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Liderança sem gênero: por que abrir portas para mulheres é só primeiro passo, diz CEO do IAB Brasil

Mãe de três filhos, Denise Porto Hruby aponta onde está o gargalo até o topo e o que as empresas precisam mudar

Denise Porto Hruby, CEO do IAB Brasil

Denise Porto Hruby, CEO do IAB Brasil

Publicado em 28 de setembro de 2026 às 17h23.

Última atualização em 7 de outubro de 2026 às 14h11.

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Durante anos, Denise Porto Hruby trabalhou ao lado de Paulinha, como ela chama a executiva com quem conviveu no dia a dia antes de assumir o comando do IAB Brasil. Denise a descreve como uma pessoa de personalidade "forte, firme, dura". O que aprendeu nesse período não veio de conselhos ditos em voz alta. Veio da observação.

"A gente aprende não com o que as pessoas nos dizem, mas com o que as pessoas fazem, com o jeito como elas se comportam", diz.

Hoje CEO do IAB Brasil, entidade que reúne o mercado de publicidade digital no país, Denise usa a mesma régua para olhar um problema mais amplo: a chegada de mulheres à liderança e aos conselhos de administração. 

Aluna recente do ABP-W (Advanced Boardroom Program for Women), programa da Saint Paul voltado a executivas que querem ocupar assentos em conselhos, ela avalia que o mercado conseguiu abrir portas para as mulheres, mas ainda não desenhou o caminho para que elas subam.

Uma escola no dia a dia

Denise define a convivência com Paulinha como um privilégio e uma etapa transformadora da sua trajetória. "Foi realmente uma escola estar do lado dela", diz.

A principal lição, segundo ela, ficou clara na rotina de trabalho. "A verdadeira liderança não se impõe pelo cargo, mas pela coragem de tomar decisões difíceis", afirma.

46 IABs e a roda que não precisa ser reinventada

O ABP-W completa dez anos em 2026. Criado em 2016, o programa é exclusivo para mulheres e reúne executivas C-level, diretoras e herdeiras que buscam atuar em conselhos ou ter uma relação mais estratégica com o conselho de suas organizações.

Um dos pontos que mais marcaram sua passagem pelo curso foi o módulo internacional, realizado em parceria com escolas de negócios estrangeiras. Ali, ela pôde comparar os desafios enfrentados no Brasil com os de outro mercado. A conclusão: os problemas são parecidos, mas evoluem de forma diferente conforme o contexto em que estão inseridos.

"Expandiu muito a minha visão de adaptabilidade no contexto global"Denise Porto Hruby, CEO do IAB Brasil

A experiência passou a orientar seu trabalho à frente da entidade. O IAB tem 46 representações espalhadas pelo mundo, e Denise tem buscado provocar a troca entre elas para evitar a duplicidade de esforços. A ideia é identificar boas práticas globais e adaptá-las às particularidades do ecossistema brasileiro.

"A gente não precisa reinventar a roda e não precisa endereçar esse problema do zero. Como a gente pode aprender com os acertos e erros de outros mercados?", afirma. "Os problemas são similares. Como a gente consegue somar, trazer complementaridade e se ajudar na resolução desses desafios?”, complementa.

Denise Porto Hruby, CEO do IAB Brasil

Portas abertas não bastam

Quando o tema é a formação de conselheiras, Denise aponta um descompasso. Segundo ela, há um esforço grande das empresas para trazer mulheres ao mercado de trabalho, mas concentrado em cargos da base. O desafio é garantir que essas profissionais tenham espaço para crescer até a liderança.

"Essa liderança não tem gênero. Se é uma mulher ou um homem que vai estar sentado naquela posição, a gente está falando de competência, de skills. Não deveria estar falando de gênero", diz.

Para ela, o gargalo está na trajetória entre a entrada e o topo. E fala a partir da própria experiência. "Eu sou mulher, eu tenho três filhos. É difícil conciliar tudo, fazer com excelência todos os papéis que você se comprometeu a fazer", afirma.

Denise defende que as empresas tragam mais empatia para a mesa e reconheçam que haverá momentos em que determinadas ausências, ou um envolvimento menor, serão necessários. 

A mudança, na visão dela, passa pela cultura das empresas e pela forma de gestão.

Ela classifica o avanço até aqui como um "trabalho de formiguinha". Algumas portas foram abertas, e mulheres passaram a ocupar determinadas cadeiras. 

Mas isso, diz, é apenas o primeiro passo.  O próximo é mudar a cultura na cabeça das pessoas e nas organizações, com um modo de trabalhar diferente, que torne possível a ascensão.

"Você abriu as portas, isso é só o começo", diz. "O caminho ainda precisa ser melhor desenhado”, finaliza.

Encurtar esse caminho é o foco do ABP-W, programa da Saint Paul que há dez anos prepara executivas para ocupar assentos em conselhos de administração, com aulas de governança, estratégia e simulações de reuniões de board. Conheça o programa

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