Carreira

Menos da metade dos profissionais quer trocar de emprego em 2026 — entenda o motivo

Diante da incerteza no mercado de trabalho, trabalhadores priorizam estabilidade e apostam em novas fontes de renda

Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 15h42.

O número de profissionais dispostos a buscar um novo emprego em 2026 caiu drasticamente. Apenas 43% dizem que pretendem procurar uma recolocação neste ano — número muito abaixo dos 93% registrados no ano anterior. 

O dado, obtido por uma pesquisa da plataforma de empregos Monster com mais de 1.500 trabalhadores americanos, reflete uma mudança de comportamento alimentada por esgotamento, frustrações acumuladas e insegurança em relação ao futuro.

Após um ano de contratações abaixo do esperado, muitos candidatos estão abandonando a busca por novas oportunidades. A recessão nas admissões, considerada a pior desde 2003 fora de um período recessivo, contribui para esse cenário. 

Para a especialista em carreiras da Monster, Vicki Salemi, o sentimento dominante é de cautela. “Os trabalhadores estão priorizando a estabilidade no emprego e a proteção da renda”, disse. As informações foram retiradas da CNBC Make It.

Mais estabilidade, menos ambição — por enquanto

O medo de enfrentar um mercado hostil resultou em um movimento que Salemi chama de “abraço no emprego”, onde profissionais que preferem manter seus cargos atuais, mesmo insatisfeitos, a se arriscar em processos seletivos frustrantes. 

Segundo dados da própria Monster, 75% dos trabalhadores planejam permanecer onde estão pelo menos até 2027.

Apesar disso, o desejo de crescimento não desapareceu, ele apenas mudou de estratégia. A pesquisa mostra que cerca de dois terços dos profissionais buscam formas de aumentar a renda por fora do emprego formal. Do total de entrevistados, 32% já possuem trabalhos paralelos, enquanto 30% planejam iniciar algum projeto adicional ainda em 2026.

Trabalho extra, aprendizado contínuo e posicionamento estratégico

Para quem atua com alta performance, esse novo comportamento aponta um caminho alternativo e estratégico de crescimento. 

Em vez de apostar todas as fichas em um novo emprego, os profissionais estão construindo alternativas, acumulam novas habilidades, fazem cursos, ampliam seu networking e se envolvem em projetos pessoais que podem, eventualmente, se transformar em novas fontes de renda ou até em novas carreiras.

A tendência também mostra um perfil mais seletivo entre os que seguem em busca de uma nova oportunidade.

“Eles estão sendo mais intencionais e estratégicos”, aponta Salemi. Isso inclui adequar o currículo às vagas com precisão, destacar habilidades transferíveis e buscar posições em setores com maior demanda, como o de saúde, por exemplo.

Oportunidades existem para quem sabe identificar o timing

Mesmo em meio ao desânimo geral, quem mantém um olhar atento pode encontrar vantagens competitivas. A queda na movimentação do mercado reduz o número de concorrentes nas vagas abertas.

Profissionais com foco, preparo técnico e domínio de habilidades contemporâneas — como o uso de inteligência artificial, análise de dados e gestão de performance — têm mais chances de se destacar em seleções mais enxutas.

Além disso, o fortalecimento dos trabalhos paralelos pode abrir novas portas no médio prazo. De acordo com a análise da Monster, esse movimento é capaz de gerar contatos, inserir o profissional em outro setor, validar competências e até servir como ponte para uma transição de carreira.

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