Apple: iPhone 17 impulsiona liderança da empresa no mercado global (Cheng Xin/Getty Images)
Redatora
Publicado em 15 de julho de 2026 às 14h13.
A Apple abriu um processo contra a OpenAI e dois ex-funcionários, acusando a empresa de usar contratações e entrevistas para obter informações confidenciais ligadas ao desenvolvimento de hardware.
Entre as alegações está a de que candidatos ainda empregados pela Apple teriam sido orientados a levar componentes, protótipos e materiais de projetos às conversas de seleção.
O episódio envolve duas das maiores empresas de tecnologia do mundo, mas coloca um problema cotidiano diante de líderes de RH e gestores: até onde uma empresa pode explorar a experiência de um candidato sem estimular a revelação de informações que pertencem ao antigo empregador? As informações foram retiradas da Inc.
A Apple afirma que mais de 400 ex-funcionários seus trabalham atualmente na OpenAI e sustenta que parte das contratações teria sido usada para acelerar a entrada da empresa de inteligência artificial no mercado de dispositivos.
Um dos trechos mais sensíveis do processo trata das entrevistas. Segundo a Apple, candidatos teriam recebido pedidos para levar peças reais, artefatos de design e protótipos de trabalhos recentes.
O documento também afirma que os entrevistadores teriam usado nomes internos de projetos e terminologia proprietária para obter detalhes sobre fornecedores, componentes e métodos de integração. São alegações apresentadas pela companhia, não fatos já reconhecidos judicialmente.
A OpenAI declarou que ainda analisava o processo e que não tem interesse em segredos comerciais de outras empresas. A Justiça deverá definir se houve apropriação indevida e qual foi a participação de cada acusado.
Contratar alguém de um concorrente é uma prática comum e legítima. O profissional leva consigo repertório, capacidade técnica, julgamento e aprendizados acumulados.
O limite aparece quando a conversa avança para documentos internos, protótipos, números privados, estratégias de fornecedores ou processos que não são públicos.
Essa fronteira nem sempre está clara durante uma entrevista. Um gestor interessado em entender como uma concorrente opera pode formular perguntas específicas demais — e transformar uma avaliação de competências em uma coleta de informação indevida.
Políticas de confidencialidade costumam se concentrar na integração e no desligamento dos funcionários. O caso Apple mostra que o cuidado precisa começar no recrutamento.
Roteiros de entrevista devem deixar claro que candidatos não devem apresentar arquivos, componentes físicos, códigos, listas de clientes ou informações estratégicas de empregadores atuais e anteriores. A regra protege os dois lados: evita que a empresa receba conteúdo de origem indevida e impede que o candidato coloque a própria reputação profissional em risco.
O mesmo vale para testes técnicos e estudos de caso. Pedir uma análise de mercado ou a solução de um problema é diferente de solicitar a reprodução de um projeto confidencial. Quanto mais realista o desafio, maior deve ser o cuidado para que ele não dependa de dados protegidos.
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