10'000 Hours (10'000 Hours/Getty Images)
Redatora
Publicado em 20 de agosto de 2026 às 16h15.
A inteligência artificial está tornando mais rápido pesquisar, criar apresentações, escrever códigos, organizar informações e testar ideias. Esse avanço, porém, aumenta o peso de uma habilidade que a tecnologia não resolve sozinha: decidir o que vale a pena fazer.
É nesse espaço que a mentalidade empreendedora pode ganhar importância para quem ainda está construindo a própria carreira. Pensar de forma empreendedora vai muito além de abrir uma empresa —- a habilidade envolve identificar problemas, enxergar oportunidades, tomar iniciativa, testar hipóteses, comunicar valor e mudar de direção quando uma estratégia não funciona. As informações foram retiradas da Forbes.
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Grande parte da formação acadêmica funciona a partir de uma estrutura conhecida: o problema já está definido e o estudante precisa encontrar a resposta. A IA tornou essa segunda etapa muito mais rápida.
Quando recebe uma pergunta bem formulada, uma ferramenta generativa consegue organizar informações, levantar alternativas e sugerir próximos passos. Mas alguém ainda precisa perceber o que está errado, qual necessidade não foi atendida ou qual pergunta ainda não está sendo feita.
É justamente aí que começa uma postura empreendedora. Na universidade, isso pode significar perceber uma dificuldade recorrente dos estudantes e propor uma solução, identificar uma lacuna em uma pesquisa ou questionar um processo pouco eficiente dentro de uma organização estudantil.
Ter uma ideia ficou mais fácil. Ferramentas de IA já conseguem sugerir nomes, modelos de negócio, campanhas, apresentações, protótipos e até produtos digitais a partir de comandos em linguagem natural.
Isso reduz algumas barreiras entre imaginar e criar e, ao mesmo tempo, diminui o valor de simplesmente ter uma ideia.
A diferença passa a aparecer no que acontece depois: conversar com alguém que enfrenta o problema, testar uma hipótese, colocar uma primeira versão em circulação e tomar decisões diante das alternativas disponíveis.
Para um universitário, protagonismo começa nesse ponto. Uma proposta de projeto pode ficar meses em uma apresentação, mas outra pode ser colocada em prática com poucos recursos, receber feedback e evoluir conforme os resultados.
Mentalidade empreendedora e inteligência artificial não precisam competir. A tecnologia pode reduzir tempo gasto em pesquisa, organização e tarefas operacionais. Isso permite que o estudante avance mais rapidamente da hipótese para o teste.
O cuidado está em não confundir sugestão automática com decisão. É recomendado usar IA para desafiar o próprio raciocínio e acelerar etapas, mantendo a responsabilidade humana sobre a escolha final.
Essa combinação tende a ganhar peso no mercado. O Fórum Econômico Mundial coloca IA e big data entre as habilidades de crescimento mais acelerado até 2030, mas também destaca pensamento criativo, resiliência, flexibilidade, curiosidade e liderança entre as competências cuja importância deve aumentar.
Saber utilizar uma ferramenta será importante, mas saber por que utilizá-la, para qual problema e com quais limites pode ser ainda mais relevante.
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Uma das características do comportamento empreendedor é trabalhar com incerteza. Quem testa uma solução pode descobrir que uma premissa estava errada. Um projeto pode não gerar o resultado esperado.
Uma oportunidade aparentemente promissora pode deixar de fazer sentido. A resposta não precisa ser insistir no plano inicial.
A lógica apresentada pela Forbes é baseada em um ciclo: agir, aprender, adaptar e testar novamente. O objetivo não é prever com precisão os próximos dez anos, mas desenvolver capacidade para alterar o caminho quando as circunstâncias mudarem.
Esse comportamento ganha relevância justamente porque o mercado está mudando rapidamente.
O Future of Jobs Report 2025 estima que 39% das habilidades atuais dos trabalhadores serão transformadas ou perderão relevância entre 2025 e 2030. Resiliência, flexibilidade e agilidade aparecem entre as competências mais valorizadas nesse processo.
Na faculdade, testar caminhos diferentes pode ser uma forma de desenvolver essa adaptabilidade antes que decisões profissionais tenham um custo maior.
A preparação tradicional para a carreira costuma seguir uma sequência previsível: adquirir formação, procurar uma vaga, candidatar-se, ser selecionado e buscar uma promoção.
Essas etapas continuam existindo. Uma economia impulsionada por IA pode aumentar o valor de outra capacidade: criar uma oportunidade quando ela ainda não está pronta.
Isso não significa que todo universitário precise fundar uma startup. Criar oportunidade pode ser propor um novo projeto no estágio, desenvolver uma pesquisa independente, montar uma iniciativa dentro da universidade, melhorar um processo ou oferecer uma solução para um problema que ninguém havia atribuído formalmente a você.
O Na Prática nasceu como uma plataforma educacional criada para impulsionar a carreira de jovens, do estágio à liderança, complementando o ensino universitário com uma formação voltada para o mercado de trabalho.
Pensando nesse propósito, a instituição criou o Prêmio Na Prática Protagonismo Universitário. Com cinco ganhadores, um de cada estado, ele é o primeiro reconhecimento nacional com recorte regional focado exclusivamente em estudantes de alto desempenho prático e acadêmico.