Mais de 70% dos LGBTQIAP+ dizem que práticas de diversidade são motivos para não pedir demissão

Pesquisa da Deloitte ainda apontou que, apesar dos avanços, 42% dos profissionais relataram ter sofrido preconceito no ambiente de trabalho
 (Anastasiia Yanishevska / EyeEm/Getty Images)
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Luciana LimaPublicado em 19/07/2022 às 14:59.

Nos últimos anos, o debate sobre a inclusão tem avançado nas organizações. E, além de responsabilidade social, as ações de diversidade também contribuem com a marca empregadora das companhias.

É isso que sugere a pesquisa LGBT+ Inclusion @ Work: A Global Outlook, da consultoria Deloitte, que apontou que mais de 70% dos funcionários LGBTQIAP+ estão inclinados a permanecer no seu trabalho atual por causa das práticas de inclusão da empresa.

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Ainda segundo a pesquisa, que ouviu 600 funcionários da comunidade LGBTQIAP+ em 12 países (Austrália, Brasil, Canadá, França, Alemanha, Hong Kong, Japão, Países Baixos, México, África do Sul, Reino Unido e Estados Unidos), a disponibilidade de grupos e comitês de funcionários LGBTQIAP+ é um dos principais facilitadores de uma cultura inclusiva.

Cerca de 80% dos entrevistados relatam que suas empresas introduziram ações e iniciativas de inclusão LGBTQIAP+ e 95% que acreditam que isso levou a um apoio significativo para estes funcionários em suas respectivas organizações.

As ações realizadas pelas organizações variam: quase 40% dizem que os líderes falam abertamente sobre a inclusão LGBTQIAP+ dentro da organização, um terço diz que as companhias têm programas de aliança LGBTQIAP+ e quase um terço (31%) diz que seus empregadores discutem a inclusão LGBTQIAP+ em fóruns externos, como eventos de negócios.

Quase todos (93%) os entrevistados que trabalham para organizações globais também acreditam que as comunicações e ações em torno da inclusão LGBTQIAP+ estão se traduzindo em apoio significativo em seus países de origem.

Preconceito ainda permanece

Apesar do avanço das medidas de inclusão dos profissionais LGBTQIAP+, quase metade (42%) dos entrevistados relataram ter sofrido preconceito no ambiente de trabalho.

Essas atitudes incluíam comentários indesejados de natureza sexual (33%), comentários indesejados sobre identidade de gênero (25%) e comportamento inaceitável mais amplo.

Além disso, esses comportamentos são experimentados tanto no escritório quanto no trabalho remoto. Quase metade (47%) dos que relataram ter vivenciado situações de preconceito disseram que elas ocorreram em um ambiente físico, enquanto 20% aconteceram em um ambiente virtual. Um terço (33%) passou por tais comportamentos em ambientes físicos e remotos.

Daqueles que encontraram esses comportamentos, quase três quartos denunciaram a situação para a empresa; seis em cada 10 ficaram satisfeitos com a resposta. A razão pela qual os entrevistados não relataram as situações de preconceito foi, geralmente, semelhante em todas as identidades de gênero (por exemplo, quando se tratava de preocupações com a percepção dos colegas).

As mulheres, no entanto, estavam mais preocupadas do que os homens que suas queixas não seriam levadas a sério (40% vs. 22%) e que o comportamento não era grave o suficiente para denunciar (33% vs. 16%). Enquanto os homens estavam mais preocupados do que as mulheres que o comportamento pioraria (38% vs. 17%) se fosse relatado.

Ainda é tabu

Cerca de um em cada cinco entrevistados não fala com ninguém no trabalho sobre sua orientação sexual, enquanto 34% conversam apenas com seus colegas mais próximos.

Dos últimos entrevistados, 36% relataram que, embora sua equipe e colegas os deixassem à vontade para abordar sua orientação sexual no trabalho, a organização em geral, não.

Do ponto de vista da identidade de gênero, quase um quarto (23%) que se expõe a alguns de seus colegas está preocupado de que isso afetará negativamente sua carreira.

Dos entrevistados que expõem sua orientação sexual para seus colegas, nove em cada 10 concordaram que isso ocorre porque a cultura do local de trabalho os ajuda a se sentirem confortáveis.

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