Ser 'zen' não significa maturidade emocional | Freepik
Estagiária
Publicado em 16 de março de 2026 às 16h40.
No imaginário popular, pessoas emocionalmente inteligentes seriam aquelas que nunca se irritam, que evitam embates a qualquer custo e que mantêm uma postura constantemente serena, descritas como alguém “evoluído”.
Mas um estudo publicado na Plos One vai na contramão dessa definição. Segundo o levantamento, quem tem a capacidade de regular emoções reconhece sentimento, compreende suas causas e sabe como agir a partir deles.
“Habilidades de IE [inteligência emocional] mais elevadas estavam associadas a um maior uso de estratégias de reavaliação cognitiva e a um menor uso de estratégias de supressão expressiva para a regulação das emoções.”, diz o estudo.
Uma pessoa emocionalmente madura é aquela que sabe quando e como reagir. Em outras palavras: é alguém que sabe se posicionar.
Isso pode significar discordar, colocar limites, expressar incômodos ou defender um ponto de vista. Em muitos contextos, evitar qualquer confronto não é sinal de equilíbrio, mas, na verdade, pode ser apenas medo do conflito.
Outro mito comum é associar emoções consideradas “negativas” à falta de controle emocional. Emoções como raiva, frustração ou tristeza fazem parte da vida e sinalizam limites ultrapassados, expectativas quebradas ou necessidades não atendidas.
Especialistas afirmam que não há problema em sentir essas emoções, o problema é não saber o que fazer com elas. Para eles, inteligência emocional não consiste em suprimir sentimentos, mas em reconhecê-los sem ser dominado por eles.
Existe também uma romantização da figura da pessoa que parece estar sempre calma. Quase como se maturidade emocional fosse alcançar um estado permanente de serenidade diante de qualquer situação.
E isso é mais do que uma opinião. Os pesquisadores relatam que existe uma relação entre inteligência emocional e a capacidade de lidar com as emoções. Essas pessoas tendem a observar mais seus sentimentos e não omitir emoções.
Ter inteligência emocional não impede de que sintam frustrações em alguns momentos. A diferença está em como processar essas emoções e nas escolhas que faz a partir delas. Especialistas dizem que regular emoções não é o mesmo que apagá-las, mas é saber pausar antes de reagir impulsivamente.
Em ambientes profissionais cada vez mais exigentes, a capacidade de lidar com pressão, administrar frustrações e manter o equilíbrio diante de desafios influencia diretamente a qualidade das decisões, das relações e dos resultados.
Profissionais que desenvolvem inteligência emocional conseguem manter o foco em momentos difíceis, lidar melhor com feedbacks, resolver conflitos e se automotivar mesmo diante de adversidades — habilidades cada vez mais valorizadas por empresas e lideranças.
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