(Cristina Gaidau/Getty Images)
Redatora
Publicado em 18 de agosto de 2026 às 11h44.
Pergunte a um estudante de artes se ele já liderou alguma coisa e a resposta provável é não, porque nunca teve um cargo com esse nome.
Mas todo semestre em que ele participou de uma crítica coletiva, ajustou um trabalho a partir de feedback difícil de ouvir ou dividiu responsabilidade em um projeto em grupo, ele treinou exatamente a competência que recrutadores mais dizem procurar e menos conseguem encontrar.
A definição de liderança usada por recrutadores em processos seletivos raramente é sobre hierarquia. É sobre comportamento observável: comunicação clara, capacidade de dar e receber crítica, escuta ativa e regulação emocional em situação de pressão.
O problema é que esses comportamentos, quando vividos dentro de um ateliê, uma sala de ensaio ou um curso de cinema, não costumam ser nomeados como liderança pelo próprio estudante.
A formação em artes desenvolve capacidade de comunicação para além da fala tradicional, permitindo que o estudante expresse ideias e perspectivas por meio de símbolo e metáfora, além de fomentar colaboração através de projetos em grupo, com negociação e compromisso entre os envolvidos.
Um dos rituais mais comuns na formação artística é também um dos mais subestimados fora dela: o feedback coletivo. O feedback entre pares e a crítica nas salas de aula de arte cultivam diretamente crítica construtiva, escuta ativa e empatia, habilidades que qualquer descrição de vaga de liderança lista como essenciais.
Isso não é força de expressão. Uma revisão publicada na IOSR Journal of Humanities and Social Science, periódico acadêmico internacional, aponta que a instrução em artes melhora de forma significativa o pensamento crítico, a criatividade e as habilidades interpessoais dos estudantes, com efeito direto sobre bem-estar psicológico e inteligência emocional.
O gargalo não é falta de competência, é falta de tradução. "Participei de críticas em grupo" pode virar "pratico regularmente feedback construtivo e escuta ativa em ambiente colaborativo". "Toquei em banda" ou "atuei em peça" pode virar "experiência prática em coordenação de equipe sob pressão de tempo e resultado".
No currículo, é possível nomear, na linguagem que uma banca de seleção reconhece, uma competência que já foi construída ao longo de anos de formação. Quem estuda arte não precisa aprender a liderar do zero — precisa aprender a mostrar isso.
Se você estuda artes, design, música ou qualquer área criativa e já viveu na prática o tipo de liderança que o MIT leva para dentro da sala de aula, chegou a hora de transformar isso em reconhecimento nacional.
O Prêmio Na Prática está com inscrições abertas, gratuitas e abertas a estudantes de qualquer curso e de qualquer estado do Brasil. Inscreva seu projeto e mostre que liderança também se aprende fora do modelo tradicional.