Fica cansado depois de pensar em inglês? A solução é treinar o seu cérebro

Lígia Velozo Crispino, sócia-fundadora da Companhia de Idiomas, explica como estar em contato com o inglês é importante para treinar o cérebro e evitar a sensação de esgotamento na hora de fazer uma apresentação ou escrever uma redação no idioma
 (Foto/Thinkstock)
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Da RedaçãoPublicado em 30/09/2022 às 14:48.

A última grande região do cérebro a se desenvolver durante a história evolutiva humana foi o córtex pré-frontal.

Ele corresponde a apenas 4 a 5 por cento do volume de todo nosso cérebro. No entanto, muitas coisas boas vêm em pequenas embalagens.

Sem o córtex pré-frontal, não seríamos capazes de estabelecer nenhum tipo de meta, tomar decisões e resolver problemas.

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O córtex pré-frontal é onde mantemos os pensamentos que geramos, é o centro das nossas interações conscientes com o mundo e não há piloto automático nessa região.

Apesar de sua incontestável importância, ele tem grandes limitações. Por isso, precisamos conhecer melhor como essa região funciona.

Recorrendo a uma analogia, vamos imaginar o córtex pré-frontal como um palco em um pequeno teatro no qual os atores representam as informações que ganham nossa atenção.

Essas informações podem vir do mundo exterior e entrar no palco como um ator normal, ou seja, pelas laterais. Elas também podem vir do nosso mundo interior: pensamentos, memórias e imaginações.

Dentro dessa analogia, esses atores são participantes da plateia que sobem ao palco para se apresentar. Sendo assim, o palco contém informações do mundo exterior e do mundo interior, ou qualquer combinação dos dois.

Quando os atores entram no palco da nossa atenção, há cinco ações principais que podemos realizar:

1) Entender uma nova ideia
Colocamos novos atores no palco que ficam lá por tempo suficiente para observarmos a conexão com a plateia (informações que já estão em nosso cérebro).
2) Tomar uma decisão
Deixamos os atores no palco a fim de compará-los, analisá-los, julgá-los etc.
3) Recuperar informações
Trazemos um participante da plateia para o palco. Se essa memória for antiga, poderá estar lá nas últimas cadeiras, no escuro. Diante disso, levará tempo e demandará esforço para encontrá-la. Um cenário pior ainda é que poderemos nos distrair no meio do caminho.
4) Memorizar informações
Precisamos tirar um ator do palco e colocá-lo na plateia.
5) Inibir uma informação

Mantermos um ator fora do palco. Muitas vezes, temos de fazer algo importante, em curto prazo; participar de uma reunião ou aula, e não podemos perder o foco e nos distrair com outras coisas.

Essas cinco funções acima compõem a maior parte do pensamento consciente e são combinadas para nos comunicar, planejar, resolver problemas etc.

Essas atividades mentais conscientes consomem nossos recursos metabólicos muito mais rapidamente do que as funções cerebrais automáticas, tais como a respiração. Quando o combustível cai drasticamente, o cansaço chega e com ele nossa capacidade de atenção e concentração.

Por exemplo, quando temos de participar de uma reunião em inglês e não temos domínio do idioma, ficamos exauridos depois de cerca de 20 minutos tentando acompanhar o que está sendo discutido. Neste quadro, o esgotamento bloqueia a compreensão.

Ao estudar e/ ou usar, frequentemente, o idioma estrangeiro em diversos contextos, as estruturas e vocabulário ficam muito próximos do palco e, quando precisamos chamá-los ao palco, essa ação é relativamente rápida, com pouco consumo de energia.

No entanto, se não estiver estudando e não criar oportunidades para usar o idioma, a busca por esses atores pode levar muito tempo e, como já disse, é uma atividade de alto consumo de energia.

Diante dessa característica inerente ao cérebro, sempre que formos usar nosso palco mental, importante ocupá-lo com coisas relevantes. É um recurso limitado que não pode ser desperdiçado. Saber priorizar é a ordem!

Quais atores têm povoado o seu palco mental? Quer falar sobre aprendizagem? Só me escrever.

Sobre a autora

Lígia Velozo Crispino, sócia-fundadora da Companhia de Idiomas e da Verbify. Graduada em Letras e Tradução pela Unibero. Curso de Business English em Boston pela ELC e extensões na área de Marketing na ESPM, FGV e Insper. Coautora do Guia de Implantação de Programas de Idiomas em empresas e autora do livro de poemas Fora da Linha. Mobilizadora cultural à frente do Sarau Conversar, cofundadora do Instituto Velô. Mentora voluntária da Fundação NTT Data e do Instituto Reciclar. Colunista da Revista VocêRH. Hobbies: aquarela e fotografia. Quer falar comigo? ligia@companhiadeidiomas.com.br.

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