Redatora
Publicado em 16 de julho de 2026 às 18h00.
Em um mundo feito de blocos, alunos de 14 anos conversam com uma IA para decidir o que construir a seguir, cruzam essa conversa com uma lei que o Brasil sancionou há poucos meses e erguem, tijolo por tijolo, um museu dedicado à cidadania digital.
Parece ficção científica, mas é uma aula do 9º ano no Colégio Visconde de Porto Seguro, em São Paulo. E ela revela algo maior que o próprio projeto: essa geração já fala, com naturalidade, a língua que o mercado inteiro está tentando aprender às pressas.
Os números confirmam o que qualquer professor de ensino médio já percebeu em sala. Segundo a TIC Educação, pesquisa do Cetic.br, 7 em cada 10 estudantes do ensino médio brasileiro já usam ferramentas como ChatGPT, Gemini ou Copilot para pesquisas escolares. Entre adolescentes de 15 a 17 anos, o uso de IA generativa no dia a dia chega a 68%, segundo a TIC Kids Online Brasil, do mesmo instituto. Essa é a primeira geração que aprende a programar um prompt antes de aprender a dirigir.
O Colégio Visconde de Porto Seguro, fundado em 1878 e reconhecido neste ano como International Baccalaureate World School, apostou justamente nessa fluência para transformar uma lei em experiência prática.

Em setembro de 2025, o Brasil sancionou o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, a Lei 15.211/2025, que passou a exigir de plataformas e jogos verificação etária confiável, vínculo de contas de menores a um responsável legal e privacidade desde a concepção dos produtos. Em vez de apresentar esse texto em uma aula expositiva, a escola transformou o Minecraft Education Edition em terreno de aplicação real.
Os alunos primeiro exploram módulos de cibersegurança dentro do próprio jogo, mapeando riscos e boas práticas. Em seguida, usam IA generativa para cruzar essas descobertas com os direitos e deveres da nova lei, testando na prática o que a legislação significa para a vida deles. Na etapa final, constroem dentro do Minecraft um espaço que materializa tudo o que aprenderam, um museu, uma escola, um centro de cidadania digital, com registro visual e escrito como entrega do projeto.
"A tecnologia é uma ferramenta indispensável no desenvolvimento educacional, mas seu uso deve estar intrinsecamente ligado à conscientização e à responsabilidade", diz Alexandre Marcondes, diretor de tecnologia do colégio.