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Após apagão em São Paulo, alunos criam projeto para tornar escola autossuficiente em energia solar

Luana Pertel e Tiago Lanfranchi, do The British College of Brazil, criaram o PowerPals

Luana Pertel e Tiago Lanfranchi, alunos da The British College of Brazil. (Divulgação)

Luana Pertel e Tiago Lanfranchi, alunos da The British College of Brazil. (Divulgação)

Publicado em 7 de agosto de 2026 às 18h00.

Última atualização em 10 de agosto de 2026 às 10h09.

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Um apagão de energia na cidade de São Paulo em 2025 foi o ponto de virada para dois alunos do The British College of Brazil.

Luana Pertel e Tiago Lanfranchi, ambos do Y12 (equivalente ao 3º ano do ensino médio), criaram o PowerPals, projeto que combina conhecimentos de ESS (Environmental Systems and Societies) e Física para enfrentar a pobreza energética no país.

A ideia nasceu de conversas dos dois sobre a sensação de impotência diante das mudanças climáticas. O plano inicial era construir os próprios painéis solares, mas os alunos perceberam que painéis feitos por eles não teriam segurança para instalação. A solução foi pivotar para um modelo de arrecadação de fundos para comprar painéis prontos.

Uma interrupção que é rotina para outras famílias

Foi o apagão que fez Luana e Tiago perceberem que ter energia disponível o tempo todo é um privilégio. Para muitas famílias brasileiras, uma interrupção no fornecimento não é exceção: é rotina.

A conta de luz pode consumir até 20% da renda de famílias mais vulneráveis, mesmo quando o acesso técnico à rede elétrica existe.

O British College segue o sistema britânico de ensino, o que se reflete também no corpo docente. "A maioria dos professores é de fora. A gente tem representantes de quase todos os continentes aqui, professores da África do Sul, Nigéria, Quênia, Irã, Coreia e de vários países da Europa", diz Richard Watts, professor da escola.

É nesse ambiente que projetos como o PowerPals circulam entre disciplinas como ESS e Física, unindo repertório internacional a um problema bem brasileiro.

Uma parceria que devolve energia à comunidade

Os alunos encontraram a ONG Alimento Solar, de Montes Claros (MG), que topou instalar os painéis de graça em troca de metade do valor da energia gerada.

Esse valor, em vez de ir para a distribuidora, é revertido para a própria ONG financiar outras iniciativas sociais na região, o que transforma o projeto em uma fonte de receita recorrente para causas locais.

O PowerPals está em fase de arrecadação, com eventos como bake sales e o interclasse da escola. O projeto já foi contemplado com o PTA Social Impact Grant e está prestes a instalar os primeiros painéis solares na própria escola, com a meta de tornar o The British College of Brazil 100% autossuficiente em energia.

Para Richard Watts, a força do projeto está em como ele se sustenta financeiramente ao longo do tempo. "É uma coisa sustentável: o dinheiro que a escola economiza por não gastar com energia pode ser investido em outros projetos, ou no próprio, ampliando o número de painéis instalados", diz o professor. Segundo ele, o investimento inicial em mais painéis solares significa captar mais energia e, no fim, guardar mais dinheiro.

Richard Watts, diretor da The British College of Brazil.

Richard Watts, professor da The British College of Brazil.

Do campus para outras escolas

A ambição dos alunos vai além dos muros do colégio. O PowerPals já tem um embaixador ativo em outra escola de São Paulo e conversas em andamento com colégios do Rio de Janeiro.

"A ideia é que eles passem o projeto para outras escolas também, que podem usar o mesmo modelo", diz Watts. No longo prazo, a dupla planeja destinar metade da receita futura do projeto para apoiar ONGs como a Revolusolar, que instala painéis solares diretamente em comunidades vulneráveis.

Se o sistema inglês trouxe para o British College professores de mais de dez países, o PowerPals mostra o caminho inverso: um problema genuinamente brasileiro, resolvido por dois alunos do ensino médio, com potencial para atravessar fronteiras de escola para escola.

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