Carreira

Do "sobreviver" ao "liderar": evento coloca empreendedorismo feminino no centro do debate econômico

Primeiro Summit Mulheres nas Profissões reúne 15 mil pessoas em SP; Tebet e Marina debatem política e o Sebrae leva crédito e IA para empreendedoras

Luiza Helena Trajano, à frente do Grupo Mulheres do Brasil, agora estreia Summit Mulheres nas Profissões. (Leandro Fonseca )

Luiza Helena Trajano, à frente do Grupo Mulheres do Brasil, agora estreia Summit Mulheres nas Profissões. (Leandro Fonseca )

Publicado em 4 de agosto de 2026 às 16h59.

A defesa de mais mulheres no poder, na política e à frente dos próprios negócios, marca a primeira edição do Summit Mulheres nas Profissões, no Expo Center Norte, em São Paulo.

Idealizado por Luiza Helena Trajano, presidente do conselho da Magazine Luiza e do Grupo Mulheres do Brasil, o encontro reuniu cerca de 15 mil pessoas nesta terça-feira, 4, e segue até quarta, 5, com programação voltada à liderança feminina, ao mercado de trabalho, à inovação e ao empreendedorismo.

A meta do movimento é clara: chegar a 50% de mulheres em altos cargos até 2030.

Ao todo, o summit passa por mais de 100 nomes de diferentes áreas. Entre eles, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF); a filósofa Djamila Ribeiro; a ginasta Daiane dos Santos e a psicanalista Vera Iaconelli.

Tebet e Marina dão o tom da abertura

Diante de uma plateia lotada, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), pré-candidatas ao Senado por São Paulo, puxaram o debate que dominou a manhã: por que as mulheres ainda ocupam tão pouco espaço na política e o que trava sua chegada ao poder.

Tebet contou fazer parte de uma geração que aprendeu a se manifestar sem ser ouvida. "Nós tínhamos voz, mas não tínhamos vez", disse, ao descrever episódios de machismo na carreira.

Para ela, quem chega ao topo carrega uma responsabilidade que não termina na própria trajetória. "Não adianta alcançar o ápice, se outras mulheres não vierem", afirmou.

A senadora defendeu mais representação, só haverá transformação real, argumentou, quando os parlamentos brasileiros tiverem metade de mulheres, e fez duras críticas ao avanço da extrema direita, que acusou de usar as redes para tornar meninos mais conservadores "no mau sentido".

Marina Silva puxou o fio por outro ângulo: o das desigualdades entre as próprias mulheres. As barreiras, disse, não são as mesmas para todas: para quem é negra ou de origem humilde, "as dificuldades são maiores".

A ex-ministra lembrou ainda que os obstáculos aparecem muito antes dos cargos de comando, na hora de empreender, acessar crédito ou disputar uma eleição. "As estruturas não foram feitas para nós", resumiu.

A cantora Fafá de Belém, que também participou da abertura, aproveitou o palco para criticar a polarização política que divide o País e defender a reconstrução do diálogo.

Ela lamentou que as diferenças ideológicas estejam rompendo laços pessoais. "Nós temos ideologias diferentes, isso destruiu amizades, famílias", declarou. "Precisamos unir este País: não é nós e eles", completou.

Sebrae aposta em crédito e IA para empreendedoras

Entre as instituições presentes, o Sebrae Nacional levou ao summit sua agenda de empreendedorismo feminino, com números para sustentá-la. A diretora Margarete Coelho participou da cerimônia oficial de abertura, e a instituição montou estande próprio ao longo dos dois dias de evento.

O tom das discussões apareceu já no título do painel que o Sebrae levou à Arena Rosa, na tarde desta terça: "Quando empreender deixa de ser apenas sobreviver".

A gerente nacional de Empreendedorismo Feminino, Diversidade e Inclusão, Geórgia Nunes, defendeu a virada de chave de um empreendedorismo de subsistência para um caminho de crescimento econômico e liderança.

No centro dessa estratégia está o crédito. O Fampe Mulher, linha de garantia voltada a empreendedoras, já beneficiou mais de 40 mil mulheres e viabilizou mais de R$ 1 bilhão em financiamento, segundo o Sebrae.

A instituição também apresenta o programa Sebrae Delas e o Projeto Crescimento Sustentável, que usa inteligência artificial para ajudar pequenos negócios a adotar práticas ESG e a conquistar o Selo ESG Sebrae.

A programação do Sebrae segue na quarta-feira, 5. Às 10h45, Geórgia Nunes participa do podcast do Summit, com foco na preparação de micro e pequenas empresas para oportunidades como a Copa do Mundo Feminina de 2027.

Às 11h30, na Arena Verde, Margarete Coelho e Luiza Helena Trajano dividem o painel "Elas não abriram apenas negócios. Abriram caminhos.", ao lado de Ana Fontes e de Adriana Barbosa, da Feira Preta, com mediação de Alice Coutinho.

Nos dois dias, o estande institucional oferece atendimento gratuito de consultoras a empreendedoras e potenciais empreendedoras, exposição de empresárias apoiadas pela instituição e ativações da marca, entre elas o espaço Wiki Delas, dedicado a conteúdos e iniciativas de empreendedorismo feminino.

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