Vivianne Cunha Valente, CFO da Rede Américas
Redatora
Publicado em 8 de julho de 2026 às 18h01.
A trajetória de Vivianne Cunha Valente sempre esteve ligada a finanças, estratégia e transformação de negócios. Hoje CFO da Rede Américas, segunda maior rede de hospitais do Brasil, a executiva acumula mais de duas décadas de experiência em posições de liderança, com passagens por empresas como Ambev, Grupo Ultra e Tigre.
Nos últimos anos, no entanto, sua busca de desenvolvimento passou a ir além do repertório técnico. Depois de quase dez anos na Tigre, onde participou de ciclos de expansão, aquisições, entrada de investidor e decisões de alta complexidade, Vivianne começou a olhar para outro tipo de competência: a capacidade de sustentar decisões em ambientes ambíguos, com mais consciência sobre pessoas, contexto e comportamento.
Foi nesse momento que ela decidiu fazer o SEER, Programa Avançado para CEOs, Conselheiros e Acionistas da Saint Paul Escola de Negócios, voltado a líderes que atuam em contextos de alta responsabilidade e precisam ampliar sua forma de interpretar cenários.
Vivianne deixou a Tigre em um momento de transição pessoal e profissional. Ao mesmo tempo em que encerrava um ciclo de quase uma década como CFO, descobria que seria avó. A chegada do neto, segundo ela, reforçou uma fase mais reflexiva e de maturidade.
“Eu estava querendo descobrir novos talentos e novas aptidões dentro de mim”, afirma. A experiência recente em conselhos e em decisões estratégicas fez com que ela percebesse que, em determinado nível de liderança, o desafio já não estava apenas no domínio técnico.
Segundo Vivianne, os últimos anos exigiram dela muito mais no campo comportamental, de autoconsciência executiva e reflexão, do que no conteúdo instrumental. Foi nesse contexto que ela buscou duas formações: o SEER, na Saint Paul, e um programa executivo na London Business School.
Ambos, diz ela, dialogavam com a mesma necessidade: desenvolver uma liderança mais consciente, capaz de tomar decisões sem depender apenas de ferramentas, indicadores e modelos racionais.
Para Vivianne, uma das principais qualidades do SEER é justamente a dificuldade de enquadrá-lo em uma definição simples.
“O curso mistura filosofia, neurociência, inteligência artificial, inovação e arte. É difícil encaixar isso em um conceito pré-concebido”, diz.
Essa característica, para ela, conversa diretamente com o mundo atual, em que as organizações enfrentam problemas cada vez menos lineares. Em cenários de alta complexidade, decisões relevantes raramente cabem em respostas prontas ou em análises puramente técnicas.
Entre os pontos que mais marcaram a executiva, estão as aulas do professor José Ernesto Bologna, voltadas a temas complexos ligados à filosofia e à governança. Vivianne destaca que as aulas não usaram “um slide de PowerPoint sequer”: eram baseadas em conteúdo, reflexão e diálogo.
A experiência ganhou ainda mais força no módulo em Ouro Preto, que conectou arte, estética, filosofia e o impacto de novas tecnologias, como a mineração, no Brasil Colônia. Para ela, a imersão traduziu na prática uma das principais mensagens do programa: o mundo não é óbvio.
Vivianne Cunha Valente, CFO da Rede Américas
O SEER parte dessa premissa. A formação propõe ampliar a visão de CEOs, conselheiros e acionistas sobre a tomada de decisão, conectando repertórios como filosofia, subjetividade, governança, neurociência, inteligência artificial e leitura de contexto.
Para Vivianne, essa combinação ajuda líderes a se desprenderem de modelos rígidos de interpretação.
Embora o programa dialogue com temas contemporâneos, como inteligência artificial e inovação, Vivianne destaca que um dos aprendizados mais marcantes veio do resgate do pensamento clássico.
Para ela, pode parecer paradoxal, mas a filosofia antiga se tornou ainda mais relevante em um mundo pós-moderno. O motivo é simples: por mais que ferramentas, dados e tecnologia avancem, o centro das decisões continua sendo humano.
“O maior desafio do mundo continua sendo o ser humano”, diz.
Na visão da executiva, quanto mais o conhecimento instrumental se torna acessível e democratizado, mais relevante se torna a capacidade de compreender comportamento, emoções, subjetividade e relações humanas.
É nesse ponto que a formação executiva, segundo ela, precisa evoluir. Não basta preparar líderes para dominar indicadores, estruturar planos ou analisar cenários. É preciso formar pessoas capazes de interpretar as camadas humanas que influenciam decisões, conflitos, culturas e transformações organizacionais.
Na avaliação de Vivianne, o SEER se conecta a uma mudança mais ampla no papel de CEOs, conselheiros e executivos seniores. Em um mundo em que o conhecimento técnico se torna cada vez mais disponível, o diferencial da liderança passa a estar na qualidade do julgamento.
Isso envolve saber interpretar contextos, lidar com ambiguidades, compreender pessoas, reconhecer vieses e tomar decisões que não dependem apenas de dados, mas também de consciência sobre impacto e responsabilidade.
Para ela, programas como o SEER ajudam executivos a se tornarem líderes, conselheiros e pessoas melhores ao conectar filosofia, neurociência, arte e tecnologia.
A conclusão é que a liderança de alto impacto não se limita à execução. Ela exige repertório, presença e capacidade de sustentar decisões em cenários nos quais nem sempre há uma resposta óbvia.
Em um ambiente corporativo cada vez mais complexo, a pergunta central deixa de ser apenas como decidir melhor. Passa a ser também quem o líder precisa se tornar para decidir melhor.