Monique Araújo, sócia da McKinsey: "O grande desafio não será a falta de empregos, mas a velocidade da requalificação" (McKinsey/Divulgação)
Repórter
Publicado em 6 de agosto de 2026 às 06h06.
Última atualização em 6 de agosto de 2026 às 11h41.
A inteligência artificial está mudando rapidamente o mercado de trabalho. Mas, ao contrário do que muitos imaginam, o diferencial competitivo dos profissionais nos próximos anos não estará apenas em dominar novas ferramentas tecnológicas.
Na avaliação da McKinsey & Company, as habilidades mais valiosas serão justamente aquelas que a IA ainda não consegue reproduzir com qualidade: julgamento crítico, criatividade e competências relacionais.
As recomendações fazem parte do HR Monitor 2026, estudo global da consultoria divulgado no fim de julho, que analisou como a inteligência artificial está transformando o trabalho e o papel das empresas na formação de talentos.
"O grande desafio não será a falta de empregos, mas a velocidade da requalificação", afirma Monique Araújo, sócia da McKinsey no Rio de Janeiro e líder da prática de Pessoas, Organização e Performance no Brasil.
Segundo a especialista, a tecnologia assumirá cada vez mais tarefas operacionais, enquanto os profissionais serão valorizados pela capacidade de interpretar cenários, tomar decisões complexas e construir relações de confiança.
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Para Monique, a principal competência do futuro será saber decidir quando não existe uma resposta pronta.
A inteligência artificial já consegue analisar grandes volumes de dados, gerar textos, resumir informações e sugerir soluções. Mas ainda depende da capacidade humana para avaliar contexto, riscos e impactos das decisões.
"A tecnologia processa volumes enormes de dados, mas cabe ao humano o discernimento ético e a tomada de decisão em cenários de alta ambiguidade", afirma.
Na prática, isso significa que profissionais capazes de questionar respostas, validar informações e tomar decisões responsáveis ganharão espaço à medida que a IA se populariza.
Outra habilidade que tende a ganhar importância é a criatividade.
Embora a inteligência artificial seja capaz de combinar ideias existentes e produzir conteúdos em segundos, ela ainda trabalha a partir de padrões aprendidos.
A inovação realmente disruptiva continua dependendo das pessoas.
"A IA é brilhante em recombinar o que já existe, mas a inovação que rompe padrões e cria o novo ainda nasce do pensamento humano", diz Monique.
Para a especialista, profissionais que conseguem conectar áreas diferentes do conhecimento, resolver problemas inéditos e propor novos caminhos serão cada vez mais valorizados pelas organizações.
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Se as tecnologias mudam rapidamente, a capacidade de aprender continuamente passa a ser uma vantagem competitiva.
Por isso, a terceira habilidade apontada pela McKinsey reúne duas competências complementares: adaptabilidade e relacionamento.
Saber construir confiança, trabalhar de forma colaborativa, gerar empatia e aprender continuamente será tão importante quanto qualquer conhecimento técnico, segundo Monique.
"As ferramentas tecnológicas vão mudar a cada seis meses, mas a nossa habilidade de conectar e engajar pessoas é o que sustenta qualquer negócio."
Esse cenário exige que profissionais desenvolvam o chamado aprendizado contínuo — a disposição para adquirir novas competências ao longo da carreira, acompanhando as mudanças do mercado.
Embora as habilidades humanas ganhem protagonismo, isso não significa que a tecnologia possa ser ignorada.
O HR Monitor 2026 mostra que a alfabetização digital foi a competência que mais cresceu em importância entre as organizações, saltando da 20ª para a 6ª posição no ranking de habilidades consideradas essenciais para o futuro.
Para Monique, isso indica que dominar ferramentas de inteligência artificial deixará de ser um diferencial para se tornar um requisito básico.
"A capacidade de usar, interpretar e aplicar os resultados da IA está rapidamente se tornando uma habilidade fundamental."
Na prática, o profissional do futuro precisará combinar domínio tecnológico com competências essencialmente humanas.
"É uma transição da execução para a curadoria", afirma.
O estudo também chama atenção para um desafio que vai além das empresas.
A McKinsey estima que até 30% das horas de trabalho poderão ser automatizadas até 2030, mas ressalta que isso não representa necessariamente menos empregos. O maior desafio será preparar profissionais para novas funções.
Para Monique, essa responsabilidade precisa ser compartilhada.
"As organizações devem oferecer infraestrutura e oportunidades de desenvolvimento. Mas o profissional também precisa assumir o protagonismo da própria carreira."
Na visão da especialista, a empregabilidade deixará de depender apenas da formação acadêmica ou da experiência acumulada.
Ela será determinada, cada vez mais, pela capacidade de aprender, desaprender e reaprender ao longo da vida profissional.
"Quem investir continuamente no desenvolvimento dessas competências estará mais preparado para trabalhar ao lado da inteligência artificial, independentemente da profissão ou do setor em que atua."
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