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Estudante, turista ou empreendedor: quem será impactado pelo novo bloqueio de vistos dos EUA

Governo americano anunciou a suspensão de vistos para 75 países, incluindo o Brasil. Veja se ainda é possível ter uma carreira internacional, segundo advogado de imigração

A justificativa apresentada é reforçar o controle sobre o chamado public charge — conceito usado para avaliar se o imigrante pode se tornar um ônus financeiro para o Estado americano ao depender de benefícios sociais (Brendan Mcdermid/Reuters)

A justificativa apresentada é reforçar o controle sobre o chamado public charge — conceito usado para avaliar se o imigrante pode se tornar um ônus financeiro para o Estado americano ao depender de benefícios sociais (Brendan Mcdermid/Reuters)

Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 15h33.

Última atualização em 14 de janeiro de 2026 às 18h29.

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O anúncio do governo dos Estados Unidos de suspender o processamento de vistos de imigração para cidadãos de 75 países, incluindo o Brasil, acendeu um alerta entre quem planeja morar, investir ou construir uma carreira internacional no país. A medida, divulgada inicialmente pela Fox News e confirmada por comunicações do Departamento de Estado, passa a valer a partir de 21 de janeiro, por tempo indeterminado, e mira exclusivamente quem busca residência permanente.

A justificativa apresentada é reforçar o controle sobre o chamado "public charge" — conceito usado para avaliar se o imigrante pode se tornar um ônus financeiro para o Estado americano ao depender de benefícios sociais.

Apesar do impacto do anúncio, a resposta para quem está fora ou dentro dos Estados Unidos não é única. O efeito da nova regra varia conforme o tipo de visto e o objetivo da ida ao país.

Quem será impactado

Segundo Vinícius Bicalho, advogado de imigração licenciado nos Estados Unidos e radicado em Orlando há 12 anos, a suspensão atinge os vistos de imigrante — aqueles que levam ao green card, a residência permanente no país.

“Os Estados Unidos têm cerca de 190 tipos de vistos, divididos entre imigrantes e não imigrantes. O que está no radar agora são os vistos de imigrante, para quem quer residir permanentemente no país”, afirma o advogado que hoje conta com 90% dos casos voltados para visto de imigração.

Entram nesse grupo:

  • profissionais que buscam residência definitiva;
  • empreendedores e investidores que aplicam para green card;
  • familiares de cidadãos americanos ou residentes permanentes (principalmente idosos e pessoas que podem precisar usar o sistema de saúde americana);
  • pessoas em fases finais do processo, com entrevistas já agendadas ou próximas da conclusão.

No escritório de Bicalho, o impacto é direto: 90% dos casos trabalhados hoje envolvem vistos de imigração. “É um perfil que cresceu muito nos últimos anos, especialmente de brasileiros qualificados, empreendedores e investidores”, diz.

Veja também: Quem é o brasileiro que vai liderar a Heineken nos EUA

Quem não será impactado

A boa notícia é que vistos temporários seguem válidos. Isso inclui:

  • turismo;
  • estudo, inclusive cursos de inglês;
  • trabalho temporário;
  • vistos de negócios de curta duração.

“Para estudante, turista ou quem vai trabalhar temporariamente, nada muda neste momento. Esses vistos continuam sendo processados normalmente”, afirma o advogado.

Na prática, isso significa que ter uma experiência internacional ou iniciar uma carreira fora do Brasil ainda é possível, desde que o plano não envolva residência permanente imediata.

Por que o Brasil entrou na lista

A inclusão do Brasil surpreendeu especialistas. De acordo com Bicalho, os dados não sustentam o argumento de que brasileiros representariam maior custo ao Estado americano.

“O perfil do imigrante brasileiro melhorou muito nos últimos anos, com mais qualificação profissional. Além disso, o índice de overstay — quando a pessoa permanece além do tempo permitido — é inferior à média mundial”, afirma.

Mesmo assim, o Brasil passou a integrar uma lista que reúne cerca de um terço dos países do mundo, o que reforça o caráter político e comunicacional da decisão.

No escritório de Vinícius Bicalho, advogado de imigração licenciado nos Estados Unidos e radicado em Orlando há 12 anos, o impacto é direto: 90% dos casos trabalhados hoje envolvem vistos de imigração (Bicalho Advogados/Divulgação)

O que acontece com quem já está no processo

Os processos de green card costumam levar anos. Por isso, o impacto imediato recai principalmente sobre quem:

  • já passou por todas as etapas;
  • aguarda entrevista consular;
  • estava próximo da emissão do visto.

“Os processos continuam tramitando, mas a emissão do visto pode ficar suspensa ao final”, afirma Bicalho. Ainda não há definição se entrevistas já marcadas serão mantidas ou canceladas — tudo depende da formalização da norma, que ainda não foi publicada.

A medida pode ser revertida?

Há possibilidade de questionamento judicial. Segundo o advogado, decisões semelhantes anunciadas pelo governo do presidente Donald Trump no passado acabaram barradas pelo Judiciário.

“Muitas medidas criam caos na comunidade imigrante, mas não avançam porque ultrapassam os limites legais do Executivo”, diz. Para ele, o impacto econômico da imigração também pesa contra restrições amplas.

“A história dos Estados Unidos é indissociável da imigração. Quase metade dos líderes da Fortune 500 são imigrantes.”

Veja também: Criando pontes: essas brasileiras hoje vivem nos EUA e têm como missão ajudar novos imigrantes

O que muda para quem sonha com uma carreira internacional ou imigração

O novo bloqueio não fecha a porta para quem deseja estudar, ganhar experiência profissional ou circular internacionalmente. Mas aumenta a incerteza para quem planeja se estabelecer de forma definitiva nos EUA.

Enquanto o governo americano não publica a norma oficial, a recomendação do advogado é cautela, acompanhamento próximo do caso e planejamento jurídico.

"Em um cenário de decisões rápidas e comunicação antecipada, o sonho americano segue possível — mas, para alguns perfis, agora exige ainda mais estratégia", afirma.

Veja também: Como brasileiros estão empreendendo com sucesso nos EUA

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