(Reprodução/LinkedIn)
Redação Exame
Publicado em 9 de dezembro de 2025 às 14h31.
Em silêncio, com método e dados, Cari Tuna e seu marido, Dustin Moskovitz, cofundador do Facebook, estão executando um plano incomum de doar, o mais rápido possível, quase toda a fortuna que acumularam, estimada em mais de US$ 20 bilhões.
Tuna, ex-jornalista, lidera desde 2011 uma das frentes filantrópicas mais estratégicas e influentes do planeta, com investimentos em saúde pública, segurança em inteligência artificial e desenvolvimento de tecnologias emergentes.
O modelo de atuação da fundação do casal, Good Ventures, e da organização Open Philanthropy, revela como o uso de métricas, avaliação de impacto e uma visão de longo prazo se tornaram elementos centrais na nova geração de alocação de capital, e oferecem lições importantes para executivos e profissionais de finanças corporativas que precisam lidar com decisões de grande escala, incerteza e impacto social. As informações foram retiradas da Forbes.
Ao contrário de modelos tradicionais de doação, Tuna e Moskovitz adotam uma abordagem inspirada na filosofia do altruísmo eficaz: identificar, com base em evidências e dados, quais causas têm maior potencial de impacto por dólar investido. A lógica é parecida com a de fundos de investimento, mas o objetivo final é o benefício coletivo, não o lucro.
Essa mentalidade é especialmente relevante para o universo das finanças corporativas, onde decisões de capital precisam cada vez mais considerar critérios como sustentabilidade, impacto social, retorno no longo prazo e risco regulatório.
Tuna financia desde tratamentos contra malária na África até organizações que trabalham com a segurança de modelos de IA em laboratórios como OpenAI, Anthropic e Google.
Entre os aportes mais estratégicos da fundação estão:
US$ 30 milhões na OpenAI (em sua fase sem fins lucrativos, em 2017)
US$ 124 milhões na Anthropic (em 2021), transferidos a uma ONG em 2025 para evitar conflitos de interesse
US$ 307 milhões ao Malaria Consortium
US$ 206 milhões à Evidence Action, que atua com água potável e vermifugação
US$ 103 milhões à Helen Keller Intl, para suplementação de vitamina A
A equipe da Open Philanthropy, presidida por Tuna, avalia cada projeto com base em três critérios: importância, negligência (quantos outros estão atuando naquela causa) e viabilidade (o quanto a doação pode mudar o cenário).
Cada dólar precisa render, no mínimo, o dobro do valor que traria se fosse dado diretamente a uma pessoa nos EUA, essa análise é feita com métricas como os “anos de vida ajustados por incapacidade”, ou DALYs, que medem o impacto real em saúde.
O modelo de Tuna mostra como é possível aplicar princípios de análise quantitativa, estratégia de portfólio e mensuração de impacto na gestão de grandes fortunas. Esse mesmo raciocínio pode, e deve ser adotado por líderes financeiros corporativos, especialmente em empresas que já atuam com ESG, investimentos sociais, ou estruturação de fundos filantrópicos e de impacto.
Além disso, Tuna atua ativamente na influência de políticas públicas: mais de US$ 3 milhões foram doados a atividades de lobby em 2025 para fomentar regulação segura da IA.
O Open Philanthropy também se dedica a modelar cenários futuros e mapear riscos emergentes, um esforço que pode servir de referência para departamentos de risco e compliance corporativos.
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