Inteligência artificial: conselhos precisam calibrar velocidade, risco e estratégia diante da IA.
Redatora
Publicado em 29 de setembro de 2026 às 15h39.
Última atualização em 29 de setembro de 2026 às 16h21.
RESUMO | Empresas com conselhos fluentes em tecnologia digital e IA têm retorno sobre o patrimônio 10,9 pontos percentuais acima da média do setor, segundo o MIT CISR. Ainda assim, só 20% das empresas do S&P 500 informavam em 2024 ter ao menos um conselheiro com experiência em IA. Entre os critérios de um conselheiro preparado estão entender o impacto da tecnologia no negócio, saber o que perguntar à gestão e enxergar o risco além da TI.
A inteligência artificial passou a pesar na escolha de quem ocupa uma cadeira de conselho. Um estudo do MIT Center for Information Systems Research (CISR) com grandes empresas americanas mostra que as companhias com conselhos fluentes em tecnologia digital e IA têm retorno sobre o patrimônio 10,9 pontos percentuais acima da média do setor. As empresas sem essa competência ficam, em média, 3,8 pontos abaixo.
Os conselhos já perceberam a diferença. Em pesquisa da Deloitte com cerca de 700 conselheiros e executivos de 56 países, 40% afirmam estar repensando a composição do board por causa da IA.
No mesmo levantamento, 66% dizem que seus conselhos têm pouco ou nenhum conhecimento sobre a tecnologia.
Isso levanta uma pergunta prática para acionistas, presidentes de conselho e executivos que querem ocupar uma cadeira: o que, afinal, indica que um conselheiro está preparado para a era da IA?
O conselheiro com experiência em IA ainda é raro. Segundo a ISS-Corporate, apenas 20% das empresas do S&P 500 informavam, em 2024, ter pelo menos um conselheiro com experiência na tecnologia. Em 2022, eram 11%.
Um relatório da Conference Board, de abril de 2026, mostra a mesma distância. Entre 2023 e 2025, a parcela de empresas do S&P 500 que citam a IA como risco saltou de 12% para 83%. Mesmo assim, só 21% dos executivos ouvidos pretendem incluir no board novos conselheiros com experiência específica em IA ou tecnologia.
Ou seja, o risco já foi reconhecido, mas a competência para supervisioná-lo ainda não chegou ao conselho.
O primeiro critério desfaz um equívoco comum de que o conselheiro preparado para a IA não precisa ser engenheiro nem cientista de dados. O MIT CISR define a competência que procura como a compreensão, construída com experiência e estudo, do impacto que as tecnologias emergentes terão sobre o sucesso das empresas na próxima década.
Na prática, isso significa ter liderado ou acompanhado de perto uma transformação digital, saber reconhecer quando um projeto tem potencial de escala e entender como a tecnologia mexe com o modelo de receita.
O conselho não executa, ele supervisiona. Por isso, a Deloitte, no roteiro de governança de IA que publica para conselhos, afirma que os conselheiros precisam entender a tecnologia o suficiente para fazer as perguntas certas.
Um bom teste é observar como o candidato questiona um projeto de IA apresentado pela gestão. Ele pergunta por métricas de retorno, critérios para encerrar o piloto, origem dos dados e responsáveis? Ou só aprova e comenta que "a empresa precisa inovar"?
A IA ampliou o mapa de riscos que chega ao board: vazamento de dados, ataques com deepfake, vieses em decisões automatizadas e exposição regulatória. No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados prevê multa de até 2% do faturamento, limitada a R$ 50 milhões por infração.
O conselheiro preparado relaciona esses temas à estratégia, em vez de tratá-los como problema técnico. Os dados da Conference Board mostram que ainda há espaço a ocupar: a experiência declarada em cibersegurança entre os conselheiros do S&P 500 chegou a 27% em 2025.
Um erro frequente é contratar um "conselheiro de tecnologia" e deixar o tema só com ele. O próprio MIT CISR só considera um conselho digitalmente preparado quando pelo menos três conselheiros têm essa competência. Com um só, o tema vira nicho, e as decisões continuam sendo tomadas por quem não domina o assunto.
Por isso, o critério vale tanto para os novos membros quanto para os atuais. Na pesquisa da Deloitte, a atualização do conselho aparece ao lado da mudança de composição como resposta à IA.
O PIACC é o Programa de Inteligência Artificial para C-levels, Conselheiros e Acionistas da Saint Paul Escola de Negócios. A formação conecta IA, estratégia e tomada de decisão, com foco em IA generativa e cultura de dados.
O programa é voltado a C-levels, conselheiros, acionistas e líderes que precisam incorporar a IA à estratégia do negócio. O nível é avançado.
O PIACC tem módulos como "Tecnologia e IA nos Conselhos", "Cybersecurity para o board" e "LGPD na era da Inteligência Artificial". A formação também trata de ética, cultura de dados e implementação de projetos de IA.
São 93 horas de aula, com encontros mensais às quartas e quintas, das 8h às 18h. As aulas são presenciais na unidade da Consolação, em São Paulo, com transmissão ao vivo online.
A diretora do programa é Ana Paula Zamper, que atuou por 31 anos na IBM em cargos de C-level e VP. Hoje ela integra conselhos do terceiro setor e é diretora no IBEF.
A admissão tem três etapas: aplicação com currículo ou LinkedIn, conversa individual com um executivo da Saint Paul e resultado por e-mail em até sete dias. É preciso ter ensino superior completo e inglês suficiente para ler artigos e assistir a vídeos.