Carreira

Estes itens ajudam a medir a sua satisfação profissional

Você pode descobrir que está menos satisfeito do que imagina, ou vice-versa

Checklist: avalie alguns fatores que têm impacto direto na satisfação profissional (Thinkstock/AndreyPopov)

Checklist: avalie alguns fatores que têm impacto direto na satisfação profissional (Thinkstock/AndreyPopov)

Camila Pati

Camila Pati

Publicado em 8 de abril de 2016 às 11h00.

São Paulo - Você está satisfeito no seu ambiente de trabalho? Responder sim ou não impulsivamente, sem fazer uma reflexão mais demorada, pode indicar muito mais o seu humor no dia do que o real nível de felicidade profissional.

Uma conclusão mais consistente passa obrigatoriamente pela análise de uma série de itens e muitos deles estão diretamente relacionados também ao espaço físico de trabalho.

Uma pesquisa recente encomendada à Ipsos pela Steelcase, empresa de móveis corporativos, com 810 profissionais no Brasil trouxe uma série de questionamentos ligados a engajamento e qualidade de vida a profissionais dos setores público privado e de todos os níveis hierárquicos e comparou dos dados com respostas de mais 12 mil pessoas em 17 países: França, Alemanha, Bélgica, Holanda, Espanha, Reino Unido, Polônia, Rússia, Turquia, Estados Unidos, Índia, China, México, Canadá, Emirados Árabes, Arábia Saudita e África do Sul.

“Muito mais do que buscar uma resposta simples sobre a satisfação e o engajamento, a pesquisa traz uma série de perguntas que saem do simples questionamento se a pessoa se sente bem ou não no ambiente de trabalho”, diz Flávio Batel, country manager da Steelcase no Brasil.

Ele explica que a satisfação profissional depende até mais do ambiente de trabalho do que da execução da atividade propriamente dita. Os cases de sucesso, as empresas que conseguiram criar ambientes de trabalho motivadores, ocorrem pelas mãos dos líderes das empresas.

A iniciativa, diz, é ligada à estratégia da empresa e muitos diretores e presidentes já perceberam o impacto do ambiente na produtividade e motivação dos profissionais. “Os executivos brasileiros estão mais atentos às questões que envolvem os ambientes de trabalho”, diz Batel.

Confira alguns dos questionamentos da entrevista que podem ajudá-lo a refletir sobre sua própria satisfação profissional:


I- Seu ambiente de trabalho permite:

1. Socializar e ter conversas informais com colegas: 80% dos brasileiros entrevistados podem fazer isso e 75% dos profissionais de outros países também.

2. Movimentar-se durante o dia: 77% dos entrevistados no Brasil podem se movimentar ao longo do expediente pela empresa. Entre os 17 países o índice também foi de 77%.

3. Mover-se fisicamente de lugar e mudar de postura: 77% dos brasileiros disseram que é possível e 75% dos entrevistados em 17 países também.

4. Acomodar visitantes em locais apropriados: 72% disseram que existem acomodações apropriadas para receber visitantes em seus locais de trabalho. Índice maior do que o percentual entre os 17 países que foi de 66%.

5. Concentrar-se facilmente. Setenta por cento dos brasileiros disseram que conseguem manter o foco em seus locais de trabalho. Entre os profissionais de 17 países, o índice foi um pouco menor, de 66%.

6. Ter acesso a informações da empresa em tempo real: a pesquisa mostra que 69% dos entrevistados brasileiros participantes têm esta possibilidade. Entre os 17 países o percentual é ligeiramente inferior, 69%.

7. Expressar-se e compartilhar ideias. Entre os brasileiros, 69% encontram espaço no trabalho para dividir insights com colegas. O índice medido no grupo dos profissionais dos 17 países foi de 66%.

8. Sentimento de pertencimento à organização e à sua cultura. Sessenta e nove por cento dos brasileiros entrevistados têm esta sensação e 66% dos profissionais de outros países.

9. Trabalhar em equipe sem interrupção. São 61% dos entrevistados brasileiros que disseram que conseguem desenvolver atividades em grupo em ambiente sem distração. O índice foi de 58% entre os profissionais dos 17 países participantes da pesquisa.

10. Compartilhar resultados e dados gerais de projetos. O levantamento mostra que 58% dos brasileiros têm esta possibilidade. Entre os não-brasileiros, o índice é de 61%

11. Ficar calmo e relaxado. Não-brasileiros foram um pouco mais numerosos (59%) entre os que afirmaram que seus ambientes de trabalho permitem isso do que os brasileiros (58%).

