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Funcionários do 'New York Times' fazem greve por aumento salarial

Centenas de pessoas de todos os cargos e idades se concentraram hoje em frente à sede imponente da New York Times Company, em Manhattan, em um ambiente de reivindicação

Cerca de 1.100 jornalistas e outros funcionários do jornal cruzaram os braços hoje (Nicolas REVISE/ Diane DESOBEAU/AFP Photo)

Cerca de 1.100 jornalistas e outros funcionários do jornal cruzaram os braços hoje (Nicolas REVISE/ Diane DESOBEAU/AFP Photo)

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AFP

Publicado em 9 de dezembro de 2022, 06h54.

Pela primeira vez em quatro décadas, mais de mil funcionários do jornal "New York Times" (NYT) declararam-se em greve de 24 horas, nesta quinta-feira, para exigir um aumento salarial, diante da disparada da inflação e o consequente aumento do custo de vida na cidade.

Cerca de 1.100 jornalistas e outros funcionários do templo do jornalismo mundial cruzaram os braços devido à falta de concordância sobre os salários no novo acordo coletivo, segundo o sindicato NewsGuild, de Nova York.

Centenas de pessoas de todos os cargos e idades se concentraram hoje em frente à sede imponente da New York Times Company, em Manhattan, em um ambiente de reivindicação, porém tranquilo. Segundo o NewsGuild, um dos pontos de atrito é a resistência da direção a aumentar significamente os salários há dois anos, apesar de a empresa, negociada em Wall Street, ser próspera financeiramente.

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'Punir os funcionários'

“Os diretores do New York Times celebram as conquistas financeiras, enquanto punem os trabalhadores”, protestou o sindicato, comemorando que "mais de 1.100 funcionários tenham parado de trabalhar, um fato sem precedentes em quatro décadas”.

"A empresa não trata muito bem os funcionários sindicalizados. Estamos há 20 meses sem acordo coletivo, trabalhamos sem parar durante a pandemia, 20 horas por dia, inclusive nos fins de semana, e sem aumento", queixou-se o designer gráfico Albert Sun, 34, que trabalha há 11 anos no jornal.

Para sua colega Phoebe Lett, 31, produtora de podcasts, deve-se brigar "para conseguir um mínimo de 65 mil dólares por ano (brutos). É importante, porque a empresa quer que trabalhemos em uma cidade muito cara. Tenho colegas com um segundo emprego para manter este, que é um emprego dos sonhos", disse à AFP.

Resultados

Segundo os resultados do terceiro trimestre, divulgados em novembro, a empresa registou um volume de negócios de 547 milhões de dólares, contra 509 milhões no mesmo período de 2021, o que representa um aumento de 7,6%. Já o lucro líquido trimestral caiu 33% em um ano, passando de US$ 54 milhões em 2021 para US$ 36 milhões atualmente.

A direção assinalou que as negociações salariais não fracassaram, e que "é decepcionante que recorram a ações extremas apesar de não estarmos em um beco sem saída”.

Com 1.700 funcionários, 8 milhões de assinantes e cerca de 150 milhões de leitores mensais, o NYT, templo da imprensa escrita de centro-esquerda, recuperou-se e se adaptou à era digital com seu site e seus vídeos e podcasts.

A greve não deve impedir a publicação da edição desta sexta-feira. Segundo um artigo publicado na edição digital do jornal, durante a paralisação "os funcionários não sindicalizados da redação serão responsáveis, em grande parte, pela produção de notícias".

Alguns manifestantes não descartam estender a greve, apesar de uma porta-voz do jornal ter afirmado que uma nova rodada de negociações está prevista para terça-feira.

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