O que aprendi com Steve Jobs

Brasileiros que trabalharam na Apple contam como a proximidade com o fundador da empresa, falecido em outubro, mudou suas carreiras

	Steve Jobs, cofundador da Apple
 (Justin Sullivan/Getty Images)
Steve Jobs, cofundador da Apple (Justin Sullivan/Getty Images)
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Murilo OhlPublicado em 25/03/2013 às 09:24.

São Paulo - "Tive contatos com Steve Jobs durante encontros anuais de funcionários, nos quais ele fazia apresentações para meu grupo. Apesar de ser uma grande empresa, sempre tive a sensação de que Steve era uma pessoa muito próxima, dada a presença constante dele nos eventos.

O que sempre me impressionou era a capacidade que ele tinha de transmitir a estratégia da companhia de forma simples e objetiva. Essa forma de agir acaba passando para o estilo gerencial da organização toda. Ele exigia muito, falava claramente o que queria, sem dar voltas.

Esse foco na simplicidade sem dúvida foi uma das lições que eu tirei dos 11 anos que passei na Apple. Outra coisa que você aprende quando trabalha lá é a dizer “não” e a argumentar com motivos claros.” Marinaldo Neves de Azevedo, gerente de contabilidade e finanças da Nextel, em São Paulo, foi gerente de operações de canais e controller da Apple América Latina, nos Estados Unidos, de 1999 a 2011

"O que mais me encantou foi que, apesar de uma empresa gigante em termos de receita e número de funcionários, o empreendedorismo está muito presente no dia a dia de trabalho. As lideranças da Apple estimulam constantemente que novos projetos saiam do papel, sem burocracia ou politicagem, e que seus funcionários entreguem além do escopo.

Esse fato, sem dúvida, reflete a visão e o modelo de gestão de Steve Jobs. Tive a oportunidade de estar com Steve mais de uma vez, e impressionava sua capacidade de síntese, objetividade e baixa tolerância para a incompetência. Comentários não inteligentes ou perguntas inadequadas nunca recebiam a atenção dele.

Por ser muito admirada, a Apple tem funcionários de alta qualidade, o que faz a companhia estar constantemente ‘elevando a barra’ nas práticas de gestão. É um verdadeiro orgulho ter vivido uma experiência profissional na Apple durante a era Jobs.” Pedro Sirotski Melzer, sócio da Warehouse Investments, de São Paulo, foi  gerente mundial de receitas da loja online da Apple em Cupertino, nos Estados Unidos. 

"Uma coisa que aprendi na Apple foi a priorizar. A empresa possui vários projetos, mas eles dão mais importância àqueles que trarão resultado em grande escala. Isso é algo que busco em meu dia a dia. Aos olhos do consumidor, parece que os produtos são a base de todo o sucesso da organização. Mas, de dentro, pude perceber que, além dos produtos, os processos são outro alicerce.

As ações são implementadas da mesma maneira em todo o mundo. Isso dá a sensação de trabalhar numa empresa pequena, mesmo estando numa corporação que fatura 100 bilhões de dólares. A figura de Steve Jobs é muito valorizada. Havia grande respeito e admiração. E, dentro da Apple, a admiração não era apenas por Steve, mas por toda a liderança.” Silvio Bandini, executivo de finanças da Husqvarna, em São Paulo, foi CFO (líder da área financeira) da Apple Brasil de 2008 a 2010