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Sua empresa ainda usa cartão de crédito corporativo?

O PIX ajudou e mudou o mundo atual, enquanto cartões físicos afetam substancialmente o meio ambiente

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Cada cartão pode levar mais de 300 anos para se decompor (Bloomberg/Getty Images)

Cada cartão pode levar mais de 300 anos para se decompor (Bloomberg/Getty Images)

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Eduardo Vasconcellos

Publicado em 14 de dezembro de 2022, 13h30.

Irregularidades em torno da segurança, da legitimidade e do sigilo estão entre as principais preocupações dos usuários de cartões de crédito no Brasil. A informação, referente ao terceiro trimestre deste ano, está contida no "Ranking de Reclamações" ao Sistema Financeiro Nacional (SFN), elaborado pelo Banco Central, e é um sinal vermelho para as empresas que apostam no modo de pagamento via cartões corporativos físicos. Os temores refletem a crescente procura por novas formas de pagamentos: os digitais, feitos principalmente via PIX.

Essa alternativa se expande fortalecida. Em agosto deste ano, já somava quase 500 milhões de chaves, puxado principalmente pela gratuidade nas transações - na estreia, em novembro de 2020, o mês fechou com 95 milhões. Em relação ao volume financeiro, enquanto em 2021 o mercado brasileiro de pagamentos registrou R$ 4 trilhões via cartões de débito e crédito ao longo de doze meses, a movimentação via PIX alcançou R$ 1 trilhão apenas no mês de agosto deste ano.

Além disso, os cartões físicos afetam diretamente o meio ambiente. Feitos de plástico, cada cartão bancário descartado na natureza pode levar mais de 300 anos para se decompor, tempo em que libera gases de efeito estufa (GEE) e contamina o solo e as águas. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), no último  relatório publicado em 2021, os plásticos representam 85% dos resíduos que chegam aos oceanos e são a mais prejudicial e persistente fração de lixo nos mares. Essa poluição plástica deixa um rastro até chegar às águas, impactando todos os ecossistemas do planeta.

Eis porque o setor empresarial deve se preocupar com isso: ele é responsável por boa parte dessas emissões - de cartões e, logo, de GEE, além de gerar resíduos tóxicos. Primeiramente porque, hoje, há uma alta rotatividade de colaboradores se compararmos às décadas anteriores. Os profissionais buscam carreiras mais dinâmicas, criam menos raízes onde estão, se casam mais tarde, aceitam novos desafios com mais facilidade e desprendimento.

Além disso, a relação entre empresas e funcionários tem sido permeada por dinâmicas de maior autonomia, reduzindo fricções na jornada de executivos que precisam, inclusive, adquirir produtos ou serviços durante sua jornada de trabalho e em viagens corporativas. Por isso, estamos falando de uma enorme emissão de cartões corporativos em curto prazo, na medida em que quando um colaborador sai, outro entra. Para empresas como as que atendemos na Voll, algumas com quase 100 mil funcionários, é um volume enorme.

Há pouco tempo, a iniciativa honrosa de lançar cartões biodegradáveis parecia a melhor saída, mas não avançou. Isso porque a ciência já descobriu que eles geram resíduos químicos em sua decomposição. A taxa de reciclagem do plástico ainda é baixíssima no Brasil e o preço do material reciclado é mais alto, o que também não contribui para sua implementação no mercado. Além disso, é preciso avaliar o impacto ambiental do produto em toda a sua cadeia, desde a sua feitura até chegar às mãos do usuário. Cada cartão implica, pelo menos, no uso de uma embalagem de papel e/ou plástico, no consumo de combustível e na emissão de carbono durante o transporte até o proprietário e sabe-se lá quantas notas fiscais físicas serão geradas após a entrega.

Ademais, ao descartarem os cartões, as pessoas se preocupam mais em relação à possibilidade de que seus dados possam ser roubados, o que faz o objeto geralmente ser descartado incorretamente. Já o baixo tratamento do lixo no Brasil, com toneladas indo parar em lixões, agrava ainda mais a situação. Tudo isso contribui para dificultar o alcance das metas ESG de qualquer corporação que queira cumprir com a agenda mundial de sustentabilidade - que, é bom lembrar, é urgente frear a crise climática.

Certamente você deve estar se perguntando sobre qual seria então a saída para fazer diferente e mudar esse contexto? Até então não existia outra alternativa às empresas brasileiras a não ser continuar emitindo cartões corporativos para perpetuar seus negócios. Agora há. Possibilitada por uma tecnologia de ponta, a Voll acaba de fazer seu último lançamento – o Voll Pay, uma solução de pagamentos digitais pré-conciliados que entrega uma gestão completa de despesas corporativas.

A ferramenta foi desenvolvida para utilizar o PIX como meio de pagamento, adicionando camadas extras de segurança, rastreabilidade e gestão, para que as empresas possam oferecer autonomia para seus colaboradores, sem abrir mão do controle. O sistema instantâneo criado pelo Banco Central brasileiro é considerado o melhor do mundo. Tanto que outros países já estão interessados em importar a tecnologia, como Canadá e Colômbia, ou criar uma semelhante, como Estados Unidos.

Desde que o PIX foi lançado, vínhamos estudando uma forma de incorporá-lo à nossa plataforma porque ele garante o corte de gastos com outras operações e porque sabíamos que seria uma solução ecológica, para a qual prevemos uma grande adesão por um planeta mais saudável. Finalmente, os cartões corporativos, e todo o plástico que eles geram, podem ficar no passado.

*Eduardo Vasconcellos é diretor financeiro e cofundador da VOLL

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