Mesmo quando não há controle sobre as circunstâncias, ainda existe a liberdade de escolher a própria atitude
Redação Exame
Publicado em 18 de maio de 2026 às 05h00.
Em momentos de extrema dificuldade, a busca por motivação pode parecer uma tarefa impossível. No entanto, a trajetória do psiquiatra austríaco Viktor Frankl oferece uma perspectiva distinta sobre a resistência humana.
Sobrevivente de quatro campos de concentração durante o Holocausto, Frankl transformou o sofrimento em uma base teórica que tem ajudado pessoas a encontrarem propósito mesmo nas situações mais adversas.
O pensamento do psiquiatra, detalhado em sua obra Em busca de sentido, estabelece que, embora não exista controle sobre o que acontece — como perdas, crises econômicas ou doenças —, a capacidade de decidir como reagir a esses eventos ainda é uma decisão particular. Isso é definido por Frankl como "a última das liberdades humanas".
Diferente de correntes da psicologia que focam na busca pelo prazer ou pelo poder, a teoria de Frankl, chamada de logoterapia, sustenta que o principal impulso do ser humano é a "vontade de sentido", em outras palavras, saber o motivo.
De acordo com essa visão, a ausência de um propósito claro pode levar a um estado de desânimo profundo. Para Frankl, o sentido da vida não é algo abstrato ou igual para todos, mas uma descoberta individual que pode ser encontrada em três pilares fundamentais:
Desenvolver inteligência emocional é uma forma de transformar reação em consciência — especialmente nos momentos em que o contexto exige clareza e equilíbrio1. No trabalho ou na criação: ao realizar uma tarefa ou produzir algo que tenha valor.
2. No amor e na experiência: ao vivenciar algo belo, como a arte e a natureza, ou ao dedicar-se a outra pessoa.
3. Na atitude perante o sofrimento: ao encontrar uma razão para suportar uma dor que não pode ser evitada, transformando a tragédia em uma vitória pessoal.
Um dos conceitos centrais da logoterapia é a inversão da pergunta comum sobre o que se espera da existência.
Para Frankl, não cabe ao indivíduo questionar qual é o sentido da vida, mas sim entender que a própria vida o questiona a cada momento. A resposta, portanto, é dada através da responsabilidade e das ações tomadas no presente.
Ao adotar essa postura, a automotivação deixa de ser um sentimento passageiro e se torna uma decisão consciente. Mesmo diante de limitações severas, a preservação da dignidade e a escolha de uma atitude positiva permitem que a pessoa continue a crescer e a evoluir, independentemente das pressões do ambiente externo.
A ideia de que é possível escolher a própria atitude diante das circunstâncias também ajuda a explicar por que a inteligência emocional se tornou uma competência relevante. Em ambientes marcados por pressão, frustração e mudanças constantes, reconhecer as próprias emoções e lidar com elas de forma produtiva pode ser decisivo para manter clareza, responsabilidade e capacidade de ação.
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