso ajuda a explicar por que destinos com propostas bastante diferentes aparecem próximos no ranking.
Os Emirados Árabes Unidos, por exemplo, obtiveram a maior pontuação no quesito investimento entre os três líderes, com 99,3 pontos. Já países como Canadá, Austrália e Nova Zelândia se destacam em qualidade de vida. Portugal, por sua vez, ganha relevância por fatores como segurança e clima favorável, segundo o relatório.
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Embora os Estados Unidos sejam o principal destino dos brasileiros que vivem no exterior, seus dois programas avaliados ficaram fora das dez primeiras posições.
O EB-5, programa voltado a investidores imigrantes, recebeu 83,9 pontos, enquanto o E-2, destinado a investidores de países que mantêm tratado específico com os Estados Unidos, alcançou 82,6 pontos. Ambos ficaram abaixo dos programas que formam o top 10.
Nas Américas, o melhor desempenho foi do Canadá. As rotas provinciais e de investidor de Quebec colocaram o país na décima posição, com 88,6 pontos, além de notas elevadas em qualidade de vida.
Brasil, México, Panamá, Costa Rica, Paraguai e República Dominicana também aparecem como países que oferecem alternativas de residência com custos menores e processos mais rápidos, mas nenhum deles alcançou o grupo de maior pontuação global.
Montréal, Canadá: As rotas provinciais e de investidor de Quebec colocaram o país na décima posição, com 88,6 pontos, além de notas elevadas em qualidade de vida (DenisTangneyJr/Getty Images)
Outro movimento identificado pelo estudo é a transformação dos chamados golden visas. Durante anos, diversos programas estiveram fortemente ligados à compra de imóveis. Esse modelo vem perdendo espaço.
Portugal retirou o investimento imobiliário das modalidades elegíveis de seu Golden Visa em outubro de 2023. A Grécia elevou, em 2024, o valor mínimo de propriedades elegíveis em determinadas modalidades, enquanto a Espanha encerrou definitivamente seu Golden Visa em abril de 2025.
No lugar da compra passiva de imóveis, ganham espaço fundos de investimento, participação em empresas, empreendedorismo e criação de empregos.
Em Portugal, por exemplo, parte dos investimentos elegíveis passa por fundos de venture capital e private equity regulados pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Singapura e Nova Zelândia também direcionam recursos para fundos e empresas em crescimento.
Apesar da mudança, os golden visas ainda representam a maior parte do mercado: são 34 dos 48 programas analisados, ante 14 vistos voltados a investidores ativos e empreendedores, conforme o gráfico apresentado pelo estudo.
“O capital passivo construiu a indústria da migração por investimento, mas o capital voltado à contribuição definirá o seu futuro”, afirma Laura Madrid, pesquisadora-chefe da Global Intelligence Unit da Global Citizen Solutions.
Segundo ela, um número crescente de países está migrando para investimentos mais ativos e vistos de empreendedorismo ligados diretamente ao desenvolvimento econômico.
Para Patricia Casaburi, CEO e fundadora da Global Citizen Solutions, os programas mais bem posicionados já não são necessariamente aqueles com menor barreira financeira.
“Os programas com melhor pontuação em 2026 são aqueles que conseguem comprovar uma contribuição econômica genuína e resistir ao escrutínio, não apenas aqueles com o menor custo de entrada”, afirma.
O cenário sugere uma mudança no próprio conceito de residência por investimento: mais do que comprar um ativo para obter o direito de morar em outro país, governos estão buscando atrair capital capaz de financiar empresas, gerar empregos e produzir impacto econômico local.