Carreira

‘O maior risco da IA não é substituir, é fazer você parar de pensar’, diz especialista

O clube CHRO deste mês destacou os temas do SWSW 2026 voltados ao RH. Os executivos Adriano Lima e Dilma Campos comentam os impactos da tecnologia no futuro do trabalho

O clube CHRO, da EXAME, reúne mensalmente lideranças de RH para discutir os desafios humanos na era da inteligência artificial (Eduardo Frazão/Exame/Divulgação)

O clube CHRO, da EXAME, reúne mensalmente lideranças de RH para discutir os desafios humanos na era da inteligência artificial (Eduardo Frazão/Exame/Divulgação)

Publicado em 29 de março de 2026 às 17h22.

Última atualização em 30 de março de 2026 às 11h19.

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Neste ano, no SXSW 2026, um dos maiores eventos de tendências tecnológicas do mundo, realizado nos Estados Unidos, falou sim sobre tecnologia, mas com um olhar diferente. Neste ano foi menos sobre como a tecnologia funciona e mais sobre os impactos que ela pode causar nas pessoas – inclusive no mercado de trabalho.

Para discutir as novidades do evento para o RH, o Clube CHRO deste mês, evento promovido pela EXAME, com patrocínio da Alelo e da Elofy, reuniu C-Levels do setor no restaurante Varanda, em São Paulo, em um jantar especial.

No encontro, um painel foi realizado com a participação de Adriano Lima, ex-CHRO, palestrante, mentor e embaixador do clube, e Dilma Campos, especialista em ESG e fundadora da ‘Nossa Praia’.

“A pergunta deixou de ser o que a tecnologia pode fazer e passou a ser: o que ela está fazendo com a gente?”, disse Lima.

Veja também: Como a IA ajuda empresas a cumprir a NR-1 e reduzir afastamentos por saúde mental

Clube CHRO realizado em março, em São Paulo. O tema foi o SXSW 2026 e teve os empresários Adriano Lima e Dilma Campos como os palestrantes (Eduardo Frazão/Exame/Divulgação)

IA, cognição e o risco de “deixar de pensar”

Um dos principais pontos do debate foi o impacto da inteligência artificial sobre o comportamento humano, especialmente entre jovens profissionais.

Campos trouxe uma reflexão que marcou o encontro: o risco de uma “atrofia cognitiva” diante do uso excessivo da tecnologia.

“Hoje as pessoas usam inteligência artificial até para mandar um WhatsApp. A gente está delegando tudo, inclusive o pensamento”, afirmou.

Ela destacou que esse movimento já afeta processos seletivos, em que candidatos utilizam IA em todas as etapas, do currículo às respostas, o que pode comprometer a autenticidade e o desenvolvimento profissional.

“Estamos deixando uma juventude escapar”, disse.

Na mesma linha, Lima ampliou o alerta: o problema não é apenas deixar de pensar, mas deixar de questionar.

“O risco não é só a gente parar de pensar. É parar de questionar, porque a tecnologia valida tudo o tempo inteiro”, afirmou.

Veja também: O RH com visão de CEO: o futuro do setor cada vez mais estratégico

O novo papel do RH: “arquiteto do contexto”

Outro conceito central discutido no encontro foi o papel do RH como “arquiteto do contexto”, uma função que ganha relevância em um mundo cada vez mais incerto e dinâmico.

Segundo Campos, o modelo tradicional de planejamento já não é suficiente.

“Ser arquiteto do contexto é fazer a estrutura acompanhar a estratégia, e não o contrário. Os times vão mudar, as carreiras vão mudar e tudo vai ser mais fluido”, disse.

Ela destacou que as empresas precisarão montar equipes de forma muito mais ágil, com especialistas sendo acionados conforme a demanda (os C-levels as a service)

“Você pode ter duas horas para encontrar um profissional para um projeto. E, quando ele termina, esse profissional pode sair. Essa é a nova lógica”, disse.

SXSW 2026: mais humano do que tecnológico

Apesar do avanço tecnológico, um dos principais aprendizados do SXSW 2026, evento citado pelos participantes, foi o resgate do fator humano.

Lima destacou que, entre os principais temas do evento, a maioria estava ligada a questões humanas, como conexão, comunidade e inteligência social.

“A gente não passou de fase ainda na inteligência emocional, mas já quer avançar só na inteligência artificial”, afirmou.

Para ele, o momento exige equilíbrio: dominar a tecnologia sem perder habilidades essencialmente humanas, como julgamento, criatividade e senso crítico.

Um espaço para troca, e inquietação

O Clube CHRO reforçou seu papel como um espaço de troca entre lideranças, mas também de provocação.

Ao longo do encontro, ficou claro que o futuro do trabalho não será definido apenas por avanços tecnológicos, mas pela capacidade das empresas de preservar e desenvolver o que há de mais humano em suas organizações.

Como resumiu Campos: “A gente não sabe exatamente o que vai ser amanhã. E essa é a grande conclusão, e, talvez, o maior desafio também.”

Veja também: ‘Você trabalha de casa, mas não cresce de casa’, diz CEO sobre home office

O evento contou com a presença de nomes de peso no cenário corporativo brasileiro, com representantes de empresas como:

  • Alelo
  • Alice
  • Banco ABC
  • Biosphera
  • Bridgestone Americas
  • BTG Pactual
  • CIATC
  • Concrejato Engenharia
  • Cury Construtora
  • Dengo
  • Direcional Engenharia
  • Elofy by Zucchetti
  • Embraer
  • Eurofarma
  • Exame
  • Extreme Group
  • Eztec
  • Hypera
  • ICS
  • Numen IT
  • Oitchau
  • Sem Parar Corpay
  • We Capital
  • Wellhub
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