Carreira

De Paçoquita a Studio Z: o conselho que 35 anos de carreira não ensinaram

Depois de 35 anos como CEO de marcas como Paçoquita e Studio Z, ele diz que a lição mais marcante da carreira veio de um curso, não da cadeira de executivo

Gino Di Domenico, board advisor da Castelo Alimentos

Gino Di Domenico, board advisor da Castelo Alimentos

Publicado em 31 de agosto de 2026 às 17h09.

Última atualização em 1 de setembro de 2026 às 17h20.

Priorizar nos meus resultados Google

Gino Di Domenico cresceu ouvindo línguas diferentes em casa. Filho de um italiano nascido no Peru e criado no Brasil, casado com uma americana filha de mineiro baiano com húngara, pai de duas filhas brasileiras, ele resume a própria origem como "mistura fina". 

"Não sou brasileiro de nascimento, sou de coração", diz. Foi essa vivência entre culturas diferentes, segundo ele, que moldou a forma como aprendeu a ouvir o outro antes de decidir.

Depois de 35 anos de carreira executiva, 15 deles como CEO de marcas como Paçoquita e Studio Z, Di Domenico afirma que uma das lições mais marcantes de sua trajetória não veio de nenhuma dessas experiências corporativas, mas de um curso que fez neste ano, o SEER, da Saint Paul Escola de Negócios

Engenheiro de formação, ele diz ter construído a carreira em um ambiente "muito mais lógico do que humano". Foi o módulo do curso realizado em Ouro Preto, em Minas Gerais, que trouxe a ele, segundo suas próprias palavras, um entendimento novo sobre empatia.

Da consultoria ao comando de marcas de bens de consumo

A trajetória de Di Domenico começou na consultoria, na Arthur Andersen, antes de ingressar na Unilever, onde passou 12 anos, dez deles em operações da área de alimentos. Em 2007, migrou para empresas familiares e assumiu a presidência da Schincariol. 

Em 2015, deixou a cadeira de CEO da Brasil Kirin e montou, com dois sócios, uma boutique voltada à reestruturação e fusões e aquisições, atuando como operating partner em negócios de médio porte.

Foi também em 2015 que fez sua formação em governança pelo IBGC e começou a integrar conselhos de administração, primeiro em uma indústria farmacêutica e em uma empresa de tecnologia, depois na CRS Brands, onde permaneceu por anos. Ele teve ainda duas passagens como presidente executivo durante a pandemia. 

Uma foi no Studio Z, marca de calçados do sul do país, onde conduziu a transformação da empresa de "sapataria" para uma companhia de calçados e moda. A outra foi na Santa Helena Alimentos, dona de marcas como Paçoquita, Mendorato e Crokíssimo, entre janeiro de 2024 e outubro de 2025.

À frente da Santa Helena, ele liderou a reformulação da estratégia comercial e do posicionamento das marcas de uma empresa que fatura cerca de R$ 1 bilhão por ano e está presente em dezenas de milhares de pontos de venda. O trabalho resultou em um aumento de 5 pontos percentuais na margem bruta e um crescimento de mais de 50% no lucro em dois anos, segundo ele.

Atualmente, Di Domenico atua em conselhos, entre eles o da Castelo Alimentos, uma empresa de snacks com sede no centro oeste, e o comitê patrimonial, e o comitê patrimonial da Fundação FEAC.

Do comando à recomendação

Para Di Domenico, a passagem de CEO para conselheiro trouxe uma mudança na forma de decidir. "Em um conselho de administração você não põe as mãos, você põe o nariz, os olhos e os ouvidos", diz. 

Segundo ele, o papel do conselheiro é recomendar caminhos e olhar para as pessoas envolvidas na gestão do dia a dia, sem operar a companhia. "O foco tem que ser de médio e longo prazo. Se eu puder usar uma figura de linguagem, é como andar para frente olhando para frente e não para o chão", afirma.

Inteligência artificial como meio, não fim

Na Semalo, onde dedica de 30% a 40% do seu tempo a um projeto de transformação que envolve posicionamento de marcas, sortimento, modelo de distribuição e estratégia comercial, Di Domenico diz recorrer diariamente a ferramentas de inteligência artificial, do ChatGPT ao Claude, passando pelo NotebookLM. 

"Nas companhias anteriores, onde eu demorava um ano, talvez um ano e meio, para executar um trabalho de transformação e ter o resultado, você multiplica por quatro, cinco vezes a velocidade", diz.

Ainda assim, ele descreve o processo de decisão como analógico antes de ser digital. Na Castelo Alimentos, a equipe monta uma sala com cerca de 30 flipcharts para desenhar a estratégia no papel antes de recorrer à tecnologia. 

"O modelo mental é criado de forma analógica, sinestésica, junto com a ferramenta. Depois que a gente entendeu o que queria fazer, como e com quem, aí desenvolvemos ferramentas de IA para acelerar o resultado", diz.

O conselho que a carreira não deu

Ao decidir investir em formação no início deste ano, Di Domenico escolheu o SEER, cujo currículo inclui uma imersão em Ouro Preto. Ele diz que o módulo trouxe um entendimento novo sobre a interiorização da colonização brasileira, marcada pela presença de diferentes culturas na região a partir dos séculos XVI e XVII, e sobre como esse processo moldou a forma de pensar do brasileiro. "Eu sou engenheiro de formação, sempre uma carreira muito mais lógica do que humana", diz, ao explicar por que o insight o marcou.

Uma palavra resumiu a experiência para ele: empatia. "Como é que o brasileiro, ao longo desses últimos anos, perdeu um pouco o sentido e a importância de ser empático, de ter empatia pelo outro", diz. Para Di Domenico, empatia é entender o ponto de vista do outro, um princípio que também vale nas relações de trabalho, em empresas grandes ou pequenas.

"O conteúdo do curso, apoiado em neurociência, filosofia e psicologia, não mudou de forma radical a maneira como decide, mas amadureceu processos que antes eram intuitivos"Gino Di Domenico, board advisor da Castelo Alimentos

"As coisas vêm se somando ao longo da vida. É uma experiência que eu levo para o dia a dia do trabalho, talvez com mais consciência daquilo que antes eu fizesse de forma intuitiva", diz. 

Depois de 35 anos tomando decisões à frente de grandes operações, Di Domenico credita a um curso, e não à própria carreira, o entendimento mais recente sobre o que sustenta uma decisão.

O SEER, Programa Avançado para CEOs, Conselheiros e Acionistas da Saint Paul Escola de Negócios, tem carga horária de 124 horas, aulas mensais em formato presencial e online ao vivo, e inclui a imersão em Ouro Preto citada nesta reportagem. As inscrições para a próxima turma estão abertas

Acompanhe tudo sobre:Branded MarketingHigh Impact ProgramsSEER

Mais de Carreira

74% dos recrutadores dizem identificar currículo feito por IA, e reprovam por isso

Formada na auditoria, head técnica amplia seu papel na liderança financeira da Webmotors

Falta de experiência trava a carreira de 1 em cada 7 jovens, mostram dados do mercado

Quatro sinais de inteligência emocional que podem acelerar sua carreira