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Redatora
Publicado em 1 de setembro de 2026 às 16h59.
Um em cada quatro diretores e C-Levels brasileiros admite ter deixado de delegar tarefas nos últimos 30 dias porque, com IA, "fariam mais rápido sozinhos". O dado é de uma pesquisa da Afferolab, plataforma de educação corporativa, em parceria com a Tera, plataforma de educação em tecnologia, que ouviu 4,3 mil profissionais sobre comportamento organizacional, automação e maturidade em IA no Brasil.
O resultado é o oposto do que se esperaria de quem está no topo da hierarquia. Em vez de usar a tecnologia para redesenhar fluxos de trabalho e disseminar seu uso entre as equipes, executivos estão centralizando ainda mais a execução nas próprias mãos.
Segundo o levantamento, 87,5% dos profissionais usam IA para geração de textos, 67,1% para análise de dados, 63,4% para apoio em decisões estratégicas e 57,5% para geração de imagens. Quando o critério muda para automação, o número despenca: apenas 37,8% usam IA para automatizar tarefas repetitivas.
Isso significa que a maioria das empresas ainda trata a inteligência artificial como ferramenta de produtividade pessoal, não como parte da engrenagem operacional do negócio.
O comportamento não fica restrito ao C-Level. Na média gerência, 69% dos profissionais admitem usar IA em tarefas que poderiam ser delegadas: 49,6% fazem isso às vezes, 19,4% dizem recorrer à automação com frequência no lugar de distribuir demandas. Apenas 6,7% operam no nível mais avançado, delegando tarefas e formando a própria equipe para usar a tecnologia.
Neste grupo, a explicação muda de sinal. Segundo a pesquisa, parte da resistência em delegar vem do medo de ser substituído pela própria automação, não da eficiência.
A pesquisa também mapeia o quanto os profissionais brasileiros ainda estão longe da maturidade plena em IA. Do total que usa a ferramenta, apenas 0,1% atinge o nível classificado como "superoperador", capaz de integrar sete ferramentas ou mais em fluxos automatizados. A maioria opera com uma ou duas plataformas, entre elas ChatGPT, Google Gemini e Microsoft Copilot, as mais citadas no levantamento.
O próximo ciclo da IA nas empresas, segundo o estudo, não vai depender de aprender mais prompts. Vai depender de líderes dispostos a reorganizar o próprio trabalho, e o da equipe, em torno da tecnologia.