Os melhores salários de executivas (Stock Exchange/Thinkstock)
Redatora
Publicado em 20 de agosto de 2026 às 15h15.
Última atualização em 23 de setembro de 2026 às 11h02.
Mulheres ocupam 34% dos cargos de C-level, diretoria e vice-presidência, em instituições financeiras no Brasil, segundo mapeamento da consultoria de recursos humanos FESA Group. O estudo foi feito com 82 empresas do mercado financeiro e reuniu 249 profissionais, distribuídos em 12 posições de liderança.
O recorte por área expõe uma divisão nítida entre os departamentos em que elas já lideram e aqueles em que seguem minoria. Recursos Humanos concentra a maior presença feminina no topo, com 62% dos cargos. Em seguida vêm Relações Institucionais e Sustentabilidade, onde as mulheres representam 57% da liderança.
A proporção cai à medida que se aproxima do centro financeiro das operações. Gestão patrimonial, jurídico e finanças têm, respectivamente, 46,15%, 45,95% e 40% de mulheres nos cargos de topo.
O gargalo fica mais evidente nas funções que concentram poder de decisão sobre capital: nos cargos de CFO e nas áreas de risco e corporate, os percentuais são de 30%, 28% e 20%.
Entre todas as frentes mapeadas, investment banking é onde a distância entre homens e mulheres mais se abre. Em levantamento próprio sobre o mesmo estudo, apenas 17,4% das mulheres ocupam posições de destaque, como CFO, em bancos de investimento. Somando as demais posições de chefia do setor financeiro, a presença feminina sobe para 33,8%, número próximo ao encontrado pela FESA Group no recorte geral de C-level.
Fernanda Amaral, sócia associada da FESA Group, diz: "O mercado financeiro vive um momento em que a gestão de riscos e a inovação exigem pluralidade de repertórios de quem está no comando. Quando vemos a participação feminina reduzir à medida que olhamos para o topo dos organogramas, sabemos o quanto o setor perde em capital intelectual de altíssimo valor. Para romper essa barreira, as empresas precisam criar condições para que lideranças femininas alcancem e permaneçam no comando, o que exige investimento de tempo e recurso para revisar modelos antigos. É isso que vai garantir a pluralidade e a competitividade dos boards executivos."
Outros levantamentos do setor sustentam a mesma tendência. Pesquisa da consultoria Mercer com 215 organizações brasileiras e 443 mil colaboradores mostrou que apenas duas em cada dez profissionais do nível executivo do mercado financeiro são mulheres, mesmo com o gênero feminino representando metade da base de funcionários do setor.
A mesma pesquisa aponta que a desigualdade também aparece no salário: mulheres recém-contratadas ganham em média 3% a menos, as de nível médio 12% a menos e as de alta liderança 16% a menos que os homens em posições equivalentes.
Fora do setor financeiro, o cenário de conselhos de administração segue parecido. Dados da Heidrick & Struggles mostram que, em 2022, mulheres ocupavam 16% dos assentos de conselho nas empresas listadas na B3 e 31% dos cargos totais dessas companhias.
O funil é conhecido: entrada equilibrada, afunilamento progressivo a cada degrau de liderança. Em finanças, esse funil aperta ainda mais nas áreas que decidem sobre capital, risco e alocação, justamente onde historicamente menos mulheres tiveram acesso a mentoria, patrocínio interno e visibilidade para o conselho.