Beatriz Cara Nóbrega, CHRO as a Service e Conselheira
Redatora
Publicado em 29 de julho de 2026 às 15h55.
Foi durante uma semana de imersão em Berlim, ao lado de outras participantes de seu programa de formação, que Beatriz Cara Nóbrega passou a enxergar desafios que, segundo ela, sempre estiveram presentes, mas que não reconhecia como tal.
"Eu não compreendia na profundidade necessária quais eram os desafios sistêmicos das mulheres", diz a executiva sobre o período em que cursava o ABP-W, Advanced Boardroom Program for Women, programa da Saint Paul Escola de Negócios voltado à formação de mulheres para atuação em conselhos.
"O ABP-W para mim foi um divisor de águas, tanto para a carreira, quanto para o meu trabalho voluntário e minha ação social", diz.
A frase resume a trajetória de uma executiva que, depois de mais de 27 anos passando por bancos, varejo e tecnologia, deixou a cadeira de CHRO de um banco digital para se tornar, segundo suas próprias palavras, empreendedora de um negócio baseado em seus múltiplos talentos.
Hoje atua como CHRO as a Service em duas organizações, é conselheira em outras duas, integra comitês de pessoas em mais duas e soma atividades como mentora e palestrante.
A carreira começou como júnior na Editora Abril. Depois vieram 15 anos entre Itaú e Itaú BBA, o banco de atacado e investimentos do grupo. Na sequência, passagens pela Pernambucanas, pela empresa de tecnologia Inmetrics e por um banco digital - o Digio - que, à época, tinha Banco do Brasil e Bradesco como sócios e hoje pertence integralmente ao Bradesco.
No fim de 2023, veio a virada. "Tinha planejado para o final de 2024, mas por uma questão organizacional diferente isso ocorreu no final de 23", diz Beatriz sobre o início do que descreve como uma carreira em portfólio.
"O que mudou foi a necessidade minha, pessoal, de produzir maior impacto", complementa.
A executiva faz questão de separar sua atuação do modelo tradicional de consultoria. "O consultor entra, faz o diagnóstico e faz a entrega específica naquele projeto", diz ela.
Beatriz Cara Nóbrega, CHRO as a Service e Conselheira
"Eu só aceito projetos de longo prazo, porque existe uma curva de contribuição, existe uma compreensão de onde você está pisando, do cenário, para você poder agregar valor", traz.
Beatriz foi procurada para a segunda turma do ABP-W, mas avaliou que não era o momento. Na época, ocupava a segunda posição na hierarquia de RH de sua empresa.
Entrou na turma seguinte, já como principal executiva de RH, prestes a assumir cadeiras em conselho de administração e comitês de risco - e não só de Pessoas - ao lado de sócios de bancos S1, instituições financeira de maior porte e relevância sistêmica do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Foi nesse período, já com cerca de 20 anos como executiva de RH, que ela diz ter percebido um padrão de comportamento adquirido ao longo de mais de uma década em ambientes predominantemente masculinos.
"No fundo, eu era uma mulher vestida de homem agindo como homem", diz ela ao descrever a mudança de perspectiva vivida durante o programa, sobretudo na imersão em Berlim, citando uma tese que atribui à pesquisadora Vera Regina Meinhard, da FGV, sobre o caráter sistêmico e interligado dos desafios enfrentados por mulheres em posições de liderança.
A partir dessa experiência, Beatriz passou a atuar voluntariamente em causas de equidade de gênero. Hoje integra o comitê executivo do Instituto Vasselo Goldoni dedicado ao tema, que tem a Saint Paul entre os parceiros.
Segundo a executiva, a iniciativa já impactou mais de 8 mil mulheres e prepara uma nova edição com 850 vagas gratuitas e 850 mentores. Um programa paralelo mentora 55 diretoras de RH e está em sua quinta edição, enquanto outra frente, voltada a homens e mulheres acima de 50 anos, discute etarismo.
Uma das iniciativas que a executiva cita é a instituição do Dia da Sororidade pela Prefeitura de São Paulo, além da realização do Congresso da Mulher Brasileira.
A motivação, segundo ela, vem de uma observação sobre a diferença entre a fraternidade masculina, natural desde a infância, e a sororidade entre mulheres, que muitas vezes precisa ser praticada de forma consciente. "A gente tem que, de fato, praticar sororidade", diz.
Aluna frequente de programas de imersão internacional, ela já cursou etapas de formação executiva na Alemanha, na China, na Dinamarca e em Israel, além de um programa recente sobre inteligência artificial. Para o próximo ano, diz que pretende encarar o FEEC, que descreve como o mais exigente tecnicamente para ela entre os cursos que ainda não fez.
Para Beatriz, o valor da convivência direta com outras lideranças em formação, como a vivida durante os módulos internacionais, é o que resume o que o programa entregou. "É priceless. Nada paga", diz.