Ava Cohn, conselheira fiscal e consultiva
Publicado em 23 de setembro de 2026 às 17h39.
Última atualização em 25 de setembro de 2026 às 10h14.
Ava Cohn não se lembra com exatidão onde estava. Pode ter sido na inauguração da sede da Saint Paul na rua Gomes de Carvalho, em São Paulo, ou no lançamento de um livro.
Da ocasião, guardou o essencial: José Cláudio Securato, que ela conhecia do IBEF, comentou que lançaria um curso para preparar mulheres para conselhos de administração.
"Na época, aquilo me chamou muito a atenção, ficou na minha cabeça", diz. "Achava que tinha tudo a ver comigo, e foi justamente o fato de ser um curso focado em mulheres que me chamou a atenção", complementa.
Um ano depois, diante da oportunidade de um período sabático, ela se matriculou na segunda turma do ABP-W (Advanced Boardroom Program for Women), da Saint Paul, a primeira conduzida pela diretora Christiane Aché. Hoje, depois de mais de 30 anos no mercado financeiro, Ava ocupa três assentos em conselhos: é conselheira fiscal de uma instituição financeira e de uma fundação privada do setor de tecnologia, e conselheira consultiva de uma organização do terceiro setor, onde também integra o comitê jurídico e de governança.
A carreira de Ava foi construída no relacionamento com grandes investidores, corporações, investidores institucionais e instituições financeiras, com atuação em captação de recursos, gestão de equipes e gestão de crises. Ela passou por instituições de diferentes controles, estratégias e culturas.
A decisão de migrar para os conselhos partiu de uma inquietação interna. "Eu estava buscando ampliar meu escopo de atuação, gerar impacto, reposicionar minha carreira e, principalmente, colocar em prática tudo o que eu tinha aprendido", diz.
O recorte de gênero do programa pesou na escolha. "A gente ainda tem poucas mulheres em posições de conselho, embora esse número tenha evoluído. Mas, há dez anos, isso era ainda mais forte."
Desde então, Ava acompanhou a formação da comunidade de ex-alunas que se reuniu em torno do programa ao longo de uma década. "Eu me sinto meio parte da história dessa comunidade", afirma.
Ava Cohn, conselheira fiscal e consultiva
O primeiro aprendizado que ela destaca do curso foi a clareza de propósito. Ava percebeu que já havia desenvolvido, na trajetória no mercado financeiro, competências que considera centrais para um conselho: leitura de cenário, escuta, compreensão de como se dão os processos de decisão, vivência em crises e visão sistêmica do negócio.
O segundo foi reconhecer a curiosidade como ferramenta de trabalho. "Eu tenho uma mente bem inquieta. Não no sentido de ansiedade, mas de querer estar sempre aprendendo, conhecer algo novo, ampliar meu repertório", diz. Para ela, essa disposição de aprofundar cada situação faz parte da atuação de um conselheiro.
Ava define a experiência com o ABP-W em uma palavra: transformadora.
Segundo ela, a vivência não termina com as aulas: continua, em outro formato, dentro da comunidade.
Ao concluir o programa, em 2018, Ava emendou outro curso na Saint Paul, o LDR, dedicado à transformação digital. Era um pouco antes da pandemia, e a inteligência artificial ainda não ocupava o centro do debate. Ela vinha de bancos e instituições incumbentes e queria entender as organizações da nova economia, que se tornavam empresas de dados e de tecnologia.
Na visão dela, o processo não se resume à tecnologia. "É também um processo de cultura, de mudança de mindset", diz.
A conexão com a governança veio em forma de pergunta. "Como é que você vai sentar num conselho, atuar num conselho, sem entender desse assunto, que hoje a gente pode dizer que é estrutural?"
Ava defende que o conselheiro não precisa ser especialista, mas deve conhecer governança de IA, cibersegurança e os processos pelos quais a inteligência artificial pode ser usada como ferramenta.
O interesse a levou ao conselho fiscal da fundação de tecnologia onde atua hoje. "A inteligência artificial faz parte da estratégia de qualquer negócio”, fala.
Ela também já atuou como mentora de pequenas e médias empresas, experiência que descreve como uma via de mão dupla. "Da mesma forma que você transfere conhecimento e experiência, também aprende muito ao escutar uma vivência diferente da sua."
Quando fala a mulheres que querem chegar aos conselhos, Ava parte de um diagnóstico. "A gente tem muitas mulheres competentes para atuar nessa posição. A gente precisa de mais mulheres nessa posição."
O conselho que ela dá vem acompanhado de uma ressalva. "Justamente por ser uma posição de muita responsabilidade, exige um grau de maturidade, de bastante autoconhecimento e de uma pessoa disposta a sempre investir em ampliar conhecimento", diz.
A razão, segundo ela, está na natureza do trabalho. O ambiente dos conselhos reúne complexidades e variáveis que exigem atenção constante. E nem sempre haverá uma resposta pronta.
"Você não necessariamente vai ter sempre todas as respostas, e as respostas certas. Vai ter que conviver sempre com um grau de incerteza nas suas decisões”, diz.
O ABP-W (Advanced Boardroom Program for Women) é o programa da Saint Paul que prepara conselheiras e futuras conselheiras para atuar em conselhos de administração. A formação desenvolve competências técnicas e comportamentais, com foco em governança, estratégia e tecnologias emergentes.
O programa é exclusivo para mulheres e voltado a executivas C-level, diretoras e herdeiras. É preciso ter ensino superior completo, inglês para compreensão oral e escrita e passar por avaliação curricular e entrevista com a diretora, Christiane Aché.
O programa trabalha papéis e responsabilidades do conselho por meio de role-plays e simulações de reuniões com casos reais. A grade inclui governança corporativa, gestão integrada de riscos, mediação, ética organizacional e o módulo "Organizações Data-Driven e Inteligência Artificial".
Sim. As participantes passam a integrar uma rede com mais de 600 mulheres em posições de liderança em grandes empresas de diversos setores.
São 300 horas de formação, com aulas mensais às sextas-feiras, das 8h às 18h. As aulas são presenciais na unidade Jardins, em São Paulo, com transmissão ao vivo online e acesso às gravações.
Sim. O programa oferece um módulo internacional opcional com uma semana de imersão na Smith School of Business, em Toronto, no Canadá. A imersão inclui sessões com especialistas canadenses e visitas a empresas locais.