Maísa Amaral, co-fundadora da Lerian e uma das executivas que ajudaram a estruturar a Dock — fintech que se tornou um dos principais unicórnios do Brasil
Redatora
Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 10h58.
Quando uma startup cresce rápido, o risco não é apenas errar na estratégia — é errar na forma de liderar. A pressão por entregas, métricas e performance costuma empurrar líderes para um modelo de comando acelerado, técnico e, muitas vezes, distante das pessoas que constroem o negócio no dia a dia.
Maísa Amaral, co-fundadora da Lerian e uma das executivas que ajudaram a estruturar a Dock — fintech que se tornou um dos principais unicórnios do Brasil — viveu essa transição de perto. Vinda do jurídico e da regulação, ela assumiu sua primeira posição de liderança quando ainda era a única pessoa do time. Anos depois, liderava mais de 25 profissionais no Brasil e no México.
Foi nesse caminho que ela entendeu que alta performance não se sustenta apenas com processos bem desenhados, mas com líderes capazes de executar por meio das pessoas.
A trajetória de Maísa reflete um movimento comum em empresas de crescimento acelerado. A liderança nasce técnica: domínio do assunto, controle de riscos, decisões rápidas. Mas, à medida que o time cresce, esse modelo começa a mostrar limites.
“À medida que a operação foi crescendo, passei a estruturar áreas, criar indicadores e acompanhar performance. Mas percebi que não dava para olhar só para números”, conta.
O ponto de virada veio quando o bem-estar do time passou a ser tratado como um indicador tão relevante quanto eficiência operacional. Não como um discurso abstrato, mas como parte direta da capacidade de execução.
Para Maísa, assumir uma posição de liderança não significou hierarquia moral ou intelectual. “Estar na liderança não me faz melhor que ninguém”, afirma. O papel do líder, segundo ela, é criar condições para que o time avance — não concentrar decisões ou conhecimento.
Na Lerian, startup de infraestrutura financeira open-source investida pelo BoostLab, Maísa passou a liderar também RH e marketing, áreas que ampliaram sua visão sobre execução.
Foi nesse contexto que ela teve o primeiro contato com a metodologia do Na Prática, durante uma palestra para empresas investidas. Ao conhecer a proposta do curso Liderança Transformadora, tomou uma decisão pouco comum e levou todo o time de liderança, do CEO aos gestores de primeira viagem.
Maísa Amaral, co-fundadora da Lerian e uma das executivas que ajudaram a estruturar a Dock — fintech que se tornou um dos principais unicórnios do Brasil
O objetivo era simples e ambicioso ao mesmo tempo: alinhar a forma como todos lideravam pessoas para executar melhor a estratégia.
Um dos principais aprendizados que Maísa e sua equipe incorporaram foi a escuta ativa — não como gesto de empatia isolado, mas como ferramenta concreta de execução.
O efeito foi direto na tomada de decisão. Ao compreender melhor o contexto individual dos profissionais, a liderança passou a direcionar talentos com mais precisão, reduzir ruídos e aumentar engajamento, fatores que impactam diretamente a velocidade e a qualidade das entregas.
Outro ajuste importante foi na dinâmica das reuniões. Antes centradas na liderança apresentando decisões, elas passaram a ser espaços de questionamento e construção coletiva.
“Começamos a ouvir mais quem está construindo a solução. Os insights que vêm da operação são muito mais valiosos do que qualquer hipótese inicial”, afirma.
Esse movimento fortaleceu autonomia, senso de dono e responsabilidade — pilares essenciais para times que precisam executar sob pressão e em ambientes de constante mudança.
Ao longo das dinâmicas do curso, algo ficou claro para Maísa: mesmo líderes experientes carregam inseguranças, lacunas e desafios. Colocar todos no mesmo nível de troca — independentemente do cargo — cria um ambiente mais maduro, mais honesto e mais eficiente.
“Entender que o líder também tem medo, também erra e também aprende muda completamente a dinâmica do time”, resume.
Em um cenário em que empresas precisam fazer mais com menos, liderar bem deixou de ser uma habilidade desejável e se tornou uma competência crítica de execução. Estratégias só saem do papel quando líderes conseguem alinhar pessoas, contexto e propósito.
Para Maísa, a recomendação é direta: “Não precisa ter dúvida. Só faça. É uma experiência realmente valiosa”.
Porque, no fim, alta performance não nasce da pressão constante, nasce da capacidade de liderar pessoas para executar com clareza, autonomia e consistência.
Transformar a forma de liderar não é apenas uma escolha, mas uma necessidade para quem busca crescer na carreira.
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Essa é a oportunidade de se preparar para um mercado em constante mudança, aprendendo com especialistas e empresas que já estão moldando o futuro do trabalho.