Marienne Coutinho, Líder de Tax Transformation na KPMG Brasil
Redatora
Publicado em 28 de agosto de 2026 às 09h54.
Em 2024, Marienne Coutinho foi a Ouro Preto pela primeira vez, dentro de um módulo do SEER, programa da Saint Paul Escola de Negócios voltado a CEOs, conselheiros e acionistas, da Saint Paul. "Fiquei impressionada com a riqueza da nossa história", diz.
"Muitas vezes não refletimos sobre como chegamos ao status quo, e quando fazemos essa análise, não apenas compreendemos melhor o que está posto, mas conseguimos enxergar melhor os caminhos possíveis", ela complementa.
Sócia da KPMG Brasil, onde ocupa o cargo de Tax Transformation & Innovation Lead Partner e integra o Comitê de Inovação da empresa, Marienne lidera desde 2018 a prática de transformação digital aplicada à área tributária, criada por ela depois de ter comandado o setor de International Tax.
Foi sob sua liderança que a KPMG integrou o Claude, da Anthropic, ao Digital Gateway, plataforma proprietária da empresa para a área tributária.
Para Marienne, o apetite por inovação no mercado tributário não é mais uma escolha. "O mercado em geral, empresas e executivos, estão ávidos por inovação", afirma. "Os desafios que estão enfrentando, quer seja por condições econômicas, financeiras ou de performance, são enormes e as soluções tradicionais já não estão funcionando”, traz.
Segundo ela, o entrave não está na receptividade dos clientes, mas na capacidade de estruturar essa mudança.
"Nem todos os líderes estão preparados ou possuem as habilidades e conhecimento necessário para as transformações necessárias. E a maioria das empresas não possui uma estratégia clara para a adoção de IA escalável e focada na geração de resultados de impacto", diz.
A KPMG já operava com o Copilot havia algum tempo, fruto de uma aliança com a Microsoft. A chegada do Claude, diz Marienne, não substitui essa parceria, mas se soma a ela.
"Não se trata mais de ter apenas um único bom parceiro. Quando se trata de IA, as novidades e possibilidades são muitas e, atualmente, o Claude apresenta diferenciais que complementam as ferramentas que já utilizávamos", fala.
Com a integração ao Digital Gateway, ela descreve um salto na forma como a KPMG presta seus serviços tributários. "Avançamos de forma exponencial na utilização de IA na prestação dos nossos serviços", diz.
Fora da KPMG, Marienne ocupa cadeiras em conselhos internacionais: integra o Global Executive Board da ICC (International Chamber of Commerce) em Paris, o Conselho Consultivo da ICC no Brasil e o Conselho Consultivo da WomenCorporateDirectors (WCD) no Brasil, entidade em que atuou como co-chair por seis anos e como associada por 15. Também é membro do conselho consultivo da Amazon People.
Conciliar essas frentes com a rotina de sócia de uma Big Four, sujeita a regras de independência, exige recorte. Ainda assim, ela defende o valor da experiência.
"A atuação em conselhos é muito benéfica, pela visão mais ampla que agrega, pelo convívio com profissionais sêniores com experiências diversas e pela experiência mais focada na estratégia e menos na execução", diz.
Marienne Coutinho, Líder de Tax Transformation na KPMG Brasil
Marienne é cofundadora do Conselheira 101, programa criado para fomentar a diversidade racial em conselhos de administração, e uma das fundadoras do PDeC (Programa Diversidade em Conselhos) e do KNOW, iniciativa de equidade de gênero da própria KPMG. Sobre os resultados dessas frentes, ela pondera.
"Tivemos avanços relevantes, porém tímidos", afirma. "Todas as pesquisas indicam retrocessos nos avanços da diversidade nas empresas, não apenas no Brasil, mas em outros países também", comenta
O Conselheira 101, segundo ela, segue em expansão. "O programa segue a pleno vapor com a formação de novas turmas e iniciativas, agora em nova fase, na forma de um Instituto e com apoio da KPMG."
Reconhecida pela Forbes como uma das mulheres mais influentes do Brasil em 2016 e eleita uma das 100 Mulheres em Inovação pela Época Negócios em 2023, Marienne decidiu cursar o SEER mesmo depois de mais de duas décadas de trajetória consolidada.
"Eu acredito muito na importância de investirmos em educação de forma contínua. Quanto mais sabemos, mais sabemos que temos muito a aprender", diz.
O diferencial do programa, segundo ela, está na construção coletiva.
Sobre o módulo em Ouro Preto, especificamente, ela liga o tema da "brasilidade" à liderança contemporânea. "Nós, como brasileiros, temos uma forma diferente e efetiva de liderar, reconhecida, inclusive, internacionalmente. Na pós-modernidade, esse estilo se torna ainda mais valioso, pois temos flexibilidade, resiliência e criatividade”, relata.
É essa mesma lógica que Marienne aplica à leitura de decisões complexas, sejam elas em conselhos internacionais ou na própria KPMG. "Decisões complexas não dependem apenas de dados, mas também da compreensão das pessoas e seus comportamentos", diz.
"A neurociência ajuda a reduzir vieses, a subjetividade amplia a leitura de contexto e a inteligência artificial fortalece a análise. Juntas, essas dimensões tornam as decisões mais equilibradas e estratégicas", finaliza.