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Redatora
Publicado em 10 de agosto de 2026 às 15h49.
Enviar mais currículos deixou de significar, necessariamente, aumentar as chances de contratação. Um levantamento com grandes empregadores da África do Sul encontrou um recorde de 138 candidaturas por vaga em processos para recém-formados — e apenas 12% dos inscritos chegaram à primeira entrevista.
Parte desse aumento está relacionada à facilidade de se candidatar online e ao uso crescente de inteligência artificial para produzir currículos e preencher inscrições.
Os dados fazem parte de pesquisas realizadas para a South African Graduate Employers Association (SAGEA), entidade que reúne empregadores de jovens talentos e publicou seu relatório de benchmarks e percepção dos candidatos de 2026.
Embora o estudo retrate o mercado sul-africano, o cenário levanta uma questão relevante para qualquer universitário ou recém-formado: se a IA permite que milhares de pessoas produzam aplicações mais rapidamente, o que ainda diferencia um candidato?
A resposta tende a estar menos na quantidade de inscrições e mais na capacidade de demonstrar interesse real, experiências concretas e pensamento crítico. Veja seis motivos abaixo. As informações foram retiradas da University World News.
Segundo a pesquisa citada pela University World News, 88% dos candidatos entrevistados haviam usado alguma ferramenta de IA durante a busca por emprego. Em 2025, eram 63%; em 2024, 38%.
Os usos mais comuns estavam na preparação para entrevistas, edição de currículos e elaboração de cartas de apresentação.
O problema aparece quando a tecnologia deixa de apoiar o candidato e passa a fazer praticamente todo o trabalho por ele. O estudo relata inclusive o uso de agentes autônomos capazes de enviar candidaturas enquanto o profissional dorme.
O resultado é um paradoxo: nunca foi tão fácil se candidatar, mas também nunca foi tão fácil produzir aplicações parecidas. A IA pode organizar argumentos, identificar pontos de aderência e revisar uma resposta, mas o conteúdo precisa continuar representando a trajetória real de quem se candidata.
O excesso de automação produz outra consequência: candidatos começam a usar os mesmos termos, estruturas e argumentos.
Para o recrutador, encontrar a pessoa certa em uma pilha de textos bem escritos, mas semelhantes, se torna mais difícil. É por isso que uma frase como “sou proativo, resiliente e trabalho bem em equipe” perdeu força.
Ela afirma competências, mas não apresenta evidência. Uma experiência concreta costuma dizer mais:
“Coordenei quatro estudantes na organização de um evento para 300 participantes e reorganizei fornecedores após um cancelamento na semana da entrega.”
O segundo exemplo mostra liderança, capacidade de execução e adaptação sem precisar listar essas competências.
Os participantes do estudo enviaram, em média, dez candidaturas. Um quarto deles estava na faixa de 21 ou mais inscrições.
O volume, por si só, não é necessariamente negativo. O risco está em transformar a busca por emprego em uma operação automática.
Quando o candidato envia dezenas de currículos sem analisar a oportunidade, aumenta a chance de produzir aplicações genéricas e chegar despreparado caso seja chamado.
Uma estratégia mais eficiente começa pela leitura da vaga:
Responder a essas perguntas antes de clicar em “candidatar-se” exige mais tempo — mas também aumenta a consistência da candidatura.
Os empregadores entrevistados pela pesquisa não esperam necessariamente jovens que dominem todas as tecnologias. A demanda crescente é por profissionais capazes de usar IA e, ao mesmo tempo, questionar seus resultados.
Esse movimento aparece em levantamentos globais. O Fórum Econômico Mundial aponta IA e big data como as competências que mais devem crescer até 2030, mas mantém o pensamento analítico como a habilidade central mais procurada pelos empregadores. Resiliência, flexibilidade, liderança e influência social também permanecem entre as principais.
Isso significa que saber gerar uma resposta não basta. O profissional precisa identificar erros, perceber o que ficou de fora e decidir se aquela recomendação faz sentido para o contexto.
Em um processo seletivo, o mesmo raciocínio vale para a própria candidatura: não basta aceitar o currículo que a IA produziu. É preciso perguntar se ele realmente representa sua experiência.
A falta de experiência profissional apareceu entre as principais dificuldades dos jovens analisados pela pesquisa. Esse é um problema frequente também entre universitários: muitos acreditam não ter nada relevante para apresentar porque ainda não tiveram um emprego em tempo integral.
Mas experiências transferíveis podem vir de outros contextos. Trabalho temporário, empresa júnior, iniciação científica, projeto de extensão, voluntariado, monitoria e organização estudantil podem demonstrar atendimento ao público, organização, liderança, negociação ou capacidade analítica.
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O próprio estudo destaca que candidatos frequentemente subestimam experiências aparentemente simples, como um trabalho no varejo. O desafio está em traduzir a atividade para a competência desenvolvida e explicar o resultado alcançado.
Um dos dados mais relevantes do levantamento é que 47% dos candidatos começaram a procurar emprego apenas no último ano da graduação. Aqueles que iniciaram esse movimento mais cedo tiveram maior probabilidade de conquistar uma vaga na empresa de preferência, segundo a pesquisa.
Isso não significa passar a faculdade inteira enviando currículos, mas sim usar a graduação para construir repertório: participar de projetos, conhecer áreas diferentes, buscar experiências práticas, conversar com profissionais e entender como funcionam os processos seletivos.
O mercado está mais competitivo, e quem entende como os processos seletivos funcionam sai na frente.
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