C-levels de RH membros e convidados do Clube CHRO do Rio de Janeiro da EXAME Saint Paul In Company (Márcio Mercante/Exame)
Editor de Negócios e Carreira
Publicado em 1 de março de 2026 às 17h49.
Última atualização em 2 de março de 2026 às 16h09.
A busca por resultado e eficiência costuma dominar a agenda dos líderes de RH. Mas, no primeiro Clube CHRO EXAME de 2026 no Rio de Janeiro, o ponto de partida foi outro: origem, sonho e estudo.
A edição de fevereiro reuniu executivos de Recursos Humanos na capital fluminense para um jantar com Renato da Costa Lima, Head de Gestão de Riscos e Líder de Diversidade & Inclusão na Foresea, empresa de perfuração offshore com base no Rio.O Clube CHRO do Rio de Janeiro conta com patrocínio do iFood Benefícios.
Com mais de 35 anos de carreira no setor petroquímico, óleo & gás e energia, Renato falou menos sobre tecnologia e mais sobre pessoas.
Ele conectou a própria trajetória — da infância em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, à liderança de operações em alto-mar — ao que chama de “jornada para a excelência”.
“Eu venerei três profissões a vida inteira: o professor, o médico e o profissional de RH”, afirma.
Para ele, essas três funções sustentam a base de qualquer organização: educação, saúde e capacidade de sonhar.
“O professor molda uma sociedade. O médico cuida da gente no momento de maior vulnerabilidade. E o RH tem a missão fantástica de transformar empresas e a própria sociedade”, diz.
Renato contou que cresceu em uma família sem formação escolar formal. A mãe repetia um alerta simples: “Se você não estudar, vai puxar carroça”.
“Eu não tinha capacidade de sonhar grande. Meu sonho era do tamanho da rua onde eu brincava”, afirma.
Ele diz que, no começo, não tinha um projeto próprio de futuro. “Eu abracei o sonho da minha mãe. Ela dizia que o caminho era estudar. Então eu estudei”, diz.
O foco o levou à graduação em Engenharia Química pela UFRJ. Depois vieram pós-graduação, MBA e experiências fora do país. “A educação foi a ferramenta concreta para mudar minha vida”, afirma.Outro ponto que marcou sua formação foi a figura de um tio, homem negro, nordestino, que se formou advogado.
“Eu lembro dos sapatos dele, sempre brilhando. Aquilo virou uma referência para mim. Eu pensava: é possível”, diz.
Para Renato, ter referências visíveis ajuda a sustentar o esforço no longo prazo.
“Você precisa de um símbolo. Para mim, foi aquele sapato brilhante”, afirma.
Ao falar de gestão, Renato trouxe essa experiência pessoal para dentro das companhias que liderou.
“Você é do tamanho do seu sonho. Se o sonho é pequeno, você vai ser pequeno. Se o sonho é grande, você cresce”, afirma.
Hoje na Foresea, empresa de perfuração em águas profundas, ele lida com equipes embarcadas por 14 dias em navios-sonda, em ambiente de alto risco. “Não é só tecnologia. É gente confinada, longe da família, operando equipamento pesado”, diz.
Segundo ele, a transformação da empresa passou por essa mudança de foco.
“A gente saiu de uma situação muito difícil para liderar em resultado no setor. Isso não veio só de investimento. Veio de gente”, afirma.
Para Renato, o papel do RH é criar as condições para que as pessoas consigam sonhar dentro da organização.
“A atitude mais importante dentro de uma empresa é permitir que as pessoas sonhem com uma condição melhor”, diz.
Ele também relaciona esse ponto à diversidade. “Quando você amplia diversidade, você amplia referência. Você mostra que é possível”, afirma.
Renato organizou sua fala em três pilares: educação, saúde e sonho.
Sobre saúde, ele foi direto: “Sem saúde, você não sustenta excelência. Pode ter o melhor modelo de gestão, não funciona”.
No caso da educação, ele reforçou o peso da formação técnica, mas também da aprendizagem contínua.
“Conhecimento é o que dá base para tomar decisão sob pressão”, afirma.
O terceiro ponto, o sonho, aparece como força interna. “As coisas não acontecem por acaso. A gente precisa ter propósito. Quando você trabalha com a sua verdade, você sustenta resultado”, diz.
Ele alertou para o risco de atuar desconectado da própria história. “Se você tenta ser outra pessoa, você entra em colapso. E pode levar a empresa junto”, afirma.
Na Foresea, além da gestão de riscos, Renato lidera a frente de Diversidade & Inclusão. Para ele, o tema não é discurso, mas prática ligada a resultado.
“Empresa que quer excelência precisa olhar para o ser humano integral”, afirma.
Ele relaciona o debate à própria experiência. “Eu sou fruto de oportunidade e de referência. Se eu não tivesse visto que era possível, talvez não tivesse insistido”, diz.
Para o público de CHROs, a mensagem foi direta. “Vocês têm uma missão gigantesca. O RH não é área de apoio. É área de transformação”, afirma.
O encontro marcou a primeira edição de 2026 do Clube CHRO EXAME no Rio de Janeiro. Ao longo da conversa, Renato alternou números da carreira com lembranças da infância.
“Minha mãe dizia que a missão dela era educar os filhos. Quando eu terminei o mestrado, uma semana depois ela faleceu”, conta.
Ele diz que carrega essa memória como norte. “Eu aprendi que propósito não é frase bonita. É prática diária”, afirma.
Ao encerrar a fala, voltou ao ponto inicial.
“Excelência não nasce de planilha. Nasce de gente que acredita que pode ir além”, diz.
O evento contou com a presença de nomes de peso no cenário corporativo brasileiro, com representantes de empresas como: