Natal (RN): A capital potiguar lidera o ranking graças ao avanço do turismo e da energia renovável (Leandro Fonseca/Exame)
Repórter
Publicado em 22 de julho de 2026 às 15h17.
Se por muito tempo São Paulo e Rio de Janeiro concentraram as principais oportunidades de emprego do país, um novo mapa da carreira começa a ganhar forma. Um levantamento do LinkedIn, divulgado nesta quarta-feira, 22, mostra que as oportunidades de trabalho estão crescendo em cidades médias, impulsionadas por setores como tecnologia, energia renovável, logística, turismo e agronegócio.
A primeira edição da lista Cidades em Alta, elaborada pela plataforma, reúne os dez municípios brasileiros onde o mercado de trabalho mais ganhou força. O ranking considera três indicadores: crescimento das contratações, aumento da demanda por empregos e chegada de novos profissionais. A análise inclui apenas regiões metropolitanas com menos de 2 milhões de usuários da rede profissional.
No topo da lista aparece:
Também figuram entre as cidades em destaque Vitória (ES), Manaus (AM), Ribeirão Preto (SP), João Pessoa (PB) e Cuiabá (MT).
Segundo o LinkedIn, o levantamento mostra que novas oportunidades de carreira estão surgindo longe dos grandes centros tradicionais, acompanhando investimentos em polos tecnológicos, expansão da indústria, crescimento do agronegócio e desenvolvimento da infraestrutura regional.
"O mercado de trabalho brasileiro está se tornando cada vez mais distribuído. Oportunidades de carreira, inovação e desenvolvimento econômico já não se concentram apenas nos grandes centros do eixo sul-sudeste”, afirma Rafael Kato, Head Editorial do LinkedIn para Mercados de Língua não-inglesa, que pode ser utilizado na cobertura.
Com a lista Cidades em Alta 2026, Kato afirma que a plataforma quer mostrar, a partir de dados do próprio LinkedIn, onde esse dinamismo está acontecendo e ajudar profissionais a descobrirem novos polos de crescimento.
“Com o levantamento, as empresas também poderão entender melhor como o talento está se movimentando pelo país”, diz o executivo.
Porto Digital de Recife, Pernambuco: um dos celeiros brasileiros de startups (WikimediaCommons/Américo Nunes/Wikimedia Commons)
Completam o ranking Vitória (ES), impulsionada pela logística portuária; Manaus (AM), com o dinamismo da Zona Franca; Ribeirão Preto (SP), fortalecida pelo agronegócio; João Pessoa (PB), com expansão do turismo e dos serviços; e Cuiabá (MT), beneficiada pelo crescimento da agroindústria e da logística.
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O avanço dessas cidades acompanha uma mudança de comportamento dos profissionais brasileiros.
Se durante muitos anos o discurso dominante defendia que o trabalho deveria ser fonte de prazer, identidade e autorrealização, a pesquisa Carreira dos Sonhos 2025, da Cia de Talentos, mostra uma transformação estrutural.
"Os dados mostram que o trabalho deixou de ser a principal fonte de prazer, identidade e realização e passou a ser um meio, não mais um fim", afirma Danilca Galdini, sócia-diretora de Pessoas & Cultura e Insights da Cia de Talentos.
Segundo a executiva, hoje o emprego é visto como uma ferramenta para garantir estabilidade financeira, bem-estar, flexibilidade e autonomia.
"O foco não está em 'amar o trabalho', mas em trabalhar de forma sustentável para viver bem", diz.
Na prática, essa mudança ajuda a explicar por que cidades fora dos grandes centros vêm ganhando espaço na decisão dos profissionais. Mais do que salários elevados, fatores como custo de vida, mobilidade, tempo de deslocamento e qualidade de vida passaram a ter peso crescente na escolha de onde morar e trabalhar.
A própria pesquisa do LinkedIn reforça essa tendência. Segundo a plataforma, 75% dos brasileiros afirmam trabalhar para viver, e não viver para trabalhar. Entre 2024 e 2026, também diminuiu o número de profissionais que continuam conectados ao trabalho durante as folgas e daqueles que se sentem culpados por se desconectar.
Para Thais de M. Gameiro Marques, neurocientista especializada em neurobiologia do estresse e bem-estar, a mudança reflete uma maior preocupação com a saúde mental.
"A ausência de descanso tem gerado insônia, irritabilidade, adoecimento físico e mental, esgotamento e isolamento social. As pessoas passaram a entender que a busca pela desconexão não é um capricho, mas uma estratégia de sobrevivência", afirma.
Nesse cenário, o crescimento de cidades médias deixa de representar apenas uma mudança geográfica do mercado de trabalho e passa a refletir uma transformação nas prioridades profissionais. Em vez de concentrar oportunidades exclusivamente nas maiores capitais, empresas e trabalhadores parecem convergir para um modelo em que carreira e qualidade de vida caminham juntas.