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Guerra por talentos: 1 em cada 3 empresas teme perder talentos para a concorrência, diz pesquisa

Além de manter profissionais qualificados, outro desafio do RH está em encontrar o candidato ideal, veja os desafios e soluções para este cenário

Segundo pesquisa da Robert Half, 81% dos recrutadores sinalizam hoje dificuldades na contratação de profissionais qualificados (Nuthawut Somsuk/Getty Images)

Segundo pesquisa da Robert Half, 81% dos recrutadores sinalizam hoje dificuldades na contratação de profissionais qualificados (Nuthawut Somsuk/Getty Images)

Publicado em 12 de junho de 2024 às 09h00.

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As empresas possuem hoje dois grandes desafios na área de RH: encontrar candidato qualificado e não perder os profissionais-chaves para a concorrência. É o que diz a 28ª edição do Índice de Confiança da Robert Half (ICRH) com base no cenário do mercado brasileiro.

A taxa de desemprego segue em níveis historicamente baixos. Após uma sequência de quedas ao longo dos últimos meses, as taxas foram de 7,9% para a população em geral e de 3,8% para a população qualificada.

Os valores abaixo dos 4% para a mão de obra qualificada reforçam que a disputa por bons talentos está acirrada, porque grande parte está empregada.

“É importante ressaltar que estamos dentro de uma oscilação estatística e que é necessário analisar os próximos trimestres para identificar tendências mais claras. Por outro lado, em um mundo em constante mudança, é crucial que a gestão de pessoas seja proativa para garantir a atração e a retenção de funcionários talentosos”, diz Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half para a América do Sul.

A 28ª edição do ICRH foi realizada ao longo do mês de maio, com base nas respostas de 1.161 profissionais, igualmente divididos em três categorias: recrutadores (profissionais responsáveis por recrutamento nas empresas ou que têm participação no preenchimento das vagas); profissionais qualificados empregados; e profissionais qualificados desempregados (com 25 anos ou mais e formação superior).

Profissionais empregados: os menos pessimistas

O público menos pessimista, tanto para o presente quanto para o futuro, foi o dos profissionais empregados. Segundo os entrevistados, atualmente 60% deles se sentem seguros quanto à manutenção dos seus empregos, o que representa um aumento de 4 pontos percentuais em relação ao último período avaliado.

Um ponto positivo é que, comparado ao mesmo período do ano passado, todas as categorias registraram um ligeiro aumento nos níveis de confiança, tanto ao analisar o presente quanto ao pensar no futuro.

Recrutadores estão divididos

Ao analisar o segundo trimestre do ano, os recrutadores se encontram divididos: metade (50%) não se considera mais empolgada com o que está por vir, enquanto 42% se mostram mais esperançosos e 8% não souberam responder.

Entre os 42% que estão mais empolgados, os principais motivos para o sentimento são:

  • Expectativa de atingir as metas (57%);
  • Projetos sendo desengavetados (53%);
  • Expectativa de estabilidade econômica (37%);
  • Investimentos em tecnologia (32%);
  • Previsão de abertura de novas vagas (25%).

Já entre os 50% que não estão:

  • Imprevisibilidade econômica (83%);
  • Projetos parados (41%);
  • Receio de perder profissionais-chave para outras empresas (33%);
  • Resultados aquém do esperado (33%);
  • Salários pouco competitivos (27%).

Atração de talentos: o calcanhar de Aquiles das empresas

De acordo com o ICRH, 23% das empresas afirmam que a intenção de contratar será mais alta nos próximos meses do que é atualmente. Hoje, 18% das companhias dizem que a intenção é alta ou muito alta.

Por outro lado, 81% dos recrutadores sinalizam hoje dificuldades na contratação de profissionais qualificados. Entre os entrevistados, 64% acreditam que o cenário não deve mudar nos próximos seis meses, enquanto 27% dizem que ficará ainda mais desafiador.

Questionados sobre as projeções da empresa em realizar demissões, 60% dos recrutadores responderam que elas são baixas. Nos próximos seis meses, 87% acreditam que as intenções se manterão iguais ou ainda menores.

Para evitar erros na contratação e garantir a captação dos melhores talentos, é fundamental ir além do alinhamento entre perfil e vaga, afirma Mantovani.

“É preciso ter atenção e respeito às etapas do processo seletivo, cumprir prazos acordados, oferecer feedbacks transparentes e manter uma comunicação clara. Os candidatos estão cada vez mais exigentes em relação a esses pontos e as empresas competem de maneira mais acirrada por talentos qualificados. Portanto, as estratégias de atração precisam ser bem trabalhadas”.

Na opinião dos profissionais empregados, em um processo seletivo, além do salário, os pontos mais importantes na escolha de uma vaga são:

  • Pacote de benefícios (82%);
  • Possibilidade de equilíbrio entre vida pessoal e profissional (71%);
  • Possibilidade de trabalho remoto ou híbrido (66%);
  • Perspectiva de crescimento (60%);
  • Distância entre a casa e o trabalho (50%).

Projetos são valorizados por desempregados

No processo de reflexão sobre os próximos seis meses, 35% dos desempregados acreditam que a probabilidade de assumir um novo emprego será mais alta. Sob outra perspectiva, 33% estão pouco otimistas quanto às suas chances de recolocação no mercado de trabalho.

A modalidade de contratação por projetos com tempo determinado é uma opção bastante visada por esses profissionais. Segundo os entrevistados, 87% estariam dispostos a aceitar uma proposta de trabalho para um projeto especializado.

“Em um mercado de trabalho que valoriza a qualificação, se destacar exige dedicação constante e um olhar de longo prazo", diz Mantovani. "Nesse contexto, é fundamental investir no aprimoramento contínuo de capacidades, estar engajado em redes profissionais e cultivar tanto as hard skills quanto as soft skills”.

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