12. Acomodar funcionários que geralmente trabalham remotamente. Novamente brasileiros ficam atrás dos profissionais estrangeiros: 56% contra 55%.

13. Escolher onde trabalhar dentro do escritório. Estrangeiros (51%) têm ligeiramente mais liberdade de escolha do que os brasileiros segundo a pesquisa (47%)

II -Como você se sente em relação ao trabalho


1. Conectado com seus colegas. Quase 80% dos brasileiros compartilham este sentimento de conexão com seus pares no trabalho. No mundo, o índice foi de 76%.

2. Orgulhoso da empresa em que trabalha. Se no mundo, 69% dos entrevistados sentem orgulho de seus empregadores, no Brasil o índice sobre para 75%.

3. Em geral, vai trabalhar feliz. Brasileiros se mostraram um pouco mais alegres: 73% afirmaram que vão, sim, feliz para o trabalho, em geral. Entre os estrangeiros, o percentual foi de 71%.

4. Valoriza a cultura da empresa. De acordo com a pesquisa, 72% dos brasileiros valorizam a cultura de seus empregadores e 63% dos profissionais estrangeiros também.

5. Recomendaria a empresa a algum amigo? Setenta por cento dos brasileiros e 63% dos profissionais entrevistados em 17 países responderam sim a esta pergunta da pesquisa.

6. Concorda com a estratégia e com as diretrizes da empresa. O índice de entrevistados que endossam os planos e táticas adotados por suas empresas foi de 63% entre brasileiros e estrangeiros.

7. Está motivado para trabalhar. No quesito motivação, os brasileiros perdem para os estrangeiros: 62% afirmaram estar motivados no Brasil contra 68%, nos outros 17 países em que a pesquisa foi feita.

8. É otimista sobre o futuro de carreira na empresa. Brasileiros são ligeiramente mais positivos do que os estrangeiros em relação ao que está por vir na carreira dentro da empresa. Sessenta e dois por cento disseram ser otimistas contra 60% dos estrangeiros.

III- Como avalia o seu empregador:

1. A empresa encoraja o trabalho colaborativo e em equipe. Entre os estrangeiros o índice de entrevistados que concorda com esta afirmação foi de 68%, maior do que o percentual de brasileiros, de 64%.

2. A empresa consegue tirar o seu melhor. Percentuais parecidos na comparação entre brasileiros e estrangeiros: 62% concordaram por aqui, e 63% nos 17 países da pesquisa.

3. A empresa dá importância para a saúde dos seus funcionários. Empresas foram melhor avaliadas neste ponto nos 17 países do que no Brasil:62% contra 58%

4. A empresa encoraja a iniciativa. Mesmo resultado do item 3: 58%% dos brasileiros concordaram com a afirmação e 62% dos estrangeiros também.

5. A empresa reconhece e valoriza os funcionários. Mais uma vez o percentual maior de pessoas que concordam com a afirmação surge entre os estrangeiros: 56% contra 54% dos profissionais em território nacional.

Qual a nota para a qualidade de vida no seu trabalho?

Em uma escala de 0 a 10, qual o seu índice de qualidade de vida, tendo em vista a análise desta série de tópicos? Se a sua nota é entre 6 e 7, você está junto com a média no Brasil e no mundo. Entre os brasileiros, a nota média de satisfação foi de 6,8 e a média entre os 17 países pesquisados de 6,6.

Quarenta por cento dos entrevistados deram notas entre 8 e 10, assumindo que estão muito satisfeitos. Entre diretores e gerentes sênior, 53% classificaram a satisfação entre 8 e 10.

Em relação a porte da empresa, nas maiores a satisfação é menor, o índice é de apenas 33%. Já em empresas menores (entre 500 e mil funcionários), 48% estão bem satisfeitos.

Na opinião de Flávio Batel, country manager da Steelcase no Brasil, acomodar e proporcionar qualidade de vida em ambientes de trabalho com milhares de funcionários é um desafio e os números mostram o tamanho do problema.

“Para acomodar milhares de profissionais, geralmente o modelo de ambiente acaba sendo mais do mesmo, com poucas opções para trabalhar de maneira diferente”, diz. Ambientes com pouca maleabilidade, segundo ele, tem impacto direto na motivação e percepção de qualidade de vida dos funcionários.

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