Carreira

‘A primeira coisa é saber onde você quer chegar’: o conselho de quem entrevistou 7 mil executivos

Thais Pegoraro, especialista em liderança, explica por que falta de direção ainda trava executivos

 Thais Pegoraro, sócia da EXEC

Thais Pegoraro, sócia da EXEC

Publicado em 8 de maio de 2026 às 16h14.

Última atualização em 22 de maio de 2026 às 09h58.

A trajetória de Thais Pegoraro não começou no RH — e talvez esteja aí uma das razões de sua leitura tão precisa sobre executivos. Formada em Direito, ela deixou a advocacia aos 28 anos ao perceber que sua maior habilidade não era técnica, mas humana: a escuta. A mudança a levou ao universo de recrutamento de altos executivos e, depois, a um território mais profundo — o desenvolvimento de lideranças.

Hoje, como sócia da EXEC, consultoria especializada em seleção e desenvolvimento de altos executivos, Pegoraro transita entre dois mundos: seleciona líderes e, ao mesmo tempo, trabalha para transformá-los. Ao longo dessa jornada, acumulou mais de 7 mil entrevistas com executivos de diferentes setores. 

O diagnóstico que emerge dessa experiência é sobre a maioria das carreiras ser construída sem direção própria.

O erro silencioso na carreira dos executivos

Segundo Pegoraro, um padrão se repete no mercado. Em vez de definirem onde querem chegar, profissionais deixam que empresas decidam seus próximos passos.

A primeira coisa é saber onde você quer chegar”, afirma. “A partir disso, você entende os passos que precisa dar — seja de estudo, de permanência em um cargo ou de construção da sua rede”, ela complementa.

O problema não está apenas na falta de planejamento, mas na ausência de um critério claro para tomar decisões. Sem um objetivo definido, qualquer oportunidade parece válida — e, ao mesmo tempo, nenhuma é suficiente.

Essa lógica cria carreiras reativas, movidas por convites, promoções ou mudanças externas. O resultado, muitas vezes, aparece anos depois, com profissionais experientes em posições que não necessariamente refletem o que queriam construir.

Autoconhecimento como ferramenta estratégica

Para a especialista, o ponto de partida não é o mercado — é o indivíduo. Antes de qualquer movimento, é preciso definir um objetivo claro e, a partir dele, desenvolver um olhar mais preciso sobre si mesmo.

“Quais são minhas forças? O que eu não enxergo em mim? Como eu uso minha própria ‘caixa de ferramentas’?”, diz.

Esse processo permite alinhar decisões de carreira com objetivos concretos — desde escolhas de cursos até o tempo de permanência em um cargo ou o tipo de rede de relacionamento construída.

Sem essa clareza, o risco é alto: tudo parece servir, mas nada, de fato, leva adiante.

Liderança não é talento — é construção

Outro ponto recorrente nas entrevistas conduzidas por Pegoraro envolve uma crença comum no ambiente corporativo: a ideia de que liderança é uma habilidade inata.

Na prática, a especialista observa o oposto. Ela já acompanhou profissionais com facilidade de comunicação que fracassaram na liderança por falta de preparo — e também executivos mais introspectivos que se tornaram líderes consistentes após processos estruturados de desenvolvimento.

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"Liderança é uma competência. Qualquer pessoa pode desenvolver, desde que isso faça parte do seu objetivo de carreira" Thais Pegoraro, sócia da EXEC

Nesse contexto, ferramentas como coaching, mentoria e formação executiva ganham relevância. Cada uma atua de forma diferente: o coaching orienta a evolução de um ponto A a um ponto B, enquanto a mentoria pressupõe direcionamento mais direto, com base na experiência de quem já percorreu aquele caminho.

Thais Pegoraro, sócia da EXEC

O ponto cego dos líderes

Se há um fator que diferencia líderes eficazes de medianos, segundo Pegoraro, ele está menos na técnica e mais na consciência.

Grande parte dos problemas de integração, comunicação e performance nas empresas tem origem na falta de auto-percepção. Líderes que não compreendem o impacto do próprio comportamento tendem a gerar ruídos silenciosos nas equipes.

“Como a minha presença é percebida? Eu motivo ou sou visto como ameaça? Estou desenvolvendo sucessores?”, questiona.

Essas perguntas, muitas vezes ignoradas, são centrais para a construção de equipes de alta performance.

O novo imperativo: aprender continuamente

Esse cenário se intensifica em um contexto de mudanças aceleradas. Para Pegoraro, a habilidade mais crítica hoje não é técnica — é a capacidade de continuar aprendendo.

O conceito de lifelong learning deixa de ser diferencial e passa a ser condição básica.

“Se você se fecha nas suas certezas, rapidamente fica obsoleto”, afirma.

Em um mercado mais dinâmico e plural, onde oportunidades se multiplicam, a diferença não está apenas em saber mais. Está, sobretudo, em saber para onde ir.

Como mostra a análise de Thais Pegoraro, depois de mais de 7 mil entrevistas com executivos, carreiras de liderança não se constroem apenas por oportunidades externas, mas por direção, autoconhecimento e aprendizado contínuo. Para profissionais que já ocupam posições estratégicas e querem avançar na alta gestão, o MBA Executivo da Saint Paul oferece uma formação profunda e aplicada, com mais de 400 horas de imersão em estratégia, finanças, gestão, tecnologia e desenvolvimento de liderança. Conheça o programa e dê o próximo passo com mais clareza, repertório e consistência

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