Carreira

Na Haleon, a Sr HR Director defende um gerenciamento de talentos sem atalhos

Marta Martins, Sr HR Director de Quality & Supply Chain Latam, acredita que o verdadeiro legado de um líder não está apenas nos resultados que entrega mas nas pessoas que ajuda a desenvolver ao longo do caminho

Marta Martins, Sr HR Director de Quality & Supply Chain Latam

Marta Martins, Sr HR Director de Quality & Supply Chain Latam

Publicado em 14 de agosto de 2026 às 05h41.

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"Eu sou a Marta, sou mãe da Isabella e casada com André. Sou uma pessoa apaixonada por pessoas." É assim que Marta Martins se apresenta antes de qualquer menção a cargo, empresa ou currículo.

Diretora sênior de RH para as áreas de Qualidade e Supply Chain da Haleon na América Latina, ela diz sentir prazer em ver profissionais crescerem. “O que mais me realiza é perceber que continuo fazendo parte da histórias dessas pessoas. Muitas me procuram anos depois para pedir uma opinião, compartilhar uma decisão importante ou simplesmente contar como estão.”

Formada em administração, com certificações em coaching com neurociência e coaching ontológico, Marta começou a carreira na área de logística. 

Não se adaptou. Migrou para recursos humanos "muito por acaso", segundo ela, depois de um caminho que passou antes pela sala de aula: largou a logística para ser professora.

Um problema na voz, uma virada de carreira

Foi um problema nas cordas vocais que a levou a trocar de profissão outra vez. "Quando comecei a ter problemas nas cordas vocais percebi que era hora de buscar um novo caminho”, relembra. 

Para ela, RH tem um trabalho parecido com o de professor: compreender como cada pessoa aprende, se desenvolve e a partir dai criar as condições para que ela alcance seu melhor potencial. 

A trajetória seguinte se estendeu por quase três décadas dentro do mesmo grupo empresarial. Marta entrou na GSK em 1997 como analista de RH e passou por posições como coordenadora de RH, coordenadora de desenvolvimento organizacional para América Latina e Caribe, e gerente de aprendizado e desenvolvimento organizacional. 

Em 2010, assumiu a liderança de RH para o negócio de saúde de consumo da GSK no Brasil, cargo que ocupou até 2015. Na sequência, tornou-se líder de RH para Supply Chain e Comercial na América Latina, posição que manteve até 2022.

Marta Martins, Sr HR Director de Quality & Supply Chain Latam

Foi nesse ano que migrou para a Haleon, companhia formada a partir do negócio de saúde de consumo da GSK, onde assumiu a posição de HR Director LATAM. Desde maio de 2026, ocupa o cargo de Sr HR Director Quality & Supply Chain, atuando como conselheira estratégica para lideranças seniores em ambientes regulados e complexos na América Latina.

O que falta no Talent Management

Para Marta, avaliar performance e potencial não é suficiente. "O Talent Management não é só uma avaliação da sua performance ou do seu potencial, ele é muito mais do que isso", diz. 

Na visão dela, o desafio está em promover experiências no dia a dia que combinem suporte técnico, mentoria, coaching e networking, elementos que, segundo ela, dependem de mais áreas do que apenas o RH.

Esse é o motivo, afirma, de um objetivo que persegue no trabalho: reduzir a dependência de contratações externas e aumentar a capacidade da própria organização de formar talentos internamente.

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IA como acelerador, adoção como obstáculo

Sobre inteligência artificial, Marta diz acredita que ainda existe um grande descompasso entre o potencial da tecnologia e o conhecimento prático das equipes. Para ela, a IA não substitui as pessoas, ela amplia sua capacidade de gerar valor.

"Quando uso IA de forma eficiente, eu consigo liberar tempo para o que realmente exige julgamento humano: pensar estrategicamente, tomar decisões e resolver problemas que a tecnologia sozinha não consegue resolver", diz.

O obstáculo, segundo ela, não é a falta recursos. A empresa oferece treinamentos e fóruns de discussão e diferentes oportunidades de aprendizado. O desafio está na baixa adesão. “As pessoas priorizam as demandas do dia-a-dia e acabam adiando o desenvolvimento das competências que serão essenciais no futuro.", afirma.

Na visão de Marta, a resistência à capacitação de longo prazo e a dificuldade de formar talentos internamente tem a mesma origem: uma visão excessivamente voltada a curto prazo. “Muitas vezes estamos tão focados em entregar o resultado imediato que deixamos de refletir se as decisões de hoje nos aproximam ou afastam do objetivo que queremos alcançar daqui a cinco ou dez anos.”, diz. As duas questões, segundo ela, estão interconectadas.

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