Pedro Zannoni, CEO da Lacoste América Latina: “Mercados como o Brasil têm muita volatilidade. A capacidade de se adaptar é fundamental” (Leandro Fonseca /Exame)
Repórter
Publicado em 14 de março de 2026 às 08h04.
Última atualização em 15 de março de 2026 às 14h24.
Antes de assumir o comando da Lacoste na América Latina, Pedro Zannoni passou boa parte da juventude dentro de quadras de tênis.
Argentino de nascimento, ele se mudou ainda criança para o Brasil e começou a jogar aos 10 anos. O esporte rapidamente deixou de ser apenas uma atividade extracurricular e se tornou uma carreira promissora. Na adolescência, chegou a disputar campeonatos nacionais e sul-americanos e foi campeão mundial juvenil por equipes em 1993 ao lado de jogadores como Gustavo Kuerten.
A carreira como atleta profissional, no entanto, terminou cedo, aos 19 anos, após dificuldades financeiras familiares. Foi então que Zannoni decidiu mudar de caminho e entrou no mundo corporativo, primeiro na Wilson, depois em empresas como Puma, Adidas e Asics, até chegar à Lacoste, onde hoje é CEO da operação latino-americana.
Ao olhar para trás, ele diz que muito do que aplica na liderança veio diretamente das quadras.
“O esporte me trouxe várias competências que utilizo até hoje no dia a dia como executivo”, afirmou ao podcast De Frente com CEO, da EXAME.
Segundo ele, algumas dessas habilidades foram fundamentais para construir sua carreira.
No esporte de alto rendimento, disciplina não é opcional. Horários de treino, descanso, alimentação e preparação física fazem parte da rotina.
Essa lógica também se aplica à liderança, diz Zannoni.
“Disciplina é super importante. No tênis você precisa saber seus horários de treinamento, de descanso, como se alimentar. Como executivo, você precisa disso também para enfrentar o dia a dia”, afirma.
Para ele, manter organização e rotina é essencial para lidar com agendas intensas, decisões estratégicas e a pressão constante do mundo corporativo.
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Outra habilidade que o tênis ensinou ao executivo foi a capacidade de adaptação, algo especialmente importante para quem lidera negócios em mercados voláteis como o Brasil e a América Latina.
“Mercados como o Brasil têm muita volatilidade. A capacidade de se adaptar é fundamental”, diz.
Ele lembra que essa habilidade também foi importante no início da carreira corporativa, quando precisou sair de um ambiente esportivo e se adaptar à rotina de escritório.
Talvez o aprendizado mais importante do tênis para o mundo dos negócios seja lidar com perdas e frustrações.
No circuito profissional, perder faz parte da regra.
“Nos grandes torneios, 128 jogadores entram e apenas um ganha. Todo mundo perde em algum momento”, afirma.
Segundo ele, o segredo está em transformar cada derrota em aprendizado, e seguir em frente rapidamente.
“No tênis você perde e já precisa pensar na próxima semana. O que aprendi daqui? Como eu melhoro? Nos negócios é a mesma coisa.”
Embora o tênis seja considerado um esporte individual, Zannoni afirma que ninguém chega longe sozinho.
Por trás de um atleta existe sempre um time: treinadores, família, patrocinadores e equipe de apoio.
Esse aprendizado também se reflete na forma como ele conduz a liderança.
“O tênis parece individual, mas se você não tem um time por trás, você não consegue render tudo aquilo que pode”, afirma.
Hoje, como CEO, ele acredita que o sucesso depende diretamente da capacidade de construir equipes fortes.
“Times são fundamentais para entregar os resultados que você almeja.”
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Para Zannoni, o esporte de alto rendimento funciona como uma verdadeira escola de liderança.
Disciplina, resiliência, adaptação e espírito de equipe são competências que, segundo ele, atravessam tanto as quadras quanto o mundo corporativo.
E essa mentalidade continua guiando sua carreira.
“Tudo o que o esporte de performance ensina, eu uso hoje no meu dia a dia como executivo”, afirma.
Veja a entrevista completa de Pedro Zannini no podcast "De frente com CEO", da EXAME: