Inteligência artificial lendo currículos (OstapenkoOlena/Getty Images)
Redatora
Publicado em 10 de setembro de 2026 às 05h49.
Usar inteligência artificial para escrever o currículo pode custar a vaga, não garantir ela. Uma pesquisa da CV Genius, plataforma global de currículos, ouviu 625 gerentes de contratação e descobriu que 80% deles não gostam de receber currículos e cartas de apresentação gerados por IA.
Mais grave para quem tenta essa estratégia: 74% afirmam conseguir identificar quando o texto foi produzido pela ferramenta.
Segundo o levantamento, o problema não é a tecnologia em si, mas o resultado genérico que ela costuma produzir.
Textos "perfeitos demais", sem marcas de personalidade ou de trajetória real, tendem a soar impessoais e a se confundir com os de outros candidatos que usaram a mesma ferramenta da mesma forma.
O cenário se repete por aqui. Uma pesquisa da consultoria global Robert Half, que ouviu 774 profissionais no país, mostrou que 58% dos recrutadores brasileiros já desclassificaram candidatos após identificar inconsistências ou distorções no currículo.
Do lado dos candidatos, 15% admitiram já ter mentido ou distorcido alguma informação, e outros 10% disseram já ter considerado fazer isso. Ainda assim, 74% afirmaram nunca ter mentido no documento.
A contradição está no cerne do processo seletivo atual. Enquanto empresas adotam ferramentas de IA para dar conta do volume de candidaturas, elas penalizam quando percebem a mesma tecnologia do outro lado da mesa.
Uma pesquisa da Robert Half nos Estados Unidos mostrou que mais de dois terços dos gerentes de contratação relatam que candidaturas com uso pesado de IA, muitas vezes usada para embelezar ou até inventar experiências, tornam o processo mais lento, porque exigem verificação extra. Cerca de 20% relataram atrasos de até duas semanas por conta disso.
Entenda o que recrutadores e ferramentas de IA avaliam em candidatos. Garanta sua inscrição gratuita
A saída não é abandonar a IA, mas mudar a forma de usá-la. Especialistas recomendam personalizar cada candidatura para a vaga específica, manter a própria voz no texto e usar a ferramenta para organizar ideias, não para substituir a experiência real.
No fim, o que diferencia um candidato não é ter ou não usado IA, é conseguir sustentar, na entrevista, tudo o que o currículo prometeu.
O mercado está mais competitivo, e quem entende como os processos seletivos funcionam sai na frente.
Neste curso online e gratuito, você aprende a estruturar sua narrativa profissional, melhorar currículo e LinkedIn, se preparar para entrevistas e usar IA de forma estratégica em cada etapa da seleção.