Carreira no setor aeroespacial não é coisa para astronauta

Ruy Pinto, um engenheiro eletrônico carioca, de 55 anos, explica um pouco sobre o setor aeroespacial que está em expansão no mundo

SÃO PAULO – Formado pela PUC-RJ em engenharia eletrônica, Ruy Pinto, de 55 anos, trabalha no setor aeroespacial. Mas não, ele não é astronauta. Trabalha como diretor de operações e comanda uma equipe de 600 pessoas na Inmarsat, uma empresa britânica de telecomunicações via satélite. Ele conta de Londres, por telefone, como estão as oportunidades de trabalho nesta área, que continua em crescimento e fala do potencial desta indústria no Brasil e no mundo. 

Aqui no Brasil, o momento é de retração na economia. O setor aeroespacial também passa por isso?

Não. Na Inglaterra, este é um setor que tem crescido entre 5 a 10% ao ano. O nosso plano envolve aumentar o número de parceiros nacionais e ter uma presença local maior. Temos hoje menos que 10 pessoas no Brasil, mas esse número vai quintuplicar nos próximos dois anos. Acho que é do interesse do governo brasileiro investir mais nessa estrutura também. 

Por que governo faria disso uma prioridade?

O setor aeroespacial está em tudo: desde o momento em que você checa a previsão do tempo para ver se vai chover até quando quer rastrear uma encomenda que fez ou acompanha uma operação de busca e salvamento pela televisão. Tudo é feito via satélite. Essa é uma estrutura que precisa ser melhorada no Brasil e no mundo inteiro porque sem ela, a indústria de telecomunicações trava. E ninguém pode ficar sem conseguir se comunicar hoje. Ficar sem comunicação via satélite seria um desastre.

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Este é um setor bem específico. Vocês podem ter problemas para encontrar mão de obra especializada no Brasil?

Pode ser, mas já temos alguns caminhos. Preferimos formar nossos profissionais porque sabemos que não existem muitas faculdades com cursos de graduação para o setor aeroespacial. O que buscamos é sempre um bom profissional com formação técnica sólida, em matemática, engenharia ou física, com um inglês excelente, já que grande parte do mercado é internacional, e a disponibilidade para viajar e fazer cursos fora do Brasil. Mas não acho que vamos ter muitas dificuldades em encontrar pessoas com esse perfil porque o Brasil acabou com um reservatório de talentos gigante depois da quebra da indústria de óleo e gás. Eles poderiam ser aproveitados na minha área. É uma indústria que paga muito bem e é muito interessante: você pode controlar um satélite há centenas de quilômetros de distância. Quantos profissionais fazem isso no dia a dia?

Você coordena uma equipe de 600 pessoas de diversos países. Como faz para não se perder na gestão?

O primeiro ponto é usar as melhores características das pessoas que trabalham com você, e o segundo é não perder tempo com micro gerência. Delegue o que puder. 

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