Carlos Nissel, Patricia Flórido e Gabriela Varisco, fundadores da Nest. (Divulgação)
Redatora
Publicado em 8 de abril de 2026 às 11h30.
No Brasil, cerca de 20% dos casais enfrentam infertilidade, segundo dados do Ministério da Saúde, mas o acesso a tratamentos permanece um desafio mesmo para quem tem plano de saúde corporativo.
É nesse vácuo que surge a Nest Fertilidade, criada em 2023 pelos médicos ginecologistas Carlos Nissel e Patricia Flórido em parceiria com a executiva Gabriela Varisco para ligar empresas, funcionários e clínicas especializadas.
"Muitos profissionais adiam sonhos ou sofrem em silêncio, impactando diretamente o trabalho", conta Carlos, CEO da Nest, em entrevista exclusiva ao EXAME.
Essa "dor invisível" gera faltas justificadas em alta: um estudo da consultoria Mercer de 2024 aponta que questões de saúde reprodutiva respondem por até 15% das ausências em empresas com mais de 500 funcionários.
"Não somos uma clínica; fazemos a ponte entre empresas, colaboradores e clínicas conveniadas", detalha Gabriela Varisco.
A plataforma oferece conteúdos educativos sobre planejamento familiar, congelamento de óvulos e quando procurar ajuda, preparando o funcionário para consultas.
Eles procuram clínicas sérias, validam protocolos e negociam descontos de até 20%: um tratamento de FIV de R$ 30 mil cai para R$ 25 mil na tabela Nest.Empresas personalizam: subsídios de 100% ou coparticipação (ex.: empresa cobre 70%, funcionário paga R$ 7.500), com reembolso mensal via relatórios médicos – sem burocracia extra para RH. "É viabilização de acesso, não caridade", explica.
"Não é só cuidado; é reconhecer que o colaborador é humano, com ciclos de vida reais", explica Gabriela Varisco. Elas veem nisso uma evolução na gestão de diversidade e equidade de gênero – pautas que, segundo o IBGE, afetam 44% das mulheres em idade fértil no mercado de trabalho.
Por isso, a Nest resolveu ir além: sua plataforma oferece conteúdos educativos sobre fertilidade, curadoria de clínicas e descontos de até 30% via negociações corporativas.
"É como um Gympass, mas para FIV e inseminação", compara Varisco.
Na prática, funcionários acessam webinars, testes iniciais e encaminhamentos personalizados. Para RHs, significa menos interrupções: "Uma colaboradora voltou mais focada após o suporte, sem meses de licenças imprevistas", exemplifica Nissel.
Ainda em fase inicial, a Nest prospecta ativamente – networking, indicações e feiras – pois "empresas não conhecem o benefício; estamos construindo a categoria", admitem.
Educação otimiza uso: evita desperdício em preservação desnecessária e atende até pacientes oncológicos. Para RHs, é win-win: custo indireto baixo (INSS cobre parte da licença), colaborador treinado retorna mais leal.
Regulamentações da ANS limitam parcerias com convênios, mas a independência da Nest mitiga riscos. "Queremos qualidade de vida; empresa colhe frutos sustentáveis", finaliza Carlos Nissel.