Carreira

Na 99, grupos de diversidade têm orçamento próprio e são tocados por funcionários — não pelo RH

Com contratações 233% maiores após o 99Food, empresa aposta em trilhas de carreira e grupos tocados por funcionários

 (99 Food/Divulgação)

(99 Food/Divulgação)

Publicado em 8 de julho de 2026 às 10h39.

Última atualização em 8 de julho de 2026 às 11h18.

A 99 quase quadruplicou seu quadro de funcionários desde o relançamento do 99Food, e transformou a integração dos novatos no principal desafio do seu RH. De 2024 para 2025, as contratações para a operação brasileira cresceram 233,1%, e de 2025 para 2026, mais 36,6%. Hoje, a companhia soma mais de 3.000 colaboradores.

O crescimento interno acompanha a expansão do negócio. A empresa, que reúne mobilidade, delivery, entrega de objetos e conta digital em um único aplicativo, passou de 52 milhões para mais de 60 milhões de usuários ativos entre 2024 e 2025 e opera em mais de 4.400 cidades, o equivalente a 8 em cada 10 municípios do país.

Fundada em 2012 para digitalizar corridas de táxi, a 99 foi o primeiro unicórnio brasileiro e, desde 2018, pertence à chinesa DiDi. A velocidade recente, porém, trouxe um problema novo para quem cresceu formando gente da porta para dentro.

"Cultura é a nossa fortaleza. Temos diversos exemplos de pessoas que saíram e, em seis meses, pediram para voltar. Quando perguntamos o porquê, elas falam que é justamente por conta da cultura", diz Jennifer Arliani, diretora senior de RH da 99.

LEIA MAIS: Transforme a gestão de pessoas em uma vantagem competitiva real e desenvolva líderes capazes de impulsionar resultados sustentáveis no seu negócio.

Jennifer Arliane, diretora senior de RH da 99

Jennifer Arliani, diretora senior de RH da 99

Uma década formando líderes da porta para dentro

Antes do 99Food, a companhia passou anos sem contratar líderes no mercado. Como o segmento exige competências técnicas específicas, difíceis de encontrar prontas, a aposta era desenvolver talentos internos até que ocupassem as cadeiras de liderança.

O relançamento do delivery mudou a equação. Com a operação crescendo rápido, a 99 recorreu a profissionais de fora, vindos de culturas corporativas distintas. O foco do RH passou a ser garantir que esses recém-chegados absorvam o que a empresa chama de "jeito 99 de ser".

"Para a gente é muito importante não só o que o colaborador entrega, mas o como", diz a executiva.

A escola de novos chefes

A estrutura de desenvolvimento é dividida por senioridade: há trilhas específicas para analistas, gerentes e diretores, além de programas de mentoria, networking e treinamentos online. O acompanhamento é feito por PDI, o plano de desenvolvimento individual, e a gestão de metas segue o modelo de OKRs.

Quem assume um cargo de liderança pela primeira vez, seja promovido ou contratado, passa por um treinamento próprio. O programa vai de processos internos de RH a temas como conversas difíceis, gestão de performance e definição de metas.

Sete grupos com orçamento próprio e nenhum chefe de RH no comando

A empresa mantém cinco grupos de diversidade, voltados a pessoas pretas e pardas, mulheres, profissionais com deficiência, famílias e público LGBT, além de dois grupos de afinidade, um de trabalho voluntário e o 99Viva, dedicado a saúde e bem-estar. O mais antigo, o grupo LGBT, existe há mais de 10 anos.

Todos são formados e conduzidos por colaboradores. Cada grupo recebe um orçamento anual, define OKRs no início do ano e responde a uma governança do RH, que também distribui os meses temáticos, como o Pride Month em junho, para evitar sobreposição de iniciativas.

"A intenção de ter empregados, e não a área de RH, tocando esses grupos é justamente para que sejamos desafiados com relação à nossa cultura, às nossas práticas e políticas, e a onde temos oportunidade de melhorar", diz Jennifer.

Da final em Beijing ao álbum de figurinhas

No campo do bem-estar, o esporte virou ferramenta de integração. Em maio, a Copa DiDi reuniu times de funcionários do Brasil, da Colômbia e do México, e os vencedores de cada país disputam a final em Beijing contra o time da matriz. A regra: equipes obrigatoriamente mistas, sem critério de cargo ou tempo de casa, já que o prêmio inclui conhecer o headquarters e construir rede na China. Na temporada de Copa do Mundo, o escritório ganhou até sessões de troca de figurinhas.

A companhia não abre seu pacote de benefícios, mas cita dois exemplos. Participante do programa Empresa Cidadã, do governo federal, ela estende o período de home office para mães e pais recentes após a licença. E oferece subsídio para o aprendizado de idiomas a todos os colaboradores, independentemente do nível hierárquico.

Depois de quase quadruplicar de tamanho, o teste da 99 deixou de ser atrair gente. É fazer com que ela queira ficar, ou voltar.

Acompanhe tudo sobre:GraduaçãoGraduação Escola de Negócios Saint PaulEarly Decision

Mais de Carreira

Antes de começar um novo ciclo de carreira, aprenda a encerrar o anterior

Stone procura jovens com vontade de aprender: ‘É menos sobre o que você sabe hoje’

Fim da escala 6x1: 33% dos trabalhadores querem usar tempo livre para fazer renda extra, diz estudo

R$ 50 milhões em 10 anos: a aposta que fez de Maceió a vitrine da expansão da Maple Bear