Educação financeira e regulação são pilares para a estabilidade do mercado de capitais brasileiro (We Are/Getty Images)
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Publicado em 23 de março de 2026 às 15h00.
Última atualização em 24 de março de 2026 às 10h05.
Por Ana Paula Reis*
A regulação busca garantir um mercado justo. A educação financeira empodera o cidadão para exigir esse mercado justo.
A estabilidade dos mercados financeiros e de mercado de capitais brasileiro é frequentemente associada à robustez de nossas leis e à vigilância de órgãos como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central.
De fato, a regulação estrutural é o "esqueleto" que sustenta o sistema. No entanto, um esqueleto sem músculos não se move.
No ecossistema financeiro, esse músculo é o conhecimento do investidor.
A tese é clara: a regulação e a educação financeira não são caminhos paralelos, mas sim engrenagens complementares.
Enquanto a regulação atua de fora para dentro, estabelecendo regras de conduta e transparência, a educação financeira opera de dentro para fora, capacitando o indivíduo a navegar por essas mesmas regras.
Não basta que uma companhia aberta publique centenas de páginas de formulários de referência ou balanços auditados se o destinatário daquela mensagem não possui o conhecimento necessário para lê-los.
A transparência sem letramento não introduz proteção ao investidor do público.
O investidor educado é aquele que identifica promessas de rentabilidade garantida acima da taxa de juros real como um sinal claro de alerta, e não como uma oportunidade imperdível.
Ao fazer isso, ele exerce uma autorregulação preventiva, reduzindo a necessidade de intervenções tardias do Estado em casos de fraudes massivas que poderiam ter sido evitadas pela simples análise de fundamentos.
A educação financeira transforma o usuário de serviços financeiros no "primeiro fiscal" do mercado. Esse novo perfil de investidor:
Investir em programas nacionais de educação financeira é, em última análise, uma estratégia de eficiência econômica.
Reduz-se o custo operacional dos reguladores e aumenta-se a confiança sistêmica. A regulação protege o investidor de abusos externos; a educação financeira o protege de suas próprias limitações e da desinformação.
Se a regulação desenha o campo e define as regras do jogo, é a educação que ensina os jogadores a competir com segurança e ética.
Somente com essas duas pontas caminhando em sincronia teremos um mercado de capitais verdadeiramente maduro e resiliente.
*Ana Paula Reis é Sócia do BMA Advogados, Vice-Presidente da Comissão de Mercado de Capitais da ABRASCA e membro do Comitê Consultivo de Educação da CVM.