Carreira

Ele lidera gigante da construção e revela lição nº 1 para chegar ao topo: ‘Seja o melhor’

De um ano desempregado à liderança de uma das maiores construtoras do país, Ronaldo Motta revisita sua trajetória e explica o princípio que guiou cada movimento de carreira

"O que a gente faz é construir os sonhos que transformam o mundo” (Arquivo Pessoal)

"O que a gente faz é construir os sonhos que transformam o mundo” (Arquivo Pessoal)

Publicado em 13 de abril de 2026 às 15h30.

Última atualização em 13 de abril de 2026 às 16h02.

Quando um executivo alcança o topo de uma organização, a trajetória que o levou até ali quase nunca é linear. Na verdade, é um percurso marcado por desvios e mudanças de rota: passagens por empresas de diferentes portes, setores ora em expansão, ora sob pressão, e decisões tomadas em contextos de incerteza.

Pelo menos foi esse o percurso que marcou a trajetória de Ronaldo Motta, vice-presidente de Engenharia e Produção da MRV, uma das grandes construtoras do país, que já entregou mais de 540 mil chaves em 46 anos. 

“Entrei em 2020. Era, na teoria, a década de ouro. Taxas de juros baixas, déficit habitacional gigante e a MRV como vencedora nesse segmento”, conta o executivo. “Só esquecemos de combinar isso com o Coronavírus”, brinca.

Motta chegou à companhia em um momento desafiador com a missão de liderar a área responsável pela originação de novos negócios e pela transformação de terrenos em empreendimentos. Para ele, é uma missão que o enche de orgulho.  

“Somos, de longe, a empresa que mais construiu casas e apartamentos no Brasil, empregando diretamente mais de 30 mil pessoas. O que a gente faz é construir os sonhos que transformam o mundo”, diz.

Para quem sonha ocupar a posição que Motta ocupa hoje não há fórmulas prontas. Há, para ele, uma combinação de estudo, trabalho e constância. 

Com passagens por telecom, varejo e construção, Ronaldo Motta construiu uma trajetória marcada por transições e revela o fator que sustentou sua ascensão ao topo (Arquivo Pessoal)

“Se você se propõe a fazer alguma coisa, qualquer que seja aquela coisa, seja o melhor fazendo aquilo. Entregue a sua melhor versão. Não espere amanhã para ser a sua melhor versão”, diz.

Antes da construção civil, Motta passou 13 anos no setor de telecomunicações e depois quase quatro anos no varejo, no Grupo Pão de Açúcar (GPA). Pouco depois, desembarcou na MRV. Mas a travessia entre setores não foi simples.

“A transição não aconteceu da forma como eu imaginei. Eu fiquei um ano desempregado”, afirma. Mas, ao olhar para trás, ele enxerga esse período como um divisor de águas. “As transições agora não me assustam mais. Embora a primeira tenha me dado um frio na barriga tremendo. Não foi um mar de rosas, mas foi importante para minha reconexão pessoal e familiar”, afirma.

A volta para a sala de aula

Para Motta, o que sustentou essas mudanças foi a capacidade de saber liderar e aprender. Para o executivo, liderar tem a ver com deixar o lugar melhor do que ele encontrou. Parte dessa visão foi refinada ao longo do SEER, programa avançado da Saint Paul Escola de Negócios para formação de CEOs e conselheiros.

“Eu já fazia algumas coisas, mas sem saber explicar. No SEER, eu entendi que existe método.”

O que o curso fez, segundo ele, foi organizar uma percepção que vinha sendo construída de forma empírica – a de que liderança não se sustenta no que se diz, mas no que se faz. A frase que ele repete, quase como um lembrete pessoal, resume isso: “As suas ações falam tão alto que eu não ouço o que você diz.”

O SEER também reforçou uma leitura que ele já ensaiava: a de que empresas deixaram de operar apenas como unidades econômicas e passaram a ocupar um espaço mais amplo na sociedade. Na MRV, isso se traduz em iniciativas como a alfabetização de trabalhadores nos canteiros de obra.

Consistência e ciclos

No fim, a trajetória de Motta converge para uma visão menos romantizada — e mais concreta — sobre carreira e liderança. Não há atalhos sustentáveis: há trabalho consistente, estudo contínuo e a disciplina de permanecer tempo suficiente para fechar ciclos e, de fato, entregar resultados.

Ao mesmo tempo, sua evolução como líder revela um deslocamento importante — da cobrança pura para o cuidado genuíno com as pessoas. “A gente aprende errando”, reconhece.

Hoje, mais do que metas, ele busca entender quem está por trás delas. É nessa combinação entre execução rigorosa e sensibilidade que, segundo ele, se constrói não só desempenho, mas relações de confiança — e, no longo prazo, organizações que realmente avançam.

